Saiba mais sobre os Conversores da TV Digital !

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Curiosidades Diversas, Você sabia | Postado dia 30-09-2008

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Conversores de TV Digital

Conversor é o 1º passo para entrar no mundo da TV digital

Para utilizar sua TV Digital, é necessário ter um conversor apropriado para isso (também chamado set-top box ou caixa conversora. O conversor é fundamental porque o que muda com a TV digital é a transmissão do sinal, e não apenas a qualidade da imagem. Cada elemento da tela passará a ser enviado em códigos binários (seqüências de 0 e 1), linguagem igual à dos computadores. Para que os televisores "entendam" o novo sinal será necessário um "tradutor", o tal conversor de TV digital.

Conversores de TV Digital Com a chegada da TV Digital na cidade do Rio de Janeiro em meados de junho, já são quatro as regiões metropolitanas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio) que contam com essa nova tecnologia de transmissão. Vale lembrar que a TV Digital estará presente em todo território nacional até 2016, época em que o governo pretende tirar do ar o atual sistema analógico.

Depois de um período de euforia e até mesmo de confusão, onde as características da TV Digital se confundiram com a popularização das TVs de LCD e Plasma, podemos ter uma visão clara das vantagens e desvantagens desse admirável mundo novo.

As principais mudanças trazidas por essa novidade são imagem e som de maior qualidade, além de mobilidade, portabilidade, multiprogramação e também a possibilidade de o telespectador interagir com os programas da TV.

Se a TV digital ainda não se consolidou, pelo menos já mostra sinais de como podemos tirar proveito dela sem jogar dinheiro fora. Mas afinal, o que é TV Digital? Enquanto LCD e Plasma são tecnologias de reprodução de imagem, a TV Digital se refere ao modo de transmissão: é o sinal que sai das antenas das emissoras que está mudando e, com essa mudança, será possível transmitir imagens em alta-definição.

Com a TV, o processo é similar ao ocorrido com os aparelhos celulares, que, quando chegaram por aqui eram analógicos e atualmente são digitais. Só um pouco mais complicado. A maioria das transmissões abertas de TV no Brasil ainda é analógica.

Apenas uma parte passou, no dia 2 de dezembro de ser digital, em uma transição gradativa ao longo dos próximos dez anos. Do lado dos aparelhos de TV, no entanto, já existem vários modelos digitais à venda há um bom tempo: as tecnologias digitais de imagem mais difundidas são o Plasma e o LCD.

Fonte Blog Digitais 3D

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Comunidade Quilombola Maria Rosa em Iporanga-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 29-09-2008

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Comunidade Quilombola Maria Rosa no Municipio de Iporanga-SP no Vale do Ribeira

Situada praticamente em frente a Pilões, na região do Alto Ribeira, a comunidade de Maria Rosa também se formou em um local distante e de difícil visibilidade. Escravos fugiam para o local, onde se instalaram e desenvolviam atividade agrícola para sobreviver.

De acordo com os relatos e documentos disponíveis, acredita-se que houve uma ocupação territorial negra em Maria Rosa e em Pilões, na mesma época em que algumas fazendas da região ainda contavam com o trabalho escravo.

Em um documento de 1863, o subdelegado de polícia de Iporanga noticia à presidência da Província comunicando a existência de negros em quilombos nas proximidades da região e pedindo providências para destruí-los.

A partir de 1844, os registros de batismo começam a indicar a presença de negros livres nos arredores da região.

A comunidade é formada atualmente por 20 famílias.

As terras de Maria Rosa foram tituladas em 2001 pelo governo do Estado de São Paulo com 3.375,66 hectares.

A área encontrava-se ocupada por cinco posseiros e fazendeiros, mas o processo de desintrusão foi concluído e hoje a comunidade tem suas terras livres de não-quilombolas.

Fonte Site Comunidades Quilombolas

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Comunidade Quilombola Pilões em Iporanga-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 28-09-2008

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A comunidade de Pilões, formada por 51 famílias, está situada no município de Iporanga-SP no Vale do Ribeira, na região do Alto Ribeira, em um local distante da cidade e de difícil acesso. Para chegar até a comunidade, deve-se atravessar o Rio Ribeira do Iguape e andar por dez quilômetros em uma estrada não-pavimentada, que atravessa a Serra de Pilões e segue margeando o Rio Pilões e seus afluentes.

No Livro de Tombo da Paróquia de Xiririca, Pilões aparece como o último dos 54 bairros da Paróquia, e a origem de seu nome é assim explicada: "Pilloens, Ribeirão. Bairro e Demarcação superior. O nome desse coudaloso rio, cheio de cachoeiras, provem ao que dizem, de achar-se n´aquelles tampos antigos hú pilão de madeira ou no mato, ou no mesmo rio".

Os moradores contam, porém, que o nome Pilões foi dado porque existiam muitos buracos nas pedras do rio iguais a um pilão.

O bairro era conhecido como Porto de Pilões, pois era onde as embarcações descarregavam mercadorias para a sede das fazendas que utilizavam mão-de-obra escrava.

Os relatos dos moradores contam que, no século XVII, moravam na região senhores brancos com seus escravos. Em um primeiro momento, concomitante do tempo da mineração, a ocupação dessa região foi marcada pela presença da escravidão. Os escravos resistiam, se rebelavam, fugiam e formavam quilombos.

Há registros de um documento, datado de 1863, no qual o subdelegado de polícia de Iporanga noticia à presidência da Província comunicando a existência de negros em quilombos nas proximidades da região e pedindo providências para destruí-los.

As terras de Pilões foram parcialmente tituladas em 2001 pelo governo do Estado de São Paulo com 5.925,99 hectares, o que corresponde a 95% do território total.

O Incra abriu processo para regularizar as terras de Pilões. No entanto, até maio de 2007, nenhuma providência tinha sido implementada.

Fonte Site Comunidades Quilombolas

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22ª Feira do verde da Apae na Cidade Registro-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em As Festas e Exposições | Postado dia 27-09-2008

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22ª Feira do verde da Apae na Cidade de Registro-SP no Vale do Ribeira

A feira do verde da Apae esta sendo realizada no Shoping Registro na avenida Jonas Banks Leite ,começou no dia 22  de Setembro  e vai até dia 05 de outubro de 2008, você vai encontrar artesanato,lindas orquideas e varias plantas ornamentais e mudas de arvores frutiferas, venha partcipar e ajude esta entidade .Dona Cecilia e Dona Cida recebem a todos os visitantes com muita atenção e muito carinho .

Dona Cecilia e seus ajudantes sempre atentos a ajudar

Orquideas

Artesanato

 

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Conheça como é um Engenho de Farinha de Mandioca

Postado por Camilo Aparecido | Postado em As Curiosidades do Vale do Ribeira, Curiosidades Diversas | Postado dia 27-09-2008

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Plantação de mandioca

Casa de farinha ,feita de pau a pique

Foto de um engenho de farinha

As peças dos engenhos de farinha eram confeccionados em madeiras de lei como: canela, peroba, jacarandá, ipê, jatobá e pau-ferro.

Esta gravura mostra ,a fase de descascar a mandioca

A roda ,esta fase a mandioca é ralada

Depois de ralada, a mandioca é prensada. Só depois disso é que vai para o tacho quente.

A prenssa ,depois de ralada a mandioca era prenssada para se retirar a goma

O Coxo de farinha

O Tipiti ,muitas pessoas não tinhão a prenssa e por isso usavam o tipiti, era um utensilio que era usado para retirar a goma

Tipiti

Este é o mais impressionante e desconcertante aparelho que os nossos ancestrais idealizaram.

o tipiti, como um aparelho de compressão e expressão, expelir a primeira água e as outras, tornando a massa da mandioca seca,

O tipiti é um instrumento tecido com talas de arumã, de forma tubular com as extremidades afuniladas que terminam em alças. Seu funcionamento dá-se após prender-se uma das alças a certa altura, colocada a mandioca ralada no tubo, procede-se a expressão, distendendo-se gradual e fortemente a alça inferior, com pesos em série crescente. A massa, assim espremida, expele todo o sumo da mandioca ralada. Esse sumo chama-se tucupi.

Tipiti significa no Tupi: tipi - espremer; ti - líquido

A pubação

O termo pubar, no dicionário "Tupi Antigo", de Luís Caldas Tibiriçá, significa maduro, podre. Já no dicionário “A Língua Tupi na Geografia do Brasil”, significa amolecer.

Antigamente eram as mulheres que se encarregavam desse mister. Hoje todos participam. Após a colheita da mandioca, as raízes são colocadas no bojo de um casco imprestável no fundo de um igarapé (rio pequeno) ou então na reentrância de um pequeno curso d’água, onde a mandioca fica submersa por três dias. Passado esse período é retirada, começando a faina de descascá-la. Todas as raízes desnudadas, começa a etapa da ralação. Tudo ralado, a massa é introduzida nos tipitis.

Tacho de cobre feito para torrar a farinha de mandioca

Farinha de mandioca

Farinha dagua ,derivado da mandioca

A Goma ,derivado da mandioca

Coruja

A coruja, uma espécie de bolo de mandioca feito originalmente com massa de mandioca, banha de porco e ovos caipiras, assado em fornos rústicos, envolvidos em folhas de bananeira até ficarem dourados.

O nome coruja vem do formato do bolo cilíndrico, lembrando a figura do animal.

Tapioca

 Derivados da Mandioca

Goma: produto resultante depois da extração do amido, uma farinha rica em fibras, mas pobre em amido. Dependendo do lugar, pode ser chamada de farinha seca ou farinha de raspa. Para extrair a fécula (amido da mandioca, polvilho ou goma), a mandioca é ralada, lavada e prensada. O líquido obtido é deixado em repouso por cerca de 4 horas para o amido decantar. A água é jogada fora, restando no fundo o sedimento úmido.

Goma fresca : peneirada para fazer beijus crocantes ou tapiocas. A goma seca do Norte é o polvilho um pouco mais encaroçado.

Polvilho doce: goma desidratada como se fosse um talco bem fino. Usado para fazer beijus e tapiocas, bastando hidratá-lo com um pouco de água. Com líquido e aquecido, forma um mingau cremoso e leitoso e pode ser usado para espessar molhos. Ou ainda para fazer pãezinhos, bolos, brevidades. Expande menos que o polvilho azedo, mas deixa a crosta mais macia.

Polvilho azedo : é a água com o sumo da mandioca que é deixada com a goma sedimentada para fermentar por cerca de 10 dias. O polvilho tirado daí estará bem ácido e confere sabor ácido agradável aos preparos, além de permitir maior expansão: pães de queijo e biscoitos de polvilho crocante, por exemplo. O mingau feito com ele é mais transparente e viscoso.

Sagu: feito com a goma (polvilho, fécula) da mandioca. Na indústria, o amido é coagulado e boleado para bolar esferinhas de tamanho padronizado.

Tapioca granulada: amido molhado que é coagulado em grânulos sobre chapa quente. É separada por peneira em grãos finos ou grossos. Tem aparência de sal grosso, meio translúcida e pode ser usada em cuscuz, bolos ou mingaus.

Puba ou massa de mandioca: mandioca deixada em água corrente ou em tanques para pubar (amolecer) por cerca de 5 dias. Quando está mole, é triturada só ou com uma parte de mandioca fresca, lavada, prensada para tirar parte da goma e peneirada para reter as fibras e resíduos duros da mandioca (crueira).

Farinha de tapioca: grânulos de amido coagulados na forma de sagus, e estourados em chapa quente como pipocas. A extrusão dá aos grânulos aspecto de isopor. Usada em pãezinhos, mingaus, cobrindo sobremesas ou como acompanhamento de polpa de açaí ou bacaba salgada ou doce.

Farinha de mandioca comum ou seca : farinha de mesa para acompanhar pratos de carne ou peixe. Usada para fazer farofas. A farinha comercializada tem que ter no mínimo 75% de amido. No processo normal a mandioca é descascada, ralada, prensada e seca em grandes tachos. Se a polpa for lavada com água antes de ir à prensa para extrair o polvilho, que é levado com a água, a farinha sairá mais fibrosa, conhecida no Norte como farinha seca.

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Comunidade Quilombola Poça em Eldorado-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 27-09-2008

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O diretor executivo da Fundação Itesp, Gustavo Ungaro, mandou publicar na terça-feira 13 de maio de 2008, no Diário Oficial do Estado, o reconhecimento da comunidade quilombola de Poça, localizada no Município de Eldorado, no Vale do Ribeira. Poça é a 22ª comunidade quilombola reconhecida pelo Governo de São Paulo e a primeira da gestão do Governador José Serra.

A comunidade de Poça é formada por 44 famílias, que vivem basicamente do plantio de banana. A origem remonta à história do ciclo minerador, iniciado na região no século XVII, e do plantio de arroz, que teve seu ápice no século XIX, quando o chamado "arroz de Iguape" ficou famoso pela sua qualidade. As duas fases se apoiaram na mão-de-obra escrava.

Os estudos feitos pelos pesquisadores do Itesp, por meio de relatos de moradores e pesquisa documental, mostram que os atuais moradores são descendentes de várias famílias que se instalaram na área no início do século XIX: Costa, Pupo, Vieira, França, Marinho, Rosa, entre outros.

O Vale do Ribeira é a região que concentra a maioria das comunidades quilombolas do Estado. Das 22 comunidades já oficialmente reconhecidas pela Fundação Itesp, 15 estão nos municípios de Eldorado, Iporanga, Cananéia, Iguape e Itaoca. São 651 famílias beneficiadas naquela região.

As origens dessas comunidades remontam à história do ciclo minerador iniciado no século XVII, que se apoiou na mão-de-obra de homens e mulheres negros escravizados. Com a Constituição de 88, os quilombos passaram a ter assegurado o direito à propriedade da terra por eles ocupada.

O Governo do Estado, por meio da Fundação Instituto de Terras (Itesp), atua para garantir o cumprimento desse preceito constitucional. O Itesp é responsável pelo reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos que vivem em área reconhecidas devolutas em São Paulo. Além das 22 comunidades já reconhecidas, outras dez estão em processo de reconhecimento.

A Fundação Itesp também presta assistência técnica e extensão rural para essas comunidades. O trabalho é feito por meio de atividades agrícolas, manejo florestal, produção de artesanato e capacitação dos moradores em diversos programas.

Marrey com o prêmio recebido da OABSP.Reconhecimento
Nesta semana, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, foi homenageado pela Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios (Conad). Marrey recebeu das mãos do presidente da seccional paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D’Urso, o prêmio “Luta pela Igualdade Racial”.

A homenagem comemorou os 120 anos da Abolição da Escravatura. A premiação foi entregue a personalidades que se destacaram na luta contra o racismo entre eles o ministro da Cultura, Gilberto Gil, o ministro do STF, Joaquim Barbosa, o senador Paulo Paim e o professor Hélio Santos.

FONTE Imprensa Itesp

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Comunidade Quilombola Porto Velho em Itaoca-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 26-09-2008

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Comunidade Quilombola Porto Velho

A estrada de terra que dá acesso á Comunidade Porto Velho tem 4 km de extensão e começa na estrada Itaoca-Pavão, na altura do bairro Fazenda, no município de Itaoca – SP no Vale do Ribeira .

A comunidade possui 21 famílias, com aproximadamente 80 pessoas, sendo pouco mais de um quarto de crianças de até 12 anos e 10% de idosos. O analfabetismo é encontrado na população com mais de 50 anos. As pessoas com menos de 40 anos tem escolaridade compatível com a idade, tendo concluído até o ensino médio. A comunidade conta com pré-escola até a 4ª. série do ensino fundamental. Para as séries seguintes é preciso se deslocar para o Bairro Pavão. A prefeitura de Itaoca fornece transporte para os estudantes.

Conta também com um posto de saúde e duas vezes por mês é feito atendimento por um médico e dois enfermeiros. Há também um agente de saúde da própria comunidade. A principal fonte de renda é a agricultura familiar: roça de arroz, feijão, milho, mandioca, batata doce, cana, amendoim; pomares com mamão, laranja, limão, banana; cultivo de maracujá e hortaliças. Algumas pessoas trabalham para a prefeitura e outras recebem diárias por trabalhos realizados para outras famílias.

Histórico

O nome da comunidade surgiu por ser ali o último porto do Rio Ribeira de Iguape no sentido contrário de seu curso. Segundo os registros, no século XIX o território era uma fazenda que utilizava mão de obra de escravos. Em crise financeira, o dono deixou as terras para as famílias de escravos que ali trabalhavam. Uma dessas famílias era a de Basílio da Rosa, que deu origem à comunidade. Faziam roça para a subsistência, cultivando feijão, milho, arroz, cana, mandioca e faziam pequenas criações familiares de galinhas e porcos. Parte dessa produção era transportada de canoa até Eldorado e Iguape, onde era comercializada. Nessas cidades eram comprados sal, trigo, querosene, tecidos e outros produtos industrializados. Essa viagem de ida e volta levava 20 dias.

Em meados do século XX, o herdeiro de uma terra chamada Porto dos Apertados, localizada no Paraná, chegou dizendo que aquela era a terra dele e forçou as famílias a trabalharem para ele para poderem permanecer ali. Combinava de produzir “a meia” (metade do produto para o produtor e metade para o fazendeiro), mas ele pagava quando e quanto queria, sempre explorando as famílias. Não permitia o descanso nos domingos e outros dias santos.

A partir do início dos anos 1980 começaram a tomar consciência de seus direitos e da exploração que estavam sofrendo. Inicialmente começaram a se recusar a trabalhar nos domingos e dias santos estimulados pela leitura da Bíblia, principalmente trechos que falam da proibição de trabalho nesses dias. Com o tempo se recusaram a trabalhar naquelas condições mesmo nos dias úteis.

Os constantes conflitos e a pressão do fazendeiro impedindo inclusive o cultivo de roça, fez com que muitas famílias deixassem a comunidade e fossem para bairros vizinhos e cidades próximas. Apenas 9 famílias permaneceram.

Tomando conhecimento de outras comunidades remanescentes de quilombo da região que reivindicavam esse reconhecimento e a propriedade das terras tradicionalmente ocupadas, a comunidade procurou o Instituto de Terras do Estado de São Paulo – Itesp, que iniciou a elaboração do Relatório Técnico-Científico (RTC) para o reconhecimento da comunidade. Para isso, contaram também com a assessoria jurídica da Igreja Católica.

No dia 31 de agosto de 2001, foi criada a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Porto Velho. Registrada em 2002 tinha como principal papel a representação da comunidade na luta pela terra. Em represália, no dia 22 de junho de 2002, familiares do fazendeiro, a mando deste, demoliram a igreja da comunidade. Essa atitude causou grande revolta nos moradores e trouxe para Porto Velho a solidariedade das comunidades vizinhas. A associação acionou a polícia local e a Polícia Federal. Esse fato agilizou uma ação contra o fazendeiro que já corria na justiça, conseguindo uma liminar destinando 30 alqueires (72 ha) para uso das famílias quilombolas. A conclusão do RTC se deu um mês depois reconhecendo Porto Velho como uma comunidade remanescente de quilombo. Com essa garantia mínima da terra, as famílias começaram a retornar, chegando às 21 que atualmente moram e trabalham na terra.

Fonte Quilombos do Ribeira

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Comunidade Quilombola Morro Seco em Iguape-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 25-09-2008

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Comunidade Quilombola Morro Seco

Para chegar à Comunidade Remanescente de Quilombo de Morro Seco, no Município de Iguape – SP no Vale do Ribeira , é preciso entrar em uma estrada de terra que fica no Km 419 da BR-116, à direita de quem vem no sentido Curitiba/São Paulo e percorrer 5 Km.

A comunidade hoje é composta de 22 famílias, totalizando 85 pessoas. Mais da metade da população tem idade entre 19 e 60 anos. Há 16 crianças com até 12 anos e 14 idosos, com mais de 60. A escolaridade da maior parte das pessoas é o ensino fundamental incompleto, até a 4ª. série. Nos extremos, apenas 1 pessoa teve acesso ao ensino superior e 6 não são alfabetizados.

A principal fonte de renda na comunidade é a produção agrícola. A maior parte da produção de arroz, feijão e hortaliças é para consumo das famílias. A produção de farinha de mandioca e banana, então em boa parte, destinadas a comercialização.

Embora a produção agrícola seja uma presença marcante na comunidade, as poucas alternativas de renda fazem com que grande parte dos pais de família e jovens tenha que sair da comunidade ou trabalhar fora dela como assalariado, diarista ou empreiteiro para garantia de seu sustento, enquanto outros realizam atividades informais mesmo dentro da comunidade.

Histórico

O território até hoje ocupado pela comunidade era um sertão de mata alta, de nome Capoava, para onde os escravos fugiam. Era uma área isolada: não havia estrada e a única saída era para Iguape, pelo Rio Morro Seco até sair no Rio Peroupava, sendo necessários 4 dias de canoa a remo até a cidade. Esse era o percurso que os moradores faziam para levar o arroz para ser vendido em Iguape, depois de terem embarcado nos portos de Nhá Juséfa e Guamixama.

Uma das lembranças dos atuais moradores com relação aos escravos é de Juari Alves Pereira: “Geraldina Rita Modesta Alves, nossa mãe, dizia quando ainda éramos pequenos: ‘Minha avó era escrava’.” Seu pai, Hermes Modesto Pereira, de 65 anos, conta que seu pai, Joaquim Soares Alves dizia: “Acho que meu pai era escravo, por ser mais preto do que eu, por ter o nariz bem grande e os lábios grossos”.

Considerando a influência de outros povos na formação da comunidade, o sr. Armando Modesto Pereira, de 71 anos, diz: “Minha avó era branca, de cabelos pretos e longos”. Izaltina Geraldina Modesto, também uma moradora quilombola, afirma: “Ela era descendente de português.”

Sobreviviam principalmente da roça, em especial de arroz, feijão milho e mandioca. Organizavam mutirões para a roça e faziam festas em conjunto. Para essas atividades era convidada toda a vizinhança onde dizia-se: “Podes me ajudar no próximo sábado?” Depois de um bom convite ia se discutir o que teria na festa. Tudo corria muito bem e certo.

Diz o senhor Armando, de 71 anos: “Por volta de 1940, nosso pai, Joaquim Soares Alves, nos contava que quando era ainda menino e já aconteciam na vizinhança os de-mão, as festas, as danças e os mutirões”. E foi reforçado por Antonia Domingues de Assis, de 86 anos, que diz: “Quando eu tinha 15 anos já existia fandango”.

Muito religiosos, guardavam vários preceitos, principalmente na Quaresma e Semana Santa: durante toda a Quaresma não se comia carne nas sextas-feiras, não cortava cabelo, não tocava viola e não dançava. Só voltava a dançar no Sábado de Aleluia. Dizia-se até que Jesus pegou a cruz na Quarta-feira de Cinzas, carregou durante 45 dias e morreu na Sexta-feira Santa. Quarta-feira de Cinza e Quinta-feira Santa eram dias de jejum. Na Quarta-feira de Cinza e na Sexta-feira da Paixão, varria a casa e não jogava o lixo fora. Na Quarta-feira Santa não se fazia nada até o meio dia. Na Quinta-feira Santa não se fazia nada depois do almoço, por entender que era um dia santo e que devia ser respeitado e por não ter claro ainda sobre a agonia de Jesus.

Até a década de 1950 a população que se localizava nessas imediações era chamada de vizinhança. O conceito de comunidade chegou ao Morro Seco trazido por um representante da Igreja Católica. Nessa época, o representante religioso orientou que dali havia de se escolher uma pessoa que fosse representar a comunidade nas atividades que aconteciam fora dali, sendo esse chamado de representante da comunidade.

A idéia de criar uma associação veio quando se sentiu a necessidade de se organizar melhor para busca de melhores condições de vida para a comunidade, através principalmente do reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo e a titulação da terra ocupada tradicionalmente. “Em 1999 com a presença de assessores técnicos e jurídicos começamos a discutir para a elaboração de um Estatuto. Foram quase 3 anos de discussão até a constituição da associação, que aconteceu em 25 de agosto de 2002 e formalizada em 03 de fevereiro de 2003”, diz Juari.

Fonte Quilombos do Ribeira

 

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UNESP , criará o Museu Dinâmico da Mata Atlântica

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Notícias do Vale do Ribeira | Postado dia 24-09-2008

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UNESP de Registro criará o Museu Dinâmico da Mata Atlântica

UNESP de Registro tem projeto de pesquisa aprovado para o Museu Dinâmico da Mata Atlântica

O Edital CNPq/MCT - Difusão e Popularização da Ciência & Tecnologia contemplou com R$ 102.980, 90 o projeto do Museu Dinâmico da Mata Atlântica da Unesp de Registro. Essa verba será destinada para a ampliação do acervo da base de dados (CITEC) que reúne todos os trabalhos feitos no ou sobre o Vale do Ribeira, em todas as áreas do conhecimento. Planeja-se também aumentar as exposições com um minhocário, terrário, maquete da bacia hidrográfica e mapas temáticos do Vale do Ribeira. Além de um documentário com a história da Ilha do Cardoso, modernização da home Page e o oferecimento de cursos de extensão aos professores da escola pública e produtores rurais.

O projeto está sob a coordenação da docente Kelly Botigeli Sevegnani e vice-coordenação da docente Patrícia Gleydes Morgante. A equipe é composta pelos professores Afrânio José Soriano Soares, Giovana Bertini, João Vicente Coffani Nunes, Silvia Helena Modenese Gorla da Silva (UNESP /Registro), contando ainda com as docentes Eliana Cardoso Leite (UFSCar/Sorocaba) e Ivete Cardoso do Carmo Roldão (PUCCamp).

Reportagem Julio Silva, Site Diario de Iguape

Fonte: Unesp

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Comunidade Quilombola Galvão em Eldorado-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 24-09-2008

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Comunidade Quilombo Galvão em Eldorado-SP

Com a maior parte de seu território no município de Eldorado (SP) e parte em Iporanga no  Vale do Ribeira, o acesso à comunidade está na altura do km 41 da estrada Eldorado/Iporanga, a SP-165. Após atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, percorre-se 2,5 km em uma estrada de terra para chegar à comunidade, situada na margem esquerda do Rio Pilões.

A comunidade é formada por 33 famílias, em um total de 143 pessoas. Parte das famílias mantém a roça como atividade básica para a subsistência: feijão, arroz, milho e mandioca. Fazem também horta, cultivando alface, couve e almeirão. A maioria tem uma pequena criação de porcos e galinhas para consumo da família. Boa parte trabalha para a prefeitura e governo do estado, além de trabalhos diários em fazendas próximas.

A história do bairro Galvão está intimamente ligada à história do bairro São Pedro. Ambos formavam um único grupo de parentesco, ocupando um território inicialmente contínuo.

O início do povoamento foi em 1833 com a chegada de Bernardo Machado dos Santos, juntamente com 8 mulheres e 4 homens, os primeiros habitantes da comunidade de São Pedro. Eram escravos fugidos de uma fazenda. Por causa das perseguições que sofria, Bernardo trocou seu nome para Bernardo Furquim de França.

Para sua subsistência, desde o início, faziam roça de arroz, feijão, milho, cará, batata, mandioca, cana, banana, etc. e criavam porcos, galinhas e cavalos para o serviço e transporte. Pescavam, caçavam e coletavam cipó, taquara, palhas para construções e artesanato. Vendiam arroz, milho e feijão em Iguape, para onde desciam de canoa, e compravam sal e tecido para costurar roupas à mão.

Faziam mutirões (chamado na época de puchirão) para derrubada e roçada, colheita de arroz, milho e feijão. Neles, o dono da roça convidava outros moradores em número que dependia do tamanho da área. Como “pagamento do serviço” oferecia comida e bebida. Havia também a troca de dia, onde alguém que recebia ajuda de trabalho de um vizinho, trabalhava para ele a mesma quantidade de dias quando ele precisasse.

No início do século passado alguns moradores venderam parte de suas terras para fazendeiros. Alguns fazendeiros foram tomando mais terras do que haviam comprado, causando conflitos com os moradores tradicionais, fazendo ameaças e mortes de fato.

Em 1999 resolveram separar as duas comunidades, com associações distintas, para lutar pela terra. No mesmo ano foi fundada a associação. Em 2000 foi feito o RTC (Relatório Técnico-Científico) e no mesmo ano foi dado o reconhecimento como comunidade de remanescentes de quilombo.

Fonte Quilombos do Ribeira

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Comunidade Quilombola Mandira de Cananéia-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 23-09-2008

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Comunidade Quilombola Mandira


A comunidade Mandira está localizada na Estrada Itapitangui/Ariri – Km 11, no Município de Cananéia-SP no Vale do Ribeira

Residem na comunidade 25 famílias, sendo 30 crianças, 22 jovens, 44 adultos e 9 idosos, dando um total de 105 pessoas. Quase todas são alfabetizadas, algumas completaram o ensino médio, outras apenas tem o ensino fundamental (incompleto) e 5 não são alfabetizadas.

Com a impossibilidade de fazer roça e criar animais para a subsistência, devido a restrições ambientais e indefinição na titulação do território, a principal fonte de renda dentro da comunidade é o manejo de ostra. Outras atividades importantes são: artesanato de cipó, bijuteria com sementes nativas, confecção de bolsas, camisetas, macacões para apicultura, chaveiros, bonecas e enfeites de pano, além de apicultura.

Histórico

A comunidade do Mandira surgiu na segunda metade do século XIX, em 1868, quando o patriarca da família, Francisco Mandira, recebeu as terras do sítio, com cerca de 1.200 alqueires (2.880 ha), como doação de sua meia irmã Celestina Benícia de Andrade. Francisco Mandira era fruto da relação do senhor de escravos Antônio Florêncio de Andrade com Tereza, uma de suas escravas. Francisco Mandira casou e teve alguns filhos, entre eles João Vicente Mandira e Antônio Vicente Mandira, ambos casaram tiveram filhos, dando assim continuidade a comunidade Mandira, e hoje somos a sétima geração.

Fonte Quilombos do Ribeira

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Comunidade Quilombola São Pedro em Eldorado-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 22-09-2008

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Comunidade Quilombola São Pedro

O acesso à comunidade está na altura do km 41 da estrada Eldorado/Iporanga no Vale do Ribeira , a SP-165. Após atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, percorre-se 8 km em uma estrada de terra para chegar à comunidade.

A comunidade é formada por 47 famílias, em um total de 132 pessoas. Além da roça de arroz, milho e feijão para consumo, algumas famílias criam gado tanto para consumo como para venda. Uma outra fonte de renda, não relacionada à cultura tradicional, é a cultura de maracujá, feita por dez pessoas da comunidade, voltada para a comercialização. A última área recebida pela associação tinha o cultivo de palmito pupunha, que está sendo manejado para a comercialização. O mutirão, ou puxirão, é muito pouco utilizado atualmente. Hoje é mais comum a contratação de diária ou empreita, pagos em dinheiro. Quinze pessoas recebem aposentadoria e alguns são funcionários da prefeitura e governo do estado.

Histórico

A história do bairro São Pedro está intimamente ligada à história do bairro Galvão. Ambos formavam um único grupo de parentesco, ocupando um território inicialmente contínuo.

O início do povoamento foi em 1833 com a chegada de Bernardo Machado dos Santos, juntamente com mais ou menos 8 mulheres e 4 homens, os primeiros habitantes da comunidade de São Pedro. Eram escravos fugidos de uma fazenda. Por causa das perseguições que sofria, Bernardo trocou seu nome para Bernardo Furquim de França. O nome do bairro era Lavrinha por ser um lugar de lavra de ouro.

Para sua subsistência, desde o início, faziam roça de arroz, feijão, milho, cará, batata, mandioca, cana, banana, etc. e criavam porco, galinha e cavalos para o serviço e transporte. Pescavam, caçavam e coletavam cipó, taquara, palhas para construções e artesanato. Vendiam arroz, milho e feijão em Iguape, para onde desciam de canoa, e compravam sal e tecido para costurar roupas à mão.

Faziam mutirões (chamado na época de puchirão) para derrubada e roçada, colheita de arroz, milho e feijão. Neles, o dono da roça convidava outros moradores em número que dependia do tamanho da área. Como “pagamento do serviço”, oferecia comida e bebida. Havia também a troca de dia, onde alguém que recebia ajuda de trabalho de um vizinho, trabalhava para ele a mesma quantidade de dias quando ele precisasse.

No início do século passado alguns moradores venderam parte de suas terras para fazendeiros. Alguns fazendeiros foram tomando mais terras do que haviam comprado, causando conflitos com os moradores tradicionais, ameaças e mortes de fato. Por causa desses conflitos, organizaram-se em uma associação para conseguirem definitivamente a terra.

Fonte Quilombos do Ribeira

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Comunidade Quilombola Cangume em Itaoca-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 21-09-2008

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Comunidade Quilombola Cangume


A estrada Itaoca-Cangume, que dá acesso à comunidade, começa no Bairro do Henrique, no município de Itaoca – SP no Vale do Ribeira ,e tem uma extensão de 8 km.

O Cangume trata-se de uma comunidade de remanescentes de quilombo, hoje com 39 famílias, totalizando 200 pessoas. A partir de 1997, com a intervenção da prefeitura local, as famílias passaram a ter acesso à saúde, reduzindo consideravelmente o índice de mortalidade infantil. Esse acesso se deu principalmente com a implantação do transporte escolar, que favorece também os moradores em geral, possibilitando a ida à Itaoca para tratamento. A implantação do telefone público possibilita a chamada de socorro ao posto de saúde em caso de urgência.

A escola instalada na comunidade oferecia apenas o ensino de 1ª. a 4ª. séries até 2005, quando foi implantada também a educação infantil, para crianças de 4 a 6 anos. Para a continuidade do estudo, de 5ª. a 8ª. séries do ensino fundamental e ensino médio, os adolescentes e jovens precisam se deslocar para o bairro Pavão, a 10 km da comunidade. Para esse deslocamento, contam com o transportes escolar, oferecido pela prefeitura de Itaoca, 4 vezes por dia. Para os jovens e adultos que não tiveram oportunidade de freqüentar a escola, há um Núcleo de Alfabetização.

Histórico

A história do Cangume vem de muito tempo, por volta dos anos de 1870, quando acabou a Guerra do Paraguai, o conflito que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Entre os mais velhos da comunidade há várias histórias que explicam o nome da comunidade: uma delas fala de um negro escravo, João Cangume, que foi um dos primeiros negros que fugiram para Pinheiro Alto, que depois passou a ser chamado de Cangume.

Sobreviviam principalmente da roça de mandioca, milho, feijão e cana. Faziam “farinha de monjolo” (farinha de milho triturado no monjolo) e farinha de mandioca, que eram consumidas pelas famílias e vendidas em Itaoca. Com o caldo da cana faziam “café de garapa” (café coado com caldo de cana, que dispensa o uso de açúcar), rapadura, taiada (doce de garapa, farinha de mandioca e gengibre) e doces de frutas. Tinham pequenas criações familiares de galinha, porco e cabrito. Utilizavam os recursos naturais da região para a fabricação artesanal de utensílios: esteiras de taboa, panelas de barro, cestos, apás e peneiras de taquara de lixa. Trabalhavam em mutirão para a abertura de roças, construção de casas de pau-a-pique e para fazer a colheita.

Inicialmente de tradição católica, pouco tempo depois os moradores de Cangume se tornaram espíritas. Contam os mais velhos que em uma festa, vários dos presentes foram tomados por espíritos. Uma pessoa do município de Apiaí, presente na festa, doutrinou esses espíritos, normalizando a situação. Desde então todos se tornaram adeptos dessa religião.

Desde sua origem até os dias atuais, Cangume conseguiu manter preservados vários de seus costumes tradicionais.

A distância de Cangume com os municípios mais próximos não desanimou as autoridades municipal e estadual, que levaram até a comunidade, blocos de concreto para construção de casas de alvenaria e um salão comunitário.

Fonte Quilombolos do Ribeira

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Comunidade Quilombola Bombas em Iporanga-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 20-09-2008

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Comunidade Quilombola Bombas

O acesso à comunidade de Bombas, uma trilha que corta morros cobertos de Mata Atlântica, fica no Km 6 da Rodovia Antonio Honório da Silva, mais conhecida como Estrada Iporanga/Apiaí, no município de Iporanga-SP no Vale do Ribeira. Dividida em dois núcleos, Bombas de Baixo fica a 5 km da Estrada e Bombas de Cima a 10 km.

Vivem em Bombas 21 famílias, em um total de 90 pessoas. Quase metade tem até 15 anos. Por volta de um décimo tem de 16 a 25 anos e apenas 1 pessoa mais de 60. Em especial o pequeno número de jovens mostra as dificuldades de sobrevivência na comunidade e a busca de alternativas nas cidades.

A grande maioria só estuda até a 4ª. Série do ensino fundamental, disponível na comunidade. Para continuar os estudos é preciso se deslocar o Bairro da Serra ou a área urbana de Iporanga, só viável se ficar em casa de conhecidos, já que não é possível se deslocar todos os dias. Por isso, apenas uma pequena parte terminou o ensino fundamental. As pessoas dão um grande valor à educação e aproveitam a escola existente na comunidade, tanto que só há analfabetos entre as pessoas com mais de 50 anos.

O posto de saúde da comunidade está desativado desde 1996 por falta de profissional. Um enfermeiro visita a comunidade 1 vez por mês. Médico aparece raramente. Não agendam a visita, por isso muitas pessoas ficam sem atendimento por não saber de sua presença.

O plantio nas roças e quintais é a principal fonte de subsistência das famílias. Nas roças são cultivados arroz, milho, feijão, mandioca, batata doce, cara de espinho, taiá (legume para ser consumido cozido, em sopa, etc.), inhame, amendoim, chuchu (na beira da roça, em bacias mais frias, com terra úmida, chamada de chuchuá). Ao redor das casas, nos quintais, produzem laranja, ata (fruta do conde), banana, mexerica, abacaxi, ameixa, limão, café, etc.

Essa produção é voltada principalmente para o consumo das próprias famílias. É muito pequena a venda de produtos da roça na comunidade. São mais comuns as trocas e os empréstimos, pagos em uma próxima safra. Algumas frutas, como a mexerica, são vendidas no comércio da cidade mais próxima, Iporanga, para viabilizar a compra de outros produtos necessários à manutenção das famílias.

Mais comum do que a venda e a troca de produtos da comunidade no comércio da cidade por ferramentas, calçados (principalmente botas de borracha), sal, açúcar, óleo diesel (para lamparina), óleo para cozinhar, etc. São criados galinhas, patos, porcos, cavalos, burros. Esses também são principalmente para consumo próprio, mas ocorrem trocas e vendas entre as famílias. Alguns jovens procuram trabalho na cidade e em fazendas próximas para aumentar a renda familiar. Apenas quatro pessoas recebem aposentadoria ou pensão do INSS.

Histórico

A formação da comunidade começou na segunda metade do século XIX. Por ser uma area isolada, longe do rio e de difícil acesso, foi o refúgio para escravos fugidos e famílias expulsas de suas terras de várias áreas próximas. Famílias de descendentes de escravos e de portugueses que ocupavam uma área próxima, conhecida como Fazenda Furquim, foram pressionadas a abandonar as terras por uma empresa de mineração de chumbo: inicialmente fez com que assinassem um documento como se fossem agregados e posteriormente os Furquim foram expulsos. Da Serra de Iporanga, saiu a família Mota, para trabalhar em Bombas. De Baú, também em Iporanga, saíram os Ursolinos, descendentes de escravos de Nhunguara. Fugido provavelmente de Minas Gerais, veio Celestrino, passando por Itapeva e Pavão, em Itaoca, formando família com os Ursolinos e depois com Sebastiana, de Cangume. Vieram também pessoas de Porto Velho, João Sura (Paraná) e Três Águas (próximo de Porto Velho).

As famílias sobreviviam da roça (milho, arroz, mandioca, batata, horta, cana, cará de espinho), caça e coleta. Na cidade buscavam apenas roupa e sal. A despesa com roupas era muito pequena. Até mais ou menos 14 anos, usavam uma espécie de camisola. Mesmo os adultos utilizavam roupas simples, feitas na própria comunidade com tecidos comprados. “Roupas mais elaboradas só para o casamento”. Construíam monjolos para pilar o arroz e socar o milho para fazer uma tradicional farinha de milho e moendas para moer a cana e fazer rapadura, taiada (doce feito com melado de cana, gengibre e farinha de mandioca) e doces diversos adoçados com o melado.

Mais tarde começaram a criação de galinha, porcos, cabritos para consumo da carne e cavalos para o trabalho e transporte. Viveram assim até a criação do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), com decreto de 1958. Em 1983 o governo do estado delimitou o parque com picadas, e implementou as restrições próprias de um parque: limitou a realização da roça impedindo o corte de capoeira grossa e de mata, inviabilizando a criação de animais, principalmente por não ter áreas para plantar alimentos para a criação. Poucos continuam com essa atividade, em pequena escala e correndo riscos; proibiram a retirada de qualquer matéria prima da mata, mesmo cipó e proibiram a caça. Até hoje não podem cultivar palmito juçara ou pupunha, nem coletar sementes para repovoamento. As famílias ficaram sem os recursos fundamentais para a sua sobrevivência de acordo com a sua cultura. Perderam a posse da terra e passaram a viver com a incerteza de continuar na área. Com isso, várias famílias deixaram a comunidade e foram para as cidades, principalmente Apiaí, Iporanga, Guaeri e Sorocaba.

Em 2003, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) viabilizou a elaboração do RTC (Relatório Técnico e Científico) da comunidade, primeiro passo para o reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo, mas o processo está parado desde então. Em 2004 foi criada a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Bombas. Essa organização propiciou a realização de algumas atividades, mas ainda com grandes restrições. A associação, que faz parte do Conselho Consultivo do Parque, tem negociado com a administração uma forma de coexistência.

Fonte Quilombolas do Ribeira

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Documentário “SANTA Fɔ no 6º CURTA SANTOS !

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Notícias do Vale do Ribeira | Postado dia 19-09-2008

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Documentário “SANTA FÉ” mostra Bom Jesus de Iguape no 6º CURTA SANTOS

O prestigiado Filme Documentário Santa Fé é uma das atrações do 6º Curta Santos, “Festival Santista de Curtas Metragens”. Como o filme é considerado Média Metragem , ele participará da Mostra Paralela que será realizada no dia 19 de setembro às 20hs com entrada gratuita no Centro Cultural da Imagem e do Som que fica Parque Hipupiara em São Vicente SP.

Lançado no dia 28 de julho de 2007, pelo Grupo Mundo Cultural Produções (São Vicente SP), o filme retrata a segunda maior festa religiosa católica do Estado de São Paulo. O evento ocorre anualmente em Iguape – Vale do Ribeira, e o filme registra toda agitação através de paralelos entre a história da cidade e os universos de seus habitantes, historiadores, romeiros, comerciantes, e outros que traduzem o jeito de ser dessa cidade de cultura caiçara.

O Documentário tem o intuito de evidenciar esta importante festa religiosa bem como suas lendas e curiosidades. Fatos que contribuem para o desenvolvimento da cidade e toda a importância histórica, religiosa, social e turística.

O Grupo Mundo Cultural criado em junho de 2003 é dirigido por Alessandro Cruz. Nasceu da necessidade de agregar diversos segmentos culturais dentro de uma realidade física, aproximando tendências, conceitos, projetos e produtos culturais, proporcionando com isso o importante crescimento da cultura local. Há cinco anos o Grupo Mundo Cultural atua no mercado de produção, pós-produção de filmes de curta metragem, vídeos institucionais, videoclipes, documentários e Oficinas de Cinema Digital.

Serviço

O Grupo Mundo Cultural Produções também estreará o Curta Metragem CONFLITO 16, nesta próxima sexta 19 de setembro de 2008, em exibição às 21hs no Centro Cultural da Imagem e do Som de São Vicente - Cine 3D. (ENTRADA GRATUITA)

CONFLITO 16 conta a historia de Julia, uma jovem personagem que enfrenta no dia a dia os desafios da adolescência, e é um Curta Metragem de realização da Oficina de Cinema Digital que integra o PROJETO ARTE NO CAMPSV, com apoio e patrocínio do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de São Vicente. (CMDCA)

reportagem de  Julio Silva

Fonte Site Diario de Iguape

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Comunidade Quilombola Pedro Cubas Eldorado-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 19-09-2008

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Comunidade Quilombolas de Pedro Cubas

 O acesso à estrada para a comunidade de Pedro Cubas fica no quilômetro 96 da Estrada Eldorado/Iporanga (SP-163), depois de atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, no município de Eldorado (SP)no Vale do Ribeira no Estado de São Paulo. A comunidade é formada por dois núcleos, Pedro Cubas de Cima, localizada no Km13, e Pedro Cubas de Baixo, no Km 10.

Pedro Cubas é formada por 59 famílias, totalizando 222 pessoas. Quase metade dessa população tem até 15 anos. Por volta de 10% tem mais de 60 anos. A grande maioria cursou as primeiras séries do Ensino Fundamental, disponível na escola da comunidade e na vizinha Batatal. O acesso ao Ensino Médio é dificultado pela distância e dificuldade de transporte. Apenas uma pessoa tem Ensino Superior completo e outra está cursando. O analfabetismo atinge principalmente as pessoas com mais de 50 anos, que tiveram ainda menos acesso à educação que a atual geração de jovens.

A roça, realizada de modo tradicional, é a principal atividade de subsistência dessas famílias. Nela se planta de modo consorciado a macaxeira (mandioca mansa) em suas variedades mata-fome (amarela, roxa, branca e de fritura), feijão, milho, abóbora, pepino, taioba, banana, batata roxa, cará, cará de espinho, inhame, mangarito e cana de açúcar.

O artesanato, principalmente bijuterias de semente, é uma atividade complementar de renda. Também é feito o artesanato tradicional de apás e peneiras de taquara de lixa e taquaruçu, esteiras de taboa, principalmente para uso próprio e, em alguns casos, para comércio.

Histórico

O início da ocupação das terras banhadas pelo Rio Pedro Cubas deve-se a Gregório Marinho, escravo da fazenda Caiacanga, de propriedade de Miguel Antônio Jorge, que era filho de um comprador de escravos, que viveu no século XVIII. Da fazenda de Miguel Antônio Jorge, vários escravos fugiram, um deles foi Gregório Marinho.

A família Marinho aparece como um dos fundadores, tanto de Ivaporunduva, como de Pedro Cubas. Quando Gregório Marinho batizou sua filha Rosa, em 1849, ele se encontrava residente no Córrego Mundéo, em Ivaporunduva. Já no ano de 1856, ele registrava um sítio em Pedro Cubas, cujas divisas encontravam-se com as terras de Manuel Antônio Jorge e com as de Manoel Antunes de Almeida.

Pedro Cubas de Cima foi fundada por Gregório Marinho. Pedro Cubas de Baixo por Chico Marinho. Outros fundadores da comunidade foram negros escravos que trabalhavam na mineração do ouro, onde era usada muita mão de obra. Eram trazidos de outras regiões e vendidos em Iguape, onde eram negociados e depois eram levados para outras localidades rio acima.

Pedro Cubas de Cima teve sua ocupação iniciada no século XVIII, por negros fugidos e outros moradores negros que foram entrando na área. Bem antes da abolição, as famílias negras também cediam parte do território a alguns recém chegados necessitados.

A entrada de fazendeiros na região, principalmente para o cultivo de arroz, banana e criação de gado trouxe também pressão pela saída das famílias quilombolas. Não tendo como resistir, várias famílias deixaram suas terras e foram para outras áreas ou cidades.

A Constituição de 1988, reconhecendo o direito às comunidades remanescentes de quilombos às terras tradicionalmente ocupadas, trouxe esperança para as famílias que permaneceram na terra e também para aquelas que saíram, de ter seu direito garantido.

Os moradores de Pedro Cubas que conseguiram manter-se na terra, acreditando na possibilidade do reconhecimento de seus direitos territoriais e culturais, entraram em contato com os irmãos, filhos e parentes próximos, que tentavam viver enfrentando grandes dificuldades fora da área.

Em meados de 1990, os que resistiram às pressões passaram a receber de volta os parentes que haviam saído, num processo que se avoluma, ensejando a reconstituição de famílias, antes fragmentadas e possibilitando a criação de uma associação da comunidade.

A crescente auto organização das outras comunidades negras do Vale do Ribeira e o sucesso na luta pelo reconhecimento de suas terras, tiveram o mérito de fazer renascer a esperança na Comunidade Pedro Cubas. Havendo uma fazenda entre os dois núcleos, foram criadas associações distintas e o processo de reconhecimento feito separadamente.

Em 1998 foram fundadas as associações de Remanescentes de Quilombo de Pedro Cubas de Baixo e Pedro Cubas de Cima, para organizar as famílias e negociar a titulação de suas terras junto aos órgãos competentes.

Fonte Site Quilombolas do Ribeira

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SITE MUITO UTIL: Perdeu seu manual? Ele está aquí

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Você sabia | Postado dia 18-09-2008

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SITE MUITO UTIL: Perdeu seu manual? Ele está aquí

> Um site com milhares de manuais.
> De câmeras fotográficas a máquinas de lavar louça, de GPS a
> aparelhos de TV, equipamentos de som, celulares e muito mais.
> São precisamente 883.542 manuais de 3.627 marcas no dia de hoje.

http://manual-de-instrucoes.com/

 

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Quilombo Ivaporunduva no municipio de Eldorado-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 17-09-2008

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Ivaporunduva

O Quilombo de Ivaporunduva esta localizado no Município de Eldorado São Paulo no Vale do Ribeira , na SP 165, Eldorado/Iporanga, às margens do Rio Ribeira de Iguape. Composta por 80 famílias, a Comunidade de Ivaporunduva tem uma população de 308 pessoas, sendo 80 crianças, 195 adultos e 33 idosos.

 

De Fotos do Vale do Ribeira

A sobrevivência dessas famílias é conseguida com o cultivo tradicional de roça: arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes para uso próprio. Para o consumo e geração de renda produzem banana orgânica e artesanato, recebem grupos escolares para turismo, além de algumas pessoas que são funcionárias da prefeitura e aposentadas.

Até a 4a. série do ensino fundamental, as crianças estudam na escola municipal da comunidade. Para as séries seguintes se deslocam em torno de 6 km, com transporte fornecido pela prefeitura, até a Escola Estadual Maria Antonia Chules Princesa, que iniciou recentemente um trabalho de educação diferenciada, na Comunidade André Lopes. Para cursar o ensino médio, freqüentam escolas no bairro de Itapeúna (a 30 km) ou na cidade de Eldorado (45 km). O ensino superior só é acessível em Registro ou São Paulo.

A comunidade possui também um posto de saúde, onde semanalmente um médico e uma enfermeira dão consultas. Para exames ou tratamento, é preciso recorrer ao hospital na cidade. O Telecentro Comunitário, com acesso à internet e oito computadores, trouxe a inclusão digital para crianças, jovens e adultos, facilitando a gestão da associação, pesquisas escolares, serviços diversos e comunicação em geral.

 

Histórico

Alguns registros citam a origem de Ivaporunduva ainda no século XVI. Um deles fala de uma antiga proprietária de terras e de escravos, dona Maria Joana, que teria adoecido e morrido enquanto se tratava no exterior. Sendo viúva e não tendo parentes, as terras ficaram para os escravos. Esse fato teria estimulado também a vinda de escravos fugidos, que resistiram à captura dos capitães do mato por volta de 1690, formando o Quilombo de Ivaporunduva.

Segundo o livro de tombo da paróquia de Xiririca, antigo nome da cidade de Eldorado, de 1813, Ivaporunduva é a mais antiga das comunidades do vale do Ribeira. Surge como povoado no século XVII, mesmo antes de Xiririca, por causa da mineração de ouro, encontrado em grande quantidade nessa área por dois irmãos mineradores, Domingos Rodrigues Cunha e Antonio Rodrigues Cunha com um grupo de 10 escravos.

Com a crise da exploração do ouro na região, os exploradores se dirigiram para Minas Gerais e abandonaram essa área. Os antigos escravos, que permaneceram, viviam basicamente da roça de arroz, feijão, milho, mandioca, batata doce, cana, café, abóbora, banana, nhame, cará, taiá (também conhecida como taioba, semelhante ao nhame), entre outros. Construíam suas casas com a técnica do pau-a-pique, utilizando o barro, madeira, cipós e capim do próprio local. Para caçar utilizavam o laço, mondéu (espécie de armadilha armada na trilha do animal), bodoque, arapuca e despique (armadilhas para captura de pássaros feitas de madeira ou bambu). O vestuário era bastante simples, composto principalmente de uma espécie de camisolão, utilizado no dia a dia. Roupas mais elaboradas, só eram utilizadas para ir à cidade e para as missas. Trocavam parte de sua produção por tecidos, querosene, sal e outros produtos utilizados no dia a dia, através de um intermediário, que era também fazendeiro de café.

Os primeiros troncos de família foram os de Francisco Marinho e Salvador Pupo. Organizavam-se em mutirões para a roça, construção de casas, fazer e manter os caminhos. Faziam festas como a do Divino, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, juninas, São Sebastião.

A luta pela terra e contra as barragens planejadas para o Rio Ribeira fizeram com que a comunidade aumentasse e formalizasse a sua organização. Em 1994 foi fundada a Associação Quilombo de Ivaporunduva. 
 

 Mais informações acessar o Site Quilombolas do Ribeira

Ilha Comprida FC faz parceria com clube português

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Notícias do Vale do Ribeira | Postado dia 16-09-2008

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Por meio de seu representante em Portugal, Mirandinha - ex-centroavante de Corinthians e São Paulo -, o Ilha Comprida FC oficializou, no início deste mês, celebração de parceria com a Associação Desportiva Oeiras, uma das mais renomadas entidades portuguesas na formação de atletas para o futebol.

Fundada em 21 de Abril de 1956, a A.D. Oeiras resultou da fusão de dois clubes: o Oeiras Futebol Clube (este fundado em 22 de dezembro de 1906) e o Sporting Clube Oeiras, com o objetivo de fomentar o desporto na juventude não apenas no aspecto competitivo, mas principalmente na formação educacional de jovens atletas.

O Futebol é a modalidade estatutária mais antiga praticada pela A.D. de Oeiras que sempre foi um clube de formação tendo ao longo dos anos formado um grande numero de atletas para o futebol lusitano e como referência, o clube conta com modernas instalações no nível das exigências do futebol europeu.

De imediato o clube já reservou para o Ilha Comprida, uma cota de uniformes para treinamentos e sondou a possibilidade do envio de um atacante nascido em 1990, o que só não foi concluído porque os pais do atleta escolhido não autorizaram a ida imediata do jovem para trabalhar na pré-temporada do clube.

“Essa parceria vai abrir muitas portas para os nossos atletas, pois conforme o próprio Mirandinha já nos adiantou, a demanda do mercado é muito grande. O mercado europeu exige além de qualidade técnica, um porte físico padrão, com estatura mínima de 1,80m o que acaba muitas vezes se tornando um empecilho, mas já temos outras duas sondagens que estamos conversando para concretiza-las”, confirma o treinador Ricardo Aguiar, coordenador técnico do Ilha e interlocutor da parceria.

A segurança no encaminhamento de atletas para Portugal é garantida não só pela boa estrutura oferecida pela A.D. Oeiras, mas também pelo enorme prestígio do ex-craque Mirandinha aqui no Brasil e no velho continente.

“Os pais devem sempre conhecer bem quem intermedia essas negociações, porque existem inúmeros casos de falsos agentes que levam jovens para o exterior e depois os abandonam sem qualquer auxílio. No nosso caso estamos a vontade, porque tratamos diretamente com o Mirandinha, uma pessoa de princípios, ótimo caráter e uma imagem profissional de prestígio a ser zelada”, conclui Aguiar.

O Ilha Comprida FC mantém o projeto clube-escola, que é o primeiro passo para o encaminhamento de atletas em potencial para clubes profissionais parceiros. Podem participar do projeto atletas nascidos entre 1995 e 1991. Os selecionados ficam no clube por um período mínimo de 1 ano em regime diário de treinamento. Interessados devem solicitar maiores informações pelo endereço eletrônico ilhacompridafc@hotmail.com.

fonte Site Diario de Iguape

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Ong Médicos da Terra, trabalho lindo deste Casal!

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Dicas de saúde, Você sabia | Postado dia 15-09-2008

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Ong Médicos da terra

É uma ONG criada por um casal de médicos que realiza ATENDIMENTOS MÉDICOS gratuitos e PALESTRAS a comunidades de mais baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)- segundo a ONU - por todo o Brasil. Dra. DANIELLE BOUHID BERTOLINI, 33 anos, cirurgiã geral e do aparelho digestivo. Dr. CARLOS ALBERTO MAKNAVICIUS, 38 anos, cardiologista, ex-policial militar (COE).

 FOTO DANIELLE e CARLOS

Fazem um trabalho lindo ,A iniciativa deste casal de Médicos  é louvável, nesse país de poucas ou nenhuma oportunidade para alguns.  pra esse trabalho dígino ,que esse exemplo sirva de lição para muitos .

Visitem o: Blog Médicos da terra

e o Site : www.medicosdaterra.com.br

 

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Pesquisa resgata história do município de Registro

Postado por Camilo Aparecido | Postado em História do Município de Registro | Postado dia 14-09-2008

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Introdução

O presente trabalho procura através da pesquisa e da associação da mesma à prática realizada escolar, com alunos do pré III (Educação Infantil) divulgar a história do nosso município nos mais variados aspectos: econômico, social, político e principalmente resgatando os valores culturais tradicionais. É importante que as crianças desde cedo conheçam estes aspectos e aprendam a valorizar nossa história e disseminem o conhecimento , visto que os habitantes da região conhecem muito pouco da tradição e cultura ribeirinha. Espera-se comprovar que é possível trabalhar com êxito a historia do município desde a mais tenra idade dos educandos resgatando a memória das nossas tradições culturais, disseminando os valores culturais do município, em seus aspectos sociais, ambientais e econômicos, despertando o prazer de conhecer e atuar no educando, através dos seguintes objetivos:

Resgatar a historia do município de Registro
Valorização da cultura regional, desmistificando preconceitos.
Resgatar palavras e expressões regionais.
Divulgar pontos turísticos, crenças, e tradições do município de Registro.
Preservar o patrimônio artístico e cultural da região.
Em suma conhecer a história, as tradições e os aspectos culturais do local onde se vive é o primeiro passo para se estabelecer um sentimento de respeito e preservação do patrimônio do município.

O Eixo Natureza E Sociedade (Referencial Curricular Da Educação Infantil) visa estabelecer relações coerentes entre a realidade vivida pelas crianças, levando em conta seu meio social, o saberes culturalmente arraigados e a percepção própria da idade das mesmas.

O trabalho tem por objetivo propiciar experiências que possibilitem às crianças diferenciar progressivamente as explicações oriundas do senso comum e dos conhecimentos científicos.

Num primeiro momento realizou-se uma ampla pesquisa documental e bibliografia, dando especial destaque aos autores oriundos da região, moradores antigos do município de Registro e outros estudiosos e historiadores, também foram pesquisados documentos de órgãos oficiais que relatam aspectos importantes. Desde os primórdios do ciclo do ouro, a importância do Rio Ribeira, a agricultura, a contribuição de primaz importância da colônia Japonesa para o progresso do povoado, além de fatos relevantes como a inauguração da BR 116, a passagem do guerrilheiro Lamarca pelo Vale do Ribeira e a implantação da UNESP em Registro, a cultura ribeirinha, os mutirões, comidas típicas, a vida em sociedade rural e suas especificidades foram alvos das pesquisas realizadas e posteriormente apresentadas às crianças de forma lúdica e prazerosa. Evidenciando uma forma a história social e cultural de um povo, as miscigenações étnicas e a importância dos movimentos migratórios possibilitaram aos alunos compreender as diversas experiências vividas por esses habitantes.

Após a fase de organização e pesquisa do material bibliográfico e a posterior adaptação do mesmo à faixa etária das crianças, apresentaremos mapas e plantas da cidade, exposição de fotos antigas e atuais da cidade estabelecendo diferenças. Audição de contos tradicionais ou historia de personagens folclóricos. Pesquisa com os pais sobre a cidade. Realização de desenhos e maquete de lugares significativos da cidade. Visitação de pontos turísticos da cidade.
 

Trabalho de Pesquisa TCC desenvolvido pelas alunas do Curso de Pedagogia Cidadã pela UNESP e professoras da Rede Municipal de Ensino de Registro .

 ELISANGELA  ,         LUIZA         E           LUCELMA


Professora Elisângela Maria Xavier atua na EMEI Chapeuzinho Vermelho Vila São Francisco

Professora Lucelma Aparecida Camillo Rigante atua na EMEI Balãozinho Vermelho Cecap

Professora Luiza Aparecida de Souza atua na EMEI Cantinho da Alegria Jardim Ipanema

Postado por Camilo Aparecido | Postado em História do Município de Registro | Postado dia 14-09-2008

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O objetivo principal dessa pesquisa foi divulgar a história do município de Registro através dos mais variados aspectos: econômico, social, político e principalmente os ricos valares das culturas ribeirinha e nipônica que estão presentes em nosso cotidiano. É primordial que as crianças desde cedo conheçam esses aspectos, valorizando-os e inclusive atuando como disseminadores desses conhecimentos, pois ao apropriar-se culturalmente dos valores e tradições de seu grupo social é possível estabelecer entre os educandos um sentimento de respeito e preservação do patrimônio do município.

É fato que as crianças nessa faixa etária estabelecem seu raciocínio a fatos e elementos concretos e sua noção de tempo e espaço está sendo construída de acordo com a fase de desenvolvimento de sua cognição. Propor atividades relacionadas ao tema, desafiadoras e lúdicas, respeitando ao mesmo tempo o interesse e a capacidade dos alunos, foi um grande desafio para que a aprendizagem ocorresse de forma significativa. A trajetória da Educação Municipal de Registro poderá ser vista em três momentos diferentes, já que nós as autoras do trabalho fazemos parte de três gerações distintas: a luta do inicio, as mudanças educacionais e a municipalização.

Conhecer sua comunidade, sua cidade as tradições orais, as características históricas e geográficas de nossa região estabelece ligações entre o educando e sua consciência como cidadão ético e moral, é a passagem da heteronomia para a autonomia objetivo principal da educação infantil.

No 1º capítulo são apresentadas as origens de dois municípios importantes Cananéia e Iguape e suas ligações com Registro além da origem do nome do povoado.

No 2º capítulo são apresentadas as tradições culturais da região: danças e músicas típicas, a comida regional além da religiosidade do povo ribeirinho.

No 3º capítulo destaca-se a importância do Rio Ribeira para o povoamento e desenvolvimento da região.

No 4º capítulo faz-se um relato histórico da colonização japonesa no município e suas contribuições para o desenvolvimento do mesmo.

No 5º capítulo destaca-se a emancipação política de Registro bem como um breve relato da trajetória dos prefeitos e seus mandatos.

No 6º capítulo relata-se o desenvolvimento da economia do município a partir da década de 60 e as influências causadas pelas construção da BR 116 e a passagem do guerrilheiro Lamarca pela região.

No 7º capítulo delineia-se um panorama do universo cultural, quantizando a miscigenação entre a influência nipônica e ribeirinha. Destacam-se também a evolução da educação municipal e a implantação da UNESP em Registro.

No 8ª capítulo são apresentados os aspectos econômicos e políticos na atualidade e o destaque do município de Registro como sede da Região do Vale do Ribeira.

Na 2ª parte:

Destaque da fundamentação teórica e os principais autores que permearam a pesquisa.
Relato do desenvolvimento do trabalho junto as crianças da Educação Infantil durante o ano letivo de 2007.
Reflexão dos resultados obtidos após o final dos trabalhos.
Considerações finais.

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CAPITULO I


1- O Início da História:  Iguape e Cananéia

Os vilarejos de Iguape e Cananéia foram fundados ainda na primeira metade do século XVI. Os dois possuíam uma posição geográfica importante: Cananéia junto ao mar e a foz do Rio Ribeira, controlando assim a navegação para o interior. Nesse período o Rio Ribeira era perfeitamente navegável até Eldorado, onde ele se tornava encachoeirado o que dificultava a passagem de embarcações de maior porte.

De acordo com Mirabelli e Vieira (1992)

Os núcleos de povoamento surgiram com a procura por metais preciosos. Com as jazidas descobertas em Paranapiacaba, a navegação aumentou no Ribeira e seus afluentes. Os povoados de Registro, Eldorado Paulista (Xiririca), Juquiá, Jacupiranga e Sete Barras estão relacionados com a procura do ouro, através das vias fluviais.

Nesse período as únicas vias de transporte que ligavam os povoados eram os caminhos utilizados por cavalos e muares, e os rios que ofereciam uma via com melhores condições para o transporte; vale salientar que o Rio Ribeira era a grande via de passagem. Por esse motivo os povoados e hoje Municípios se desenvolveram as margens dos rios Turvo, Iporanga, Jacupiranga, Juquiá e o Rio Ribeira.

Iguape e Cananéia ficavam praticamente na divisa do tratado de Tordesilhas; por esse motivo foram palco de conflitos entre Portugueses e Espanhóis disputando produtos da região e o direito de governança. Ao mesmo tempo Cananéia produzia gêneros de subsistência como a farinha de mandioca e pescado.

Enquanto no século XVII Cananéia se distinguia por sua produção de farinha e pesca, Iguape atraía cada vez mais gente em busca de ouro.

Está foi a primeira Casa da Moeda do Brasil, hoje Museu Municipal de Iguape. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992, pg. 67)

Com a decadência da exploração do ouro no século XVIII, devido aos aventureiros que migravam para Minas Gerais em busca de novas jazidas o mesmo continuou sendo explorado em menor escala e juntamente com a agricultura continuou contribuindo com o povoamento da região.

De modo geral o povoamento da Baixada do Ribeira, especialmente o das áreas mais distantes e mais afastadas dos atuais centros urbanos é resultante da penetração de colonos europeus através das vias fluviais. Depararam-se provavelmente, com população indígena, os Tupiniquins, de quem teriam assimilado as técnicas predatórias de cultivo do solo, perpetuados pela população da região (PINHO, 1964. In QUEIROZ, 1983).

No século XIX Iguape se torna um grande produtor de arroz de excelente qualidade, dispondo de muitos engenhos para beneficiamento do mesmo.

O seu porto exportava mercadorias para Santos e Rio de Janeiro através de navios do Lorde Brasileiro e navios de outras companhias. A decadência do Município ocorre após a abertura do canal do Valo Grande, desviando as águas do Ribeira de seu curso natural, causando um verdadeiro desastre ecológico e inviabilizando o Porto.

Ainda nos dias atuais é possível verificar nas cidades de Iguape e Cananéia a beleza de seus casarios e monumentos históricos retratando uma época de riqueza e prosperidade que infelizmente ficou no passado.

1.1- Origem do nome Registro

A história de Registro é recente em relação aos outros municípios do Vale do Ribeira, como Cananéia e Iguape que remontam aos séculos XVI e XVII.

O nome “Registro” tem suas origens no chamado “Porto do Registro” local onde se fazia o registro e a coleta de impostos do ouro extraído em Xiririca (atual Eldorado Paulista) ou Iporanga antes que ele chegasse a Iguape através do Rio Ribeira.

Os agentes fiscais da Coroa Portuguesa não dormiam. No alto de um morro, com ampla visão do Rio, foi instalada a Casa do Fisco, passando essa colina a ser conhecido como Morro do Espia” (Laragnoit, 1984, p.305).

O nome da cidade tem origem na exploração do ouro, no Vale do Ribeira no tempo do Brasil – Colônia.

No final do século XVII e começo do século XVIII, quando nos sertões de Iguape e Eldorado Paulista (Na época Yguape e Xiririca), centenas de aventureiros se dedicavam a mineração do ouro nos rios e córregos da região, as autoridades decidiram instalar à margem direita do Rio Ribeira de Iguape um local apropriado, um posto de registro do precioso metal e a famosa casa do Fisco “(Pedroso, 1997, p.14)

Muitos estudiosos creditam à casa do fisco a responsabilidade de Registro ter se mantido como um simples e pequeno povoado não se desenvolvendo da mesma maneira que localidades vizinhas.

A antiga casa do fisco estava localizada onde hoje está o final da Rua D. Pedro II onde pode-se chegar à Rua Miguel Aby Azar (Em frente ao Anfiteatro do complexo KKKK) por meio de uma grande escadaria.

Em comparação com as demais cidades do Vale do Ribeira, a história de Registro é bem recente. Durante séculos não passava de um inexpressivo povoado. Somente depois de passados muitos anos è que foi criado o distrito de Paz do Município de Iguape, pelo decreto – lei n.º 6665, de 17 de setembro de 1934. A demora dessa providência, segundo alguns historiadores – que já poderia ter sido tomada em época longínqua – teve como causa o temor que a ‘’casa do Fisco infundia nos canoeiros do rio Ribeira de Iguape.

Realmente, esse local não era muito simpático, principalmente aos faiscadores da região: o porto de Registro foi, mais tarde, estação obrigatória dos vapores que serviam a região. (LARAGNOIT, 1984).

Em suma, mesmo instalado num ponto estratégico às margens do Ribeira o povoado custou a se desenvolver. Conforme Oliveira (2002) a história do município começou a ser conhecida desde a instalação do porto de Registro de Ouro, onde era recolhido o dízimo cobrado por Portugal na margem direita do Rio Ribeira de Iguape.

1.2- Costumes Ribeirinhos e Caiçaras

Antes da imigração japonesa, Registro era um pequeno povoado às margens do rio Ribeira e conservava muitos costumes ribeirinhos, frutos da influência de indígenas, europeus e africanos, especialmente nas áreas rurais.

Costumes como o mutirão (ou puxirão), os fandangos e catiras, as comidas tradicionais feitas à base da mandioca como a coruja, os bolos de roda, o cuscuz e beijus faziam parte da rotina dos moradores das margens do rio Ribeira.

Vale salientar que o termo ribeirinho e caiçara são usados para classificar os moradores das regiões ribeirinhas e litorâneas, conforme atesta Queiroz (1983): Os habitantes da Baixada do Ribeira são classificados em: a) Caiçaras: são os caboclos do litoral; b) Ribeirinhos: os caboclos que vivem às margens dos rios; c) Capuavas: caboclos habitantes das serras.

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1.3- O Mutirão, as Danças e as Músicas.

Era costume no final do século XIX e início do século XX a realização dos mutirões ou puxirões especialmente no meio rural. O mutirão consistia num trabalho solidário entre vizinhos e parentes seja para a preparação da terra, colheita ou mesmo para a construção de moradias. O trabalho não era remunerado, apenas havia o compromisso do ‘dono da roça’ em participar dos próximos mutirões. Após a tarefa realizada, eram servidas lautas refeições como almoços regados a carne de porco ou caça, cafés da tarde com beijus, coruja e cuscuz e principalmente os bailes realizados nas salas das casas. Haviam sanfoneiros e violeiros especializados em animar as festas e os ritmos eram: o fandango, xaxado, os forrós e as músicas caipiras, hoje conhecidas como música raiz. Segundo Queiroz (1983): O mutirão consiste essencialmente na reunião de vizinhos, convocados por um deles, a fim de ajudá-lo a efetuar determinado trabalho: derrubada, caçada, plantio, limpa, colheita, malhação, construção de casa, fiação, etc. Geralmente os vizinhos são convocados e o beneficiário lhes oferece alimento e uma festa que encerra o trabalho.

O mutirão era não somente uma maneira de realizar as atividades laborais, mas também fortalecia os laços de amizades e solidariedade, proporcionando momentos de lazer e solidariedade, além de manter as tradições culturais.

1.4- Comidas Típicas

Ainda nos dias atuais é possível encontrar nas feiras do produtor da cidade alguns exemplares de produtos típicos ribeirinhos. Apesar de fazerem parte das tradições culturais são poucas as pessoas que ainda sabem preparar esses pratos, muitos deles com forte influência indígena, principalmente por usar a mandioca como ingrediente principal.

Um bom exemplo disso é a coruja, uma espécie de bolo de mandioca feito originalmente com massa de mandioca, banha de porco e ovos caipiras, assado em fornos rústicos, envolvidos em folhas de bananeira até ficarem dourados.

O nome coruja vem do formato do bolo cilíndrico, lembrando a figura do animal. Outros pratos típicos são os bolos de roda, feitos de polvilho, ou cuscuz, feito de arroz cru moído e assado em banho Maria, podendo ser doce ou salgado, contendo amendoim ou coco ralado na massa.

Entre os pratos salgados, existe a moqueca, diferentemente da baiana ou capixaba, ela consiste em peixe (especialmente a manjuba) assado juntamente com farofa de farinha de mandioca e temperos envolvidos em folha de bananeira em formato quadrado ou retangular.

A respeito dos costumes ribeirinhos Pedroso (1997) destaca: Naquela época (1920), todos se entrosavam. Os fandangos tinham lugar nas casas dos próprios roceiros. O dono da casa oferecia paçoca de carne seca, biju de arroz, coruja (iguaria feita à base de mandioca fermentada), cuscuz e outras comidas mais. Como bebida cachaça e muito café. Os nomes das danças eram interessantes: bate pé (ou catira), varseado (o samba de hoje), tiraninha, recortado, manjericão, coqueiro, rica senhora e tirana velha.

Infelizmente as novas gerações desconhecem as riquezas da cultura típica ribeirinha.

1.5- Festejos Religiosos

A região do Vale do Ribeira de maneira geral possui grande tradição em festejos, onde por vezes o profano se une ao sagrado, particularmente católicos, herdados dos imigrantes europeus.

Entre as principais manifestações religiosas estão as Novenas, as Vias Sacras, Folia de Reis, Festa de São Gonçalo e as Romarias especialmente as que se dirigem à Iguape, em honra ao Bom Jesus.

A festa de São Gonçalo segundo Queiroz (1983) Constava de danças a princípio realizada dentro das igrejas, e é feita em agradecimento a alguma graça conquistada. Consistia em uma dança feita por casais evoluindo em frente à imagem do santo, sem jamais dar as costas ao altar ao som de viola, violão, romeiros e cantadeiras. Além disso, após a dança era servido uma refeição que podia consistir em um jantar ou um lauto café com bijus de tapioca, bolos de padre, canjica, arroz doce, etc.

Era comum durante a festa a entoação de alguns versos em homenagem ao santo, como estes:

São Gonçalo de Amarante

Casamenteiro das velhas

Por que não casais as moças

Que mal vos fizeram elas?

Ainda sobre a festa de São Gonçalo, Laragnoit (1984) narra o seguinte verso de despedida:

São Gonçalo as despede

Neste instante e nesta hora,

Se despede dos devotos

E nos vai esperar na gloria

Os pares vão dando um passo para frente e meio para traz até aproximarem-se da imagem a qual fazem uma grande reverência e assim seguem os outros pares, e por fim um deles apaga a vela com um sopro, está terminada a dança. Em seguida corre ‘uma mão da branquinha’ (cachaça).

Já a Folia de Reis, outra manifestação religiosa comum nos povoados da região caracterizava-se por um grupo de cantores e tocadores de instrumentos que se dirigiam às casas cantando versos e improvisações. Os moradores correspondiam oferecendo quitutes aos cantadores. A folia era realizada no dia de Reis em 06 de janeiro.

Quanto à Via Sacra ou Reza da Quaresma Pedroso (1997) relata o seguinte: Para esse evento todos compareciam sobriamente, sem folias ou danças, havia alguns dizeres definidos: ‘No campo de Josafá, Satanás, parte de minha alma não saberá por que no dia 25 de março cem vezes me ajoelhei, cem vezes o chão beijei, cem vezes me levantei, cem vezes a Pátria rezei, cem vezes Ave Maria rezei, cem vezes o Pai Nosso rezei’. Os religiosos faziam os gestos conforme sugere a reza e a ladainha eram feitas sempre em uníssimo.

Muitas dessas manifestações, já não são comuns e outras já estão quase esquecidas, faz-se necessário resgatar essa cultura especialmente entre ao mais jovens.
 

 

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CAPITULO II

2- A importância do Rio Ribeira

O Rio Ribeira de Iguape tem seu início no estado do Paraná e deságua em São Paulo no complexo Estuarino-Lagunar de Iguape/Cananéia, e a sua importância na história dos municípios situados às suas Margens, particularmente de Registro é incontestável.

O Rio Ribeira era até meados do século XX perfeitamente navegável; a navegação ia de Iguape até Eldorado, e Registro que inicialmente era um posto de registro do ouro, mais tarde tornou-se um porto importante para o escoamento da produção de arroz e mais recentemente passagem obrigatória para os vapores que cruzavam o rio.

Segundo (URINWK, in SILVIA e OLIVEIRA, coord, 1992) O papel do Rio Ribeira de Iguape e de alguns de seus principais afluentes foi decisivo para o desenvolvimento regional pela navegabilidade de suas águas (único meio de acesso ao interior e mesmo de comunicações locais), assim como pelas suas várzeas que, apesar da freqüência das inundações, representam as áreas planas da maior parte de sua bacia, passíveis de ocupação tanto pelos aglomerados urbanos como pela agricultura e pecuária,

Sobre a importância do Rio Ribeira, Oliveira (2002) destaca que durante muito tempo o Rio Ribeira era a única alternativa de acesso a Registro, através dos vapores de roda, ligando os municípios de Juquiá, Iguape, Jacupiranga e Eldorado, com baldeações e pernoites em embarcações. A dificuldade de comunicação com outras regiões foi um dos entraves ao desenvolvimento.

A navegação fluvial fez surgir vários artesãos especializados na construção de canoas e outras pequenas embarcações. As canoas, embarcações com nítida influência indígena eram feitas a partir de um tronco de árvore e dependendo do

tamanho podia demandar semanas de trabalho para sua construção.

A respeito das canoas destaca Laragnoit (1984) As canoas eram uma característica do Vale do Ribeira. Em todos os municípios da região os comerciantes, sitiantes, fazendeiros e criadores possuíam suas indispensáveis embarcações, que prestavam valentes serviços. Os nossos rios viviam cheios delas, de todos os tamanhos. Movidas a remo, a varejão ou a motor, eram empregadas no transporte de mercadorias e também de pessoas, tendo desempenhado relevante papel no desenvolvimento desta vasta zona

Algumas canoas eram de tamanho considerável, chegando a comportar cerca de 120 sacos de 60 quilos de arroz. As principais madeiras para a construção eram o Araribá, a Canela, o Cauvi, o Guaracuí e o Angelim.

Anos mais tarde o porto de Registro foi parada obrigatória dos famosos vapores que cortavam a região através do perfeitamente navegável Ribeira de Iguape transportando não só mercadorias como parte da produção agrícola dos municípios e povoados.

A travessia de balsa era famosa entre os habitantes. Muito antes da inauguração da BR116 e da ponte sobre o rio, chegar a Juquiá e conseqüentemente ‘subir a serra’ para São Paulo era uma verdadeira aventura. A viagem durava de 10 a 14 horas e havia a necessidade de atravessar o rio através de balsa. Nesse período final do século XIX e início do século XX todo o movimento de Registro estava às margens do Rio impulsionando o pequeno comércio da região.

2.1- Os Vapores e lanchas

A navegação de vapores e lanchas no Rio Ribeira durou mais de cem anos.

A primeira embarcação a cruzar as águas do Ribeira foi a chamada ‘Voadora’ ainda na primeira metade do século XIX. Já a primeira embarcação a inaugurar a linha Iguape-Xiririca foi a ‘Estrela’ em março de 1857.

Sobre os vapores Pedroso (1997) narra que o barco a vapor flutuava lentamente a cerca de 6 quilômetros por hora. E quando percorria os povoados chamava a atenção das crianças. Silencioso e lento encantava os pequenos que corriam para a beira do rio, acompanhando o cargueiro.

A mais importante linha fluvial regular da região foi a Companhia Fluvial Sul Paulista, transportando cereais, passageiros da própria região e os famosos caixeiros viajantes. Os vapores mais conhecidos eram o Vicente de Carvalho, Bento Martins, Juquiazinho e o Iguape.

Laragnoit (1984) afirma: Transformada em 1917 em sociedade anônima, já possuía a companhia cuja sede estava localizada em São Paulo e a gerência em Iguape – uma frota de oito vapores e outras embarcações menores. Aos vapores conforme o volume de cargas eram atracados chatões, atendendo assim, ao escoamento da produção de milho, feijão, arroz, farinha de milho e mandioca, fruta e outros produtos.

Os vapores e lanchas eram um sistema barato de transporte que foram sendo paulatinamente substituídos pelo transporte rodoviário. Nos dias atuais o leito do Rio Ribeira já está assoreado não comportando embarcações de maior porte; devido a isso os vapores permanecem na lembrança dos habitantes mais idosos do Vale do Ribeira.

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2.2- A Imigração japonesa

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao vale do Ribeira em 1913, com a finalidade de trabalhar na agricultura na chamada colônia Katsura, hoje chamado bairro Jipuvira, em Iguape.

Foi com a implantação da Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (companhia ultramarina de Implementos S.A.) que os primeiros colonos japoneses estabeleceram-se em Registro em uma área de terras devolutas a chamada ‘colônia do Registro’, cultivando arroz e mais tarde banana e chá.

Laragnoit (1983) sobre a instalação dos colonos em Registro relata o seguinte.

A Kaigai construiu nas proximidades do porto um hotel e um clube, destinado aos recém chegados, e mais tarde foi edificada uma escola. A seguir os proprietários rurais começaram a construir suas casas na futura área urbana. Muitos deles, mais tarde, mudaram de profissão. Surgiram então casas comerciais, hotéis, pequenas indústrias e decorridos alguns anos, as usinas de chá.

E assim o pequeno povoado de Registro prosperou com a chegada e o estabelecimento dos imigrantes japoneses. Contudo as condições de vida e trabalho desses homens e mulheres eram extremamente difíceis. Fotos antigas e relato de moradores idosos relatam as dificuldades enfrentadas pelos colonos sem conhecerem a língua, os costumes do povo ribeirinho.

No início preconceitos e desavenças entre representantes de povos tão diferentes foram inevitáveis.

A companhia KKKK garantiu algumas condições de assentamento para os imigrantes, contudo também era uma empresa monopolista, intermediária que era no processo de comercialização da produção agrícola, levando muitos imigrantes japoneses a se tornarem devedores em seus entrepostos.

No entanto surgem alguns proprietários japoneses que conseguem prosperar sobrevivendo à crise econômica conforme relatam Mirabelli e Vieira (1992).

Ao lado do caipira da região e do latifundiário surge a figura do pequeno proprietário japonês, que gradativamente adquire as propriedades dos caipiras endividados, passando a empregá-los como assalariados, diaristas ou meeiros. Esses imigrantes tornam-se assim, produtores de médio porte e alguns conseguem sobreviver à situação de crise econômica que se instala na região.

O período em que ocorreu a 2º guerra mundial foi de muitas dificuldades para os japoneses, escolas japonesas foram fechadas, alguns professores presos e muitos nipônicos foram perseguidos. Os ribeirinhos não entendiam os seus costumes como reverenciar os mortos, as cerimônias religiosas e os hábitos alimentares.

Porém a partir de 1940 é iniciado o 2º período de investimentos da KKKK na região, segundo Mirabelli e Vieira (1992):

Superando os fracassos do período anterior, ela começa uma nova fase de colonização, desta vez auxiliada pela pequena recuperação econômica representada pela banana e pela expansão da produção do chá.

O cultivo do chá foi importantíssimo para o desenvolvimento de Registro. O chá preto, do tipo Assan foi contrabandeado do Ceilão pelo Senhor Torazo Okamoto, suas sementes foram trazidas dentro de um filão de pão. Já em 1935 Registro produzia cerca de 30 toneladas do produto abastecendo pequenas fábricas que se instalaram na região.

Por muitos anos Registro recebeu o nome de “Capital do chá”, título esse complementado pelo “Capital do Vale do Ribeira” por ter se tornado um Pólo Regional, em grande parte devido à colaboração e o trabalho da comunidade nipônica.

2.3- A Igreja matriz / CENTRO VELHO

O assentamento da pedra fundamental para a construção da futura igreja matriz (hoje catedral) no dia 19 de julho de 1925, na festa de Santo Elias.

A Colônia japonesa contribuiu grandemente pela construção da igreja e a sua inauguração aconteceu em 11 de maio de 1933. Em virtude da influência japonesa o padroeiro de Registro é São Francisco Xavier, jesuíta espanhol que a partir de 1542 evangelizou grande parte da Ásia (Índia, Malásia e Japão), convertendo boa parte da população da Ásia e foi a canonização em 1622.

Apesar dos imigrantes serem de outras religiões que não a cristã, a construção da igreja matriz evidencia o envolvimento e a adaptação dos mesmos à sociedade e cultura local. Ao mesmo tempo em que a cultura nipônica está arraigada em nossa população eles também foram influenciados pelos ribeirinhos.

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2.4- O KKKK

Em 1912 o governo do Estado de São Paulo, representado pelo então governador Albuquerque Lins, e o sindicato de Tóquio firmaram um convênio para ampliar a colonização japonesa e autorizar o funcionamento de uma companhia de beneficiamento e estocagem de arroz na Vila de Registro. O Estado doava com essa parceria 50 mil hectares de terra para serem distribuídos entre 2 mil famílias japonesas para o cultivo agrícola.

Em 1913 a empresa de imigração japonesa “Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha” instalou a colônia Katsura em Jiporuva, Iguape. O nome Katsura foi dado em homenagem ao primeiro Ministro do Japão Sr. Iaro Katsura. Em 1917 foi instalada a colônia de Registro. Convêm salientar que apesar de Registro ter recebido o título de “Berço da Imigração Japonesa” os primeiros colonos se estabeleceram em Iguape. Posteriormente foram instalados núcleos colonizadores no Bairro Quilombo em Sete Barras e em Juquiá.

Em 1913 nascia em Tóquio (Japão) a Companhia Ultramarina de desenvolvimento, Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (que significam respectivamente: Outra Nação, Sociedade Anônima e Companhia) com o objetivo de apoiar e instrumentalizar os colonizadores japoneses que partiam para o Brasil, mas especificamente para Registro.

Em 1919 a empresa KKKK incorporou a empresa de imigração japonesa Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha, passando a administrar as colônias de Iguape, Sete Barras, Bairro Rio Quilombo e Juquiá, orientando e supervisionando todo o trabalho desenvolvido nas mesmas como: os cafezais, a pecuária, a criação de bicho da seda, campos de experiência, mantendo ainda escritório administrativo, posto médico, farmácia, departamentos de vendas, equipe de agrimensores, além de construir o maior engenho de beneficiamento de arroz da América do Sul na época.

A construção do conjunto arquitetônico KKKK teve início em 1919, e era composto por 4 armazéns com mais de dois mil metros quadrados e um edifício com instalações de engenho de beneficiamento de arroz. Apesar de ser um marco da imigração japonesa o edifício tem pouco a ver com a arquitetura nipônica, que inclusive inspirou muita das construções ao redor do complexo no mesmo período.

O projeto original teria vindo do Japão, contudo evidencia a típica arquitetura inglesa do início do século XX que se utilizava dos tijolos e telhas de barro, material abundante devido á produção oleira no Vale do Ribeira. A estrutura de ferro que sustenta o prédio foi importada da Inglaterra assim como a máquina de beneficiamento de arroz com a capacidade de produção de 14,400kg (240 sacos) de arroz por dia.

Durante a 2º Guerra Mundial, em 1939 o KKKK teve suas atividades suspensas no Brasil.

Sobre esse período Pedroso relata:

“Um pouco mais tarde foi implantado em Registro a Kaigai Kogyo kabushiki Kaisha (KKKK), constituindo-se então a Companhia Ultramarina de Empreendimentos Sociedade Anônima, com objetivo de incrementar a colonização japonesa de Registro, Sete Barras e Juquiá (…). Foi cedida à Companhia uma boa área de terras devolutas, onde os recém chegados imigrantes poderiam trabalhar. O núcleo ficou conhecido como “Colônia de Registro” expandindo-se então as colônias instaladas na região.

Os japoneses tentaram desenvolver diversas culturas, inclusive a do arroz, mas o que prevaleceu mesmo foi a do chá, depois a da banana.

Ainda sobre o término das atividades da KKKK em Registro, Oliveira destaca:

“A empresa KKKK entrou em processo de liquidação devido à entrada do Brasil na 2º guerra Mundial, e o imóvel teve que ser penhorado em garantia de dívida trabalhista para com o Sr.Eiro Hirota. Durante esse processo, o prédio foi vendido irregularmente a três compradores e acabou pertencendo judicialmente à professora Nicéia Hirota mãe do vereador Nilton José Hirota da Silva, na qualidade de herdeira sucessora de Eiro Hirota, falecido em 1987.

Após a 2º Guerra Mundial no período de 1954 até 1989, o Sr. Shigueru Fukuda trabalhou com beneficiamento de arroz já com uma nova máquina de fabricação nacional denominada “Máquina Zacharia”.

O prédio do KKKK, pela sua importância histórica e arquitetônica foi tombado em 1987 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de são Paulo (Condephaat).

Em 1990 a prefeitura de Registro desapropriou o conjunto arquitetônico sendo declarado pelo decreto nº174 de 1990, do então prefeito o Sr. Valdir Moraes como de utilidade pública. Em 1996 o prédio foi repassado à Secretaria da Educação para um projeto em conjunto. No entanto todo o patrimônio histórico sofreu muito a ação do tempo. Somente em 1999 iniciou-se a sua restauração através de empresa especializada, mantendo ao máximo as características originais, desde os tijolos aparentes, as janelas e portas em formato de arco e a estrutura inglesa.

Foram construídos um anfiteatro e um “piscinão” evitando que as cheias do Rio Ribeira invadam a construção.

Desde então o KKKK se tornou um centro irradiador de cultura para toda a região do Vale do Ribeira abrigando o museu da Imigração Japonesa e o museu da Mata Atlântica (este último organizado pela UNESP) além de ser palco de inúmeros eventos como exposições, palestras, cursos, mesas redondas e seminários, além de apresentações culturais em geral.

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2.5 – A Agricultura

(Registro – A capital do chá)

O arroz foi durante muitos anos a base da agricultura na região do Vale do Ribeira e em Registro, devido principalmente à geografia da região, rica em mangues, várzeas, charques e brejos.

Com a decadência da cultura do arroz em toda a região muitos pequenos agricultores voltaram a praticar uma agricultura de subsistência, com cereais e verduras, além da criação de porcos e galinhas para a sustentabilidade da família e um pequeno comércio, principalmente à base de troca, no início do século XX.

Os imigrantes japoneses além do cultivo de arroz, plantaram café, banana, verduras e legumes em geral e o chá preto.

Nesse período surge o médio produtor rural, em geral poucas famílias japonesas que conseguem fixar-se na região com sucesso, ao mesmo tempo em que grande parte da população acompanha o processo de ruralização depauperando-se cada vez mais. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992)

A banana já era cultivada na região graças ao solo e clima próprio, contudo esse cultivo gerava baixa produtividade e dificuldades de comercialização por ser feita na grande maioria das vezes em pequena escala e de forma rudimentar no tocante à tecnologia agrícola.

Porém devido ao aumento do mercado consumidor pelo processo de urbanização e crescimento da classe operária em São Paulo (consumidora de produtos de baixo preço, entre eles a banana) a produção agrícola da região passa a ser absorvida por esse mercado consumidor.

Já o chá, introduzido na região através de sementes contrabandeadas por Torazo Okamoto, era um produto consumido pelos imigrantes da região e posteriormente pelas elites do Rio de Janeiro e São Paulo.

No período de 1935 a 1945 60% do chá produzido no Brasil era oriundo de Registro, sendo o restante de Minas Gerais.

Nesse período surge a agroindústria do chá, composta por oito pequenas fábricas e cerca de 300 produtoras, através de um sistema manufatureiro, predominando o trabalho domiciliar. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

As condições, além de um mercado consumidor receptivo aos produtos regionais, que viabilizaram o incremento do comércio foram a urbanização e concentração demográfica, a melhoria dos transportes fluviais e a construção da ferrovia Santos – Juquiá e os esforços pela abertura de estradas.

Esse crescimento assim como em todo o país gerou, contudo uma crescente concentração de renda nas mãos de poucos produtores.

Sobre esse período é importante destacar que “De 1939 a 1945, a expansão da plantação do chá se deve principalmente às possibilidades de utilização de máquinas importadas do Japão e o que ocorre através da KKKK e apenas os grandes produtores tem condições para sua aquisição” (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

A década de 50 representa para Registro e toda a região a passagem para o processo de capitalismo industrial com a diminuição das pequenas lavouras temporárias e de subsistência, o aumento das culturas permanentes e monoculturas, e o crescimento da produção predominantemente mercantil.

Surgem então as empresas beneficiadoras de chá controladas pelo capital nipônico, representando uma mudança tanto no panorama agrícola quanto social. São necessários investimentos em instrumentos agrícolas, mudas de qualidade e mão de obra. Os trabalhadores assalariados substituem os antigos posseiros, mutirões e festas comunitárias.

O trabalho é duro, a carga horária é extensa e os salários baixos, personificando assim um capitalismo selvagem e desenfreado.

Com a instalação das monoculturas vieram conseqüências sérias: o esgotamento dos solos, desmatamento desenfreado e contaminação de terras, animais, mananciais e seres humanos devido ao uso constante de agrotóxicos.

Mais tarde com a inauguração da BR116 a região se integrou ao desenvolvimento nacional. Registro ficou conhecido como a “Capital do Chá”, título que permaneceu até a década de 90 com a grave crise que assola a teicultura no município.

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CAPITULO III

3 - A História política: A Emancipação de Registro

A colônia japonesa foi de fundamental importância para o progresso e a posterior emancipação política de Registro.

Já em 1919 o povoado recebeu a visita do Sr. Kouma Kouregoutche, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Japão.

Na década de 20 a posse de autoridades policiais trouxe ordem à localidade. A venda desordenada de bebida alcoólica especialmente entre os trabalhadores do porto trazia desordem e violência ao pacato lugarejo.

Em 1928 o Dr.Guiosuke Shiratore cedeu um prédio para a instalação das subdelegacia e cadeia. Com a nomeação do tenente Venceslau Gonçalves da Silva para o cargo de subdelegado vislumbra-se assim uma maior organização.

Em 1929 os colonos japoneses já possuíam uma associação recreativa em pleno funcionamento. Haviam escolas japonesas especialmente criadas para os filhos dos imigrantes. Os hábitos nipônicos estranhos aos ribeirinhos. Sobre isso Laragnoit relata:

“Reclamavam os brasileiros que os filhos dos colonos não podiam casar com os nacionais; não entendiam o culto que os nipônicos prestavam aos antepassados já falecidos, especialmente os alimentos colocados nas sepulturas. Estanhavam ainda a caminha da de famílias em fila indiana, mães carregando crianças amarradas às costas, costumes esses com os quais os registrenses não estavam acostumados”. (LARAGNOIT, 1984)

Registro se tornou Distrito de Paz do Município de Iguape pelo Decreto lei nº 6665 de 17 de setembro de 1934, sendo nomeados: Juiz de paz: Luiz Abin Pires, Escrivão: Sizenando de Carvalho, Sub-prefeito: Koki Kitajima.

Em 30 de novembro de 1944, pelo Decreto-lei nº 14334 Registro foi finalmente elevado a Município da Comarca de Iguape. A instalação do Município aconteceu em 1º de janeiro de 1945, tomando posse o primeiro prefeito municipal nomeado pelo governo do Estado.

“Pelo decreto-lei nº14334 de 30 de novembro de 1944, Registro foi elevado a Município da Comarca de Iguape, tendo ocorrido a instalação do Município em 01/01/1945”.

Nessa solenidade foi empossado o primeiro prefeito municipal nomeado pelo governo do Estado, Sr Mario de Pacheco, funcionário do Departamento das Municipalidades, seguido pelos Srs. João Augusto Aby-Azar, Josino Silveira, Benjamim Giani e Jose Dias de Araújo.

“Somente em 1948, Sizenando de Carvalho se torna o primeiro prefeito eleito do Município” (Pedroso, 1997).

Neste mesmo ano Registro incorporou o bairro Capinzal (antigo distrito de paz de Registro), e, em 1958 acontece o desmembramento de Sete Barras. A partir dessa época Registro marcou sua extensão territorial em 742 km.

A comarca de Registro foi criada pela lei 2456, de 30 de dezembro de 1953 e instalada a 1º de janeiro de 1954.

Em 1980 foi assinado um convenio entre as cidades de Registro e a de Nakatsugawa do Japão, situada na Província de Gifu, declarando-as cidades irmãs.
 

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Entre os prefeitos eleitos em Registro estão:

Sizenando de Carvalho. (mandato de 1948 a 1952)

Durante esse período foram criados o Ginásio Estadual e a Escola Normal, anexação do bairro Capinzal ao Município de Registro, construção de várias estradas vicinais e início do serviço de abastecimento de água em Registro.

Jonas Banks Leite (mandatos: 1952 a1956, 1960 a 1964 e 1969 a 1973).

Durante seus três mandatos muitas obras foram concretizadas: Instalação da Comarca, em 1953, a construção da casa da agricultura, da escola estadual Dr. Fábio Barreto e a construção da Praça dos Expedicionários.

Wild Jose de Souza (mandato: 1956 a 1960).

Wild foi eleito em 1956, no entanto não chegou a terminar o mandato devido á sua morte súbita por enfarto em 1959.

Jose de Carvalho (mandato: 1964 a 1969, 1977 a 1982).

Durante seus mandatos algumas obras importantes foram feitas: o Bosque Municipal, na vila Ribeirópolis, Estádio Alberto Bertelli, Pavilhão das Expovale, Centro Social Urbano, asfaltamento da zona central da cidade, entre outras.

Jose Mendes (mandatos 1973 a 1977, 1993 a 1997).

Durante os mandatos do Prefº Jose Mendes aconteceram o início das implantação das rede de esgoto em Registro, a instalação das EEPSG Fundação Bradesco, instalação do CEDAVAL, construção de escolas estaduais (EEPG Juscelino Kubistchek, EEPG João Pocci e EEPG Rui Prado), implantação do distrito industrial, construção de creches e pr´e- escolas, (uma delas a EMEI jardim Encantado e hoje a sede das UNEWSP, no centro), instalação e construção do prédio do CEFAM (que hoje abriga os cursos de Agronomia e o Projeto Pedagogia Cidadã).

Elza Orsini de Carvalho (mandato: 1983 a 1989)

Foi conhecida pelos registrenses como a “Mãe dos pobres”, por sua ligação com as causas sociais.

Realizações ocorridas durante seu mandato: Praça Jose de Carvalho (Beira Rio), arborização da cidade, desapropriação e tombamento pelo Condephaat do pr´edio do KKKK. Além de criar as primeiras classes de Educação Infantil com a colaboração das Profº Luzia Granado.

Waldir Ferreira de Moraes (1989 a 1992)

Dr. Waldir foi responsável pela modernização da prefeitura com a criação dos departamentos (de educação, de saúde, de Administração, jurídico, etc), a criação do Plano Municipal se Saneamento, a elaboração do Plano Diretor, a criação da procuradoria Municipal e da Assessoria de Comunicação Social e Especialmente o desenvolvimento da educação municipal com a implantação do Estatuto do Magistério e a criação do Plano de Carreira, valorizando os educadores municipais e também a criação das OMSS, o instituto de previdência dos funcionários municipais, entre outras obras.

Samuel Moreira das Silva Junior (1997 a 2000, 2001 a 2004)

Principais obras realizadas em seus mandatos: Construção de quatro EMEFS, cinco Creches e uma EMEI, recuperação do conjunto KKKK, reforma da Praça dos Expedicionários, construção do Centro de Saúde do bairro Vila Nova, revitalização do Bosque municipal, construção de três conjuntos habitacionais, pavimentação asfaltica na zona urbana do município, implantação do curso de Agronomia e pedagogia Cidadã das UNESP entre outras realizações

Clóvis Vieira Mendes (2005 a 2008)

Realizações ocorridas durante seu mandato (ainda não encerrado)

Reforma e construção de EMEFS, implantação de rede de esgoto no Jardim Ipanema.

Ampliação do número de feiras livres.

Entrega de casas no Conjunto Habitacional Registro D 1.

Pavimentação da estrada que liga a Vila Romão ao Agrochá.

Pavimentação do Jardim Valeri.

Titulação de terras para os moradores do Bairro Arapongal.

Inauguração de creche e pré escola no Bairro Caiçara I.

Construção de unidade escolar no centro da cidade.

Reforma das Emeis Balãozinho Vermelho ( Bairro CECAP) e Trenzinho Alegre (Bairro Vila Nova).

Retornou a realização do desfile de 7 de Setembro

Inauguração de uma unidade do SENAI

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CAPITULO IV

4. A ECONOMIA

A agricultura sempre foi a mola mestra da economia de todo o Vale do Ribeira no séc. XX O município de registro não fugiu a essa regra, passando por ciclos econômicos importantes: do arroz, do chá preto e da bananicultura; enfrentando como os demais municípios ribeirinhos grandes crises especialmente devido às enormes cheias do Rio Ribeira .

Na década de 50 surgem grandes propriedades rurais, transformando os caipiras em assalariados e mineiros, constantemente endividados, enfrentando duras condições de vida e trabalho árduo. A instalação das monoculturas do chá e banana trouxeram problemas como o esgotamento dos solos e a contaminação por agrotóxicos dos mananciais. O assoreamento dos rios, especialmente do Ribeira que agredido em seu leito responde com cheias cada vez maiores e desastrosas para a economia de toda a região.

O subdesenvolvimento da região de Registro nesse período e nos anos posteriores é refletido pela deficiência nos seguintes setores: transportes, transmissão de energia, saneamento, saúde, serviços públicos em geral e problemas fundiários.

Os principais produtos agrícolas são: banana, arroz, citros, chá e olericolas, além da pescaria em geral, no entanto as atividades agropecuárias são tecnologicamente pouco desenvolvidas rendendo pouco aos produtores, especialmente os pequenos, muitas vezes explorados pelos chamados atravessadores.

Segundo o boletim da bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape (DAEE, 98) as condições climáticas da região, com chuvas de grande intensidade e duração aliadas às características morfológicas da Bacia do Ribeira, ou seja, fortes declividades dos terrenos e do leito do rio, nos trechos superior e médio, além das características de extensas planícies dos trechos finais favorecem picos de enchentes e volume de água muito pronunciados.

Os principais problemas ocasionados pelas cheias são:

Perdas de vidas humanas
Prejuízos com a inundação de habitações e estabelecimentos comerciais
Perda da produção agrícola
Interrupção do trafego, isolando cidades e povoados
Além da bananicultura e teicultura, a olericultura, embora em pequena escala é representativa para a região devido à condições climáticas favoráveis especialmente no inverno, período da entressafra nas demais regiões do Estado. O maracujá tem especial importância no setor da fruticultura. Vale lembrar, no entanto que há baixa qualidade nos produtos, dificuldades de escoamento da produção e comercialização e posterior rentabilidade.

Todo esse cenário econômico foi alterado por acontecimentos importantes para toda a região: a inauguração da BR 116 e a presença do guerrilheiro Lamarca na região, no início da década de 70.

4.1. A BR- 116

A abertura de várias estradas vicinais representou em forte incremento à economia regional.

O caminhão chegou a locais que até há alguns anos somente eram atingidos através dos rios ou picadas, substituindo, assim a canoa e a tropa de muares(Mirabelli e Vieira, 1992).

A BR-116, apesar de não ter sido construída visando especificamente a região de Registro, pelo fato de atravessar o município foi um elemento que forneceu forte influência na ocupação e no desenvolvimento do mesmo contribuindo para o escoamento da produção e atraindo investimento.

Bastou correr a notícia de que o governo federal pretendia abrir a BR-116, para que o interesse pelas terras da região fosse rapidamente despertado. a especulação imobiliária intensificou-se quando surgiram nos jornais de São Paulo os anúncios de vendas de terras localizadas ao longo da nova rodovia (Mirabelli e Vieira, 1992).

Na década de 60 o processo de incorporação da região ao desenvolvimento econômico nacional é completado, modificando os quadros agrícolas tradicionais para um aspecto predominante mercantil.

Segundo Laragnoit a partir do ano de 1961, tudo começou a mudar no Vale do Ribeira, com a inauguração da rodovia federal BR-116 (Regis Bittencourt), ligando São Paulo a Curitiba e aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A população aumentou e algumas indústrias começaram a ser implantadas na região. A agricultura tomou grande impulso, o turismo foi incrementado, planos de saúde foram estabelecidos, os transportes para a Capital do Estado passaram a ser feitos com rapidez e nestes últimos anos foi implantado o serviço telefônico, em sistema DDD, facilitando as comunicações dos municípios da região com todo pais. (Laragnoit, 1984)

Em 1961 o presidente Juscelino Kubitschek fez a inauguração oficial da BR- 116, no município de Registro, onde hoje é o bairro Arapongal, em seu discurso disse ficar feliz por estar junto ao povo com a consciência tranqüila, por ter agido com justiça durante o mandato.

Sobre esse episódio Pedroso destaca que com a inauguração da BR-116 (hoje ostentando o sinistro nome de Rodovia da Morte) em 25 de janeiro de 1961, com o nome de BR-2 melhorou muito o desenvolvimento da cidade. Antes da inauguração uma viagem de Registro a São Paulo e vice e versa, demorava cerca de 10 horas. E teve tempo em que uma viagem dessas se arrastava por três dias. O porto do Registro existe desde 1734, portanto 210 anos antes de Registro ser elevado à categoria de município.

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4.2. A presença de Lamarca

Na década de 70 com a presença do grupo guerrilheiro de Carlos Lamarca no Vale do Ribeira a região que até então era totalmente esquecida tanto pelo governo estadual e federal como pela mídia impressa e televisiva passa a merecer acentuada atenção por parte dos mesmos.


Carlos Lamarca

Era o período mais tenebroso da ditadura militar, e suas ações frente à grupos de esquerda ou paramilitares costumava ser dura e implacável. Lamarca escolheu o Vale para organizar seu grupo exatamente pela dificuldade de acesso, pela extensão de lugares ermos e desabitados além da pacificidade dos habitantes. A presença do grupo causou uma verdadeira revolução nos pequenos povoados e municípios, especialmente a partir do momento em que o exército realizou uma verdadeira invasão armada, uma operação de caça ao ex Capitão da Forças Armadas. O governo então “descobre” o Vale e põe em execução um plano de desenvolvimento para a região.

Segundo Mirabelli e Vieira, o então governador Laudo Natel, seguindo orientação do governo federal, inicia um plano de ação que visava atender a todos os problemas de produção no Vale, contrariando a orientação de seus assessores políticos, que consideravam importante deixar para o término de seu governo o lançamento do citado programa para que lhe rendesse dividendos políticos.

É de autoria do governador Laudo Natel o título de “Registro Capital do Vale do Ribeira”. Muitos órgãos do governo estadual foram instalados na sede do município, houve melhorias na infra-estrutura da região (energia elétrica, saneamento, estradas vicinais) tentando evitar que o Vale se tornasse novamente alvo de outros grupos guerrilheiros.

CAPITULO V

5. A Cultura na Cidade (séc. XX E XXI)

Registro destaca-se no Vale do Ribeira como a capital econômica, social e cultural. Mesmo sendo uma tranqüila cidade do interior possui uma história rica e diversificada do ponto de vista cultural e religioso, contando com amplo calendário de eventos, muitos deles referentes à cultura nipônica, além de vários monumentos históricos e turísticos que merecem ser visitados.

Um nome importante da cultura Registrense é o famoso aviador Alberto Bertelli, que morou no município por cerca de três décadas. De acordo com um dito popular comum na região “Quem bebe água da ribeira e come manjuba nunca mais vai embora”, pois bem Bertelli se encantou com a cidade e aqui viveu boa parte de sua vida, morando as margens do Rio Ribeira de onde sempre assistia a cerimônia do Tooru Nagashi.

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5.1. Alberto Bertelli

Apesara de não ser Registrense o piloto Alberto Bertelli tornou-se uma das figuras mais ilustres e conhecidas do município, sendo homenageado nomeando o Estádio Municipal e uma das escolas municipais de Registro localizada no Bairro Vila Nova.

Bertelli nasceu em 03 de outubro de 1914, numa fazenda da família Pereira Inácio, no município de São Roque, São Paulo.

Em 1919, mudou-se para a capital mais precisamente no Bairro Butantã. Durante uma apresentação de acrobacias aéreas, em homenagem a visita do Rei Humberto da Bélgica, em 1920 nasce no garoto uma paixão que o acompanharia por toda vida: o avião.

O próprio Bertelli relata como o seu fascínio por aviões o acompanhava desde a mais tenra infância:

“Lembro-me que três aviões sobrevoavam o local em homenagem ao ilustre Rei. Um deles era triplano e os outros dois era biplanos faziam acrobacias – não sei quais mas devia ser parafuso pois desciam virando. Fiquei maravilhado pelo espetáculo. (…) Na época aeromodelismo, mas construí os meus resumidos aviões simplesmente na hélice, que eram feitas com tampa de lata de banha com uns cores que abria com a tesoura da mamãe- o que acabava sempre em puxões de orelha, pois que estragava a tesoura”.(Bertelli, 1999).

Ainda garoto, aprendeu a dirigir o caminhão do pai, auxiliava nos consertos do carro e a realizar as entregas de material de construção. Era, bom aluno, especialmente em matemática apesar de não ser estudioso. Nessa mesma época aprendeu a tocar clarineta, seu instrumento preferido.

Foi um garoto e criativo, chegou a dirigir por alguns anos com uma cópia da carteira de motorista do patrão do seu pai, o Dr. Osvaldo.

Após completar dezoito anos o interesse por aviões ressurgiu em seu espírito; um dos seus passatempos preferidos era observar as manobras aéreas em Congonhas, recém inaugurado.

O primeiro vôo de Bertelli (como passageiro) foi na década de trinta, às escondidas da família; ao tomar suas primeiras aulas com Anísio de Oliveira.

Mal sabia o professor que o jovem curioso e interessado se tornaria um dos maiores pilotos brasileiros. Após um mês de aula fez seu primeiro vôo solo. Com muito sacrifício financeiro tirou o brevê, com menos de vinte horas de vôo.

Após o curso de pilotagem, Alberto se tornou instrutor de vôo e passou a realizar suas incríveis acrobacias, inclusive o looping invertido.

Como instrutor Bertelli trabalhou em Sorocaba e Rio Claro, muitos futuros pilotos foram seus alunos. Mais tarde passou a trabalhar com taxi aéreo. Em 1951 veio para o Vale a fim de transportar peixe de Cananéia para São Paulo; também transportava passageiros para a capital. A BR 116 ainda não existia e uma viagem de carro durava de oito a dez horas (de avião eram cerca de quarenta minutos). O advogado Pereira Lima, José de Carvalho e Ivo Zanella (Pariquera-Açu), além dos engenheiros Regis Bittencourt e Rui Prado de Mendonça, foram alguns de seus passageiros.

O piloto foi um dos fundadores e componentes da “Esquadrilha da Fumaça”.

Segundo Pedroso:

Bertelli recebeu o título único de piloto civil, perpétuo e honorário. Pilotando aviões como: Piper Cub, Taylor Grafet, Stinson, Bonanz (esse tinha o prefixo AHE, o nome dos três irmãos: Alberto, Hugo e Edmundo), Cesnna, Ayronca, Becker, Munis, Wacco, Luscomb, Mots e Kirts (cada um tinha vários modelos), o aviador cortava os céus do Brasil e realizava manobras mirabolantes”. (Pedroso, 1997).

Além de ser um meio de vida, a aviação era um grande amor para ela: cuidava dos aviões com zelo, concertava-os e restaurava-os. Apesar de alguns sustos em sua carreira: panes, aterrissagens forçadas e acidentes variados, nunca mudou de profissão.

Segundo familiares Bertelli eram um homem calmo e de hábitos simples, gostava de piadas e de música. Morou durante vários anos na Rua Miguel Aby Azar próximo ao Rio Ribeira.

Fez apresentações em todo o Brasil, foi condecorado e homenageado inúmeras vezes e entrou para a História da Aviação Brasileira. Seu nome era sinônimo de aviação e ousadia.

Alberto Bertelli faleceu em oito de dezembro de 1980, deixando um legado de aventuras, manobras incríveis e um grande amor pela aviação.

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5.2. Monumentos e Pontos Turísticos

No Município há alternativas de passeio rurais, onde se podem praticar cavalgadas e pesca amadora e esportiva. Pode-se visitar a Estação Experimental de Zootecnia de Registro, no Instituto de Zootecnia, onde é desenvolvida a criação de búfalos. Existe ainda o projeto para construção de um museu do chá no município. Entre as opções de passeio e recreação estão o bosque municipal e as praças públicas:

O Bosque Municipal Torazo Okamoto é um local arborizado com trilhas e palco para apresentações. É cortado pelo Rio Carapiranga.

Origem do nome: o imigrante Torazo Okamoto chegou a Registro em 1919. Três anos depois, obteve sementes de chá chinês (Thea assamica Mast) em São Paulo e começou a plantação, visando o consumidor japonês de chá verde. Em 1934, com o objetivo de produzir chá preto para o consumidor brasileiro, Torazo trouxe do Ceilão (atual Sri Lanka) algumas sementes de chá-da-índia da variedade assam. As mudas conseguidas por Torazo foram matrizes do chá ainda produzido em Registro.

A Praça dos Expedicionários possui área coberta e lanchonete. Apresenta espaço para eventos e feiras.

O nome da praça é uma homenagem à força militar brasileira de 25.300 homens que lutou ao lado dos Aliados, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial (a FAB, Força Expedicionária Brasileira).

Praça Nakatsugawa

A artista plástica Tomie Ohtake foi recebida pelo prefeito e pelo governador do Estado de São Paulo na inauguração de sua instalação. Lucia Kanegaea arquitetura japonesa da Praça Nakatsugawa remete à cidade-irmã. A cidade de Nakatsugawa localiza-se na província de Gifu, na ilha de Honshu, região central do Japão. Desde 1980 Registro e Nakatsugawa mantêm um convênio tanto no setor governamental quanto através da organização Rotary Club. O convênio é traduzido em intercâmbio, assistência e visitas dos governantes das duas cidades.

a Praça Beira Rio está situada às margens do Rio Ribeira tem como opções de lazer ciclovia, pista de skate e Parque Beira Rio Prefeito José Mendes, com área de recreação infantil. Há ainda o Monumento às Vítimas do Rio Ribeira de Iguape, local de celebração do culto religioso que antecede o Tooro Nagashi.

Escultura

Na Praça Beira Rio, no local onde se encontrava uma árvore guaracuí - Andira anthelmia (Vell.) J.F. Macbr., um dos símbolos do município - foi instalada uma obra também denominada Guaracuí (uma flor estilizada de 7m de altura, em aço) que a artista plástica Tomie Ohtake doou ao município em homenagem aos imigrantes japoneses. Origem do nome do parque: José Mendes governou o Município entre 1973 e 1977 e entre 1993 e 1997.

Ainda na Praça, o Centro de Educação e Cultura KKKK (Kaigai - Kogyo - Kabushiki - Kaisha), conhecido também como antigo Casarão do Porto, é um conjunto de engenho e armazéns construído em estilo inglês à margem do Rio Ribeira de Iguape para abrigar a produção de arroz da região. A Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (ou Companhia Ultramarina de Desenvolvimento Sociedade Anônima), filial da Companhia Imperial Japonesa de Imigração, atuou de 1912 a 1937 na gestão e na infra-estrutura das colônias de japoneses em diversos países. Foi responsável pelo estabelecimento de mais de 450 famílias na colônia de Registro, onde foi autorizada a funcionar a partir de 1918 no Casarão.

O Centro de Educação e Cultura abriga atualmente:

Anfiteatro, local de realização de eventos públicos e espetáculos teatrais;
Memorial da Imigração Japonesa Vale do Ribeira, cuja exposição de utensílios agrícolas, roupas, esculturas, documentos, livros, mapas e fotografias conta a história e os costumes dos primeiros imigrantes japoneses. Foi fundado em janeiro de 2002;
Abriga tambem uma unidade do SENAI, implantada em 2007
Projeto Guri, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
Sala de Exposições do Museu da Mata Atlântica da Unesp expõe painéis sobre ecossistemas do vale do Ribeira, solos, coleções de plantas e de sementes da região e peças artesanais produzidas com plantas da região e possui área para consulta de trabalhos e pesquisas.
Os admiradores da arquitetura oriental podem visitar o Templo Budista Honpa Hongwanji (Honpa Hongwanji é o Templo do Juramento Universal de Amida, Buda da Terra Pura do Oeste), construído em 1967, e o Bunkyo, sede da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, situado na Praça da Integração Brasil-Japão. Nessa praça foi instalada a escultura comemorativa do centenário da imigração japonesa no Brasil Portal do Sol, do artista plástico Yutaka Toyota, inspirada nas antigas máquinas de beneficiamento de arroz e de chá. As peças modelam e simbolizam as benfeitorias que a colônia teria trazido para a região.

Os praticantes de esportes costumam conhecer o Centro Esportivo Governador Mário Covas, um conjunto formado por pista de atletismo, campo de futebol e ginásio poliesportivo com capacidade para cinco mil pessoas. Sedia eventos esportivos regionais, estaduais e a Exposição de Orquídeas. Outro espaço conhecido é o Estádio Municipal Brigadeiro do Ar Alberto Bertelli, campo de futebol que sedia competições municipais e regionais. O nome é uma homenagem a um dos maiores aviadores acrobatas civis do Brasil. Alberto Bertelli recebeu vários prêmios como piloto do interior e em competições de acrobacia e de corridas aéreas, caça aos balonetes e lançamentos de mensagens. Residiu em Registro por quase três décadas.

Registro é também visitada por fiéis de diversas religiões. Entre as pricipais igrejas católicas estão a Matriz de São Francisco Xavier (São Francisco Xavier é Patrono dos missionários e padroeiro do Município de Registro e da Diocese de Registro) e a de Nossa Senhora de Fátima. O Município pertence à Diocese de Registro, área que corresponde a uma subdivisão territorial de 13.400 km² de área no Estado de São Paulo.
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5.3. Festas e Religiosidade

Maio
Roda de Violeiros Fermino Gonçalves de Freitas.
Desde 1971 o festival tradicional homenageia o dia do trabalho premiando os melhores cantores, duplas e grupos sertanejos e caipiras da Região.

Junho
Festa da Solidariedade
O Fundo Social de Solidariedade de Registro coordena o evento organizado por entidades sociais do município. Comidas típicas e bingo são atrações da Festa.
Festa do Sushi
Realizada pela Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, oferece atrações musicais variadas e comidas típicas japonesas, como os tradicionais sushis e sashimis de atum, salmão, robalo, tainha e manjuba.

Agosto
Bon Odori
A Igreja Budista e a Associação Nipo-Brasileira de Registro (Bunkyo) realizam o "festival em homenagem aos falecidos" na Praça Beira Rio com muita música típica japonesa, danças e comidas orientais. O costume do período de finados no Japão (de julho a setembro) é se tocarem músicas alegres celebrando a vida em comunidade e a continuidade da vida, sem olhar para trás, para que os espíritos, que foram reencaminhados a seu mundo através do bon-odori, não acompanhem os vivos para sempre.
Festa do Queijo e Vinho
Promovida pela Casa da Amizade (entidade responsável pela manutenção da Creche Nosso Ninho), tem sua renda revertida para entidades beneficientes. Na programação, há música ao vivo e dança.

Setembro
Jogos Escolares da Semana da Pátria (Sempa)
Desde 1996 o Decel (Departamento de Cultura, Esporte e Lazer) da Prefeitura Municipal de Registro reúne estudantes de todas as escolas do Município para disputar competições de atletismo, basquete, futsal, handebol, voleibol, tênis de mesa, xadrez e damas no Centro Esportivo Governador Mário Covas, no ginásio da Escola Estadual Dr. Fábio Barreto e no RBBC (Registro Baseball Club).
Festa Nordestina
Ritmos musicais e comidas típicas nordestinas são as principais atrações da festa promovida desde 2005 pelo Decel da Prefeitura Municipal de Registro.

Outubro
Torneio de Judô Toraichiro Suzuki
Promovido pela Arju (Associação Registrense de Judô), em homenagem a Toraichiro Suzuki, grande incentivador do esporte na cidade.
Exposição Nacional de Orquídeas do Vale do Ribeira
É um evento oficial da CAOB (Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil) promovido pela Orquivale (Sociedade Orquidófila do Vale do Ribeira) onde se expõe uma grande variedade de orquídeas de associações orquidófilas do Brasil inteiro.

Novembro
Tooro Nagashi
Realizado no dia 2 de novembro, em homenagem aos mortos vítimas do Rio Ribeira de Iguape, é um culto ecumênico com pequenos barquinhos iluminados por velas coloridas, feitos artesanalmente e soltos no rio. Originalmente consistia de um ritual budista em homenagem às vítimas das bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima (em 6 de agosto de 1945) e Nagasaki (em 9 de agosto de 1945). Tourou significa lanterna de papel; nagashi, levar-se pelo vento. Ao soltarem os barquinhos, os participantes da cerimônia iluminam o caminho dos espíritos e fazem pedidos de paz.
Expovale
É a maior exposição agroindustrial e comercial do Vale do Ribeira, com shows ao vivo e comidas típicas da região, e exposição pecuária (búfalos, bois e cavalos) e gêneros agrícolas como banana, chá-da-índia (referido, por costume, como "chá preto"), palmito de pupunha, flores ornamentais e artesanato regional. Teve início em 1973, na primeira gestão do Prefeito José Mendes, substituindo a festa "Chá Expo". Em 1979, passou a ocupar uma área construída especialmente para abrigar o evento, no km 449 da Rodovia Régis Bittencourt. Durante a primeira gestão do Prefeito Samuel Moreira da Silva Júnior (entre 1997 e 2000), a Expovale passou a ser anual.
Baile da Cidade
Organizado pelo Fundo Social de Solidariedade, comemora o aniversário da emancipação política do município de Registro, no dia 30 de novembro.

Dezembro
Cantata de Natal
É realizada anualmente desde 1997 e tem como principais atrações a representação do nascimento, da morte e da ressurreição de Cristo, com participação de crianças e adolescentes em orquestras e corais de igrejas.

Feiras

Feira do Produtor
Aos domingos, das 6h às 11h no Centro, às terças-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Ribeirópolis e às quintas-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Fátima, a APFR (Associação dos Produtores Feirantes de Registro) atrai parte da população com a venda de diversos produtos, destacando-se hortaliças, peixes, aves, plantas ornamentais, artesanatos, salgados, como pastel e bolinhos, além de lanches orientais e bebidas, como caldo de cana e suco de laranja.
Feira de Produtos Orgânicos e Apícolas
Ocorre todos os sábados, das 9h às 12h no estacionamento ao lado do Paço Municipal Prefeito Josino Silveira. É organizada pela Aovale (Associação de Produtos Orgânicos do Vale do Ribeira), que comercializa verduras, legumes, frutas, temperos, frango e ovos caipiras e até cachaça orgânica. A Apivale (Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira) também participa dessa feira.

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5.4. Educação Municipal

No início da década de 80 por determinação do Prefeito José de Carvalho, a primeira Dama D. Elza Orsini de Carvalho com muita determinação implantou com recursos próprios da Prefeitura três Pré-Escolas Municipais.

Para efetivar essa implantação foi convidada a assumir o cargo de Diretora a senhora Profª Luzia Granado da Silva que juntamente com um grupo de professores (em torno de sete professores) contratados através de contratos temporários em 1981. No início foram criados três escolas de educação infantil, sendo: Pré- escolas Chapeuzinho Vermelho na Vila São Francisco, Balãozinho Vermelho na CECAP e Criança Feliz no prédio da EMDERE – Empresa de Desenvolvimento de Registro.

Em 1982 foi inaugurada a pré Escola Trenzinho Alegre.

As condições de ensino eram precárias, nos primeiros seis meses as professoras improvisavam estantes com tijolos e tabúas, e caixas de camisas serviam como arquivos. Não havia cadeiras e mesas, os materiais como pastas para guardar trabalhos feitos pelas crianças eram comprados pelas professoras.

Nessa época não existia o departamento de Educação nem Estatuto do Magistério. Essas Pré- Escolas atendiam crianças de cinco e seis anos, e a merenda era fornecida pela prefeitura, contudo os pais colaboravam com doações.

O símbolo da Pré-Escola (árvore do chá estilizada) era inicialmente usado pela EMDERE e esse mesmo símbolo ainda hoje pode ser visto nas calçadas do centro da cidade.

Em 1981 assumiram as seguintes professoras:

Santa Diamantina da Cárdia Costa
Odete Pereira
Lurdes Sakô
Clélia
Pitaca
Zuma
Rosildes
Maria Aparecida Faria
Em 1982 assumiram as seguintes professoras:

Renata Fernanda Salvador
Lucelma Aparecida Camillo Rigante
Edeleiza Soares
Marta Costa
Maria do Carmo Macedo
Em 1985 algumas professoras adquiriram estabilidade. Em 1986 a Diretora Luzia Granado afastou do cargo para assumir o mandato de Vereadora durante a gestão do Prefeito Waldir Ferreira de Moraes e em seu lugar assumiu a senhora Neli Gullo, que foi a responsável pela criação do Departamento Municipal de Educação.

Na gestão do Prefeito José Mendes passaram pelo cargo de Diretor do Departamento Municipal de Educação as seguintes professoras : Ivany de Souza e Orency de Souza.

Em 1994 foram efetivados através de concurso público os primeiros trinta e seis professores da Rede Municipal de Educação. A partir dessa data a Educação Municipal cresceu paulatinamente, com a construção de várias unidades escolares.

Em 1996, início da gestão do Prefeito Samuel Moreira assumiu a Direção do Departamento o Professor Rogério Geraldo. Nesse período o departamento já contava com três setores de Educação Infantil.

Em 1999 é realizado o concurso público para as primeiras salas de Ensino Fundamental da Rede Municipal, nesse momento o Departamento contava com a administração da professora Antonieta Gullo.

Em 2001, com a volta do professor Rogério acontece a implantação de um Plano de Carreira e o aumento da carga horária dos professores prejudicando a muitos, forçando-os a abdicar de um segundo cargo efetivo para dedicar-se exclusivamente a Rede Municipal. O Plano de carreira não foi bem aceito pelos profissionais do magistério apesar de ser considerado uma conquista pela equipe técnica do Departamento.

Atualmente a Rede Municipal conta com onze creches e cinqüenta e três escola de Educação Básica , para atender essa clientela o departamento possui cerca de seiscentos profissionais, tanto da área de docência quanto de apoio.

A partir de 2008 o departamento Municipal de Educação implantará o Ensino Fundamental de Nove Anos.

5.5. A Implantação da UNESP

No dia 28 de março de 2003, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, o reitor da UNESP, José Carlos Souza Trindade, e o prefeito de Registro, Samuel Moreira da Silva Júnior, assinaram o convênio que permitiu a instalação da Unidade Diferenciada de Registro, que oferecerá o curso de Ciências Agrárias, o primeiro de nível superior público e gratuito na região do Vale do Ribeira.
Registro está localizado numa área produtora de hortaliças, legumes, frutas, palmito pupunha, chá preto e banana. Nada mais apropriado para um curso de Ciências Agrárias, que tem como objetivo formar profissionais capacitados para promover o desenvolvimento sustentável do meio rural, otimizando a utilização dos recursos naturais disponíveis.

Além do curso de Ciências Agrárias a UNESP firmou convenio com a Prefeitura de Registro implantando o projeto Pedagogia Cidadã possibilitando a formação em nível superior de cerca de 120 professores da Rede municipal.

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CAPITULO VI

6. O ALICERCE DO PASSADO ASSEGURANDO O PRESENTE E GARANTINDO O FUTURO

6.1. Fundamentação Teórica

O marco inicial para a decisão de trabalhar a história de Registro com as crianças da Educação Infantil, nível III foi a preemente necessidade que os educandos conheçam a sua cidade, seus habitantes e suas características sociais e culturais.

Os cadernos trabalhados no Curso de Pedagogia Cidadã possibilitaram todo o subsídio teórico e exemplos de práticas bem sucedidas, proporcionando segurança tanto nos temas e atividades selecionadas quanto na escolha das referências bibliográficas que nortearam a elaboração do trabalho.

O texto do professor Genaro A. Fonseca “Um projeto para o Ensino de História na Educação Infantil”, presente no caderno de Formação – Educação Infantil foi primordial para a motivação de se pesquisar a história de Registro, por relatar uma prática bem sucedida do ensino de história (presente no eixo Natureza e Sociedade, RCNEI, 1997) à crianças da creche e pré – escola.

A maneira como os elementos norteadores do trabalho foram explicitados nos textos, permitiram a reflexão sobre o fato de que a história do município de Registro é trabalhada pelas escolas de forma pouco abrangente, pois os educadores dispõem de pouco materiais de pesquisa e orientação sobre o tema.

Surgiu, por conseguinte o desafio de pesquisar profundamente e explorar posteriormente esse tema tão relevante, contudo pouco conhecido pelas crianças nessa faixa etária.

As orientações de Gimeno Sacristan (1998) citadas pelo autor foram essenciais para o planejamento do trabalho:

a) Pensar ou refletir sobre a prática antes de realizá-la;

b) Considerar que elementos intervêm na configuração da experiência que os alunos terão de acordo com a peculiaridade do conteúdo curricular envolvido;

c) Ter em mente as alternativas disponíveis: lançar mão de experiências prévias, casos, modelos metodológicos, exemplos realizados por outros;

d) Prever na medida do possível o curso da opção que se deve tomar;

e) Antecipar as conseqüências possíveis da opção escolhida no contexto concreto em que se atua;

f) Ordenar os passos a serem dados, sabendo que haverá mais de uma possibilidade;

g) Determinar o contexto, considerando as limitações a enfrentar;

h) Determinar ou prover os recursos necessários.

Com esses subsídios e orientações foi possível determinar quais objetivos a serem alcançados, os recursos necessários e as fontes de pesquisa a serem consultadas segundo as orientações do RCNEI a respeito do eixo Natureza e Sociedade.

O trabalho com este Eixo, portanto deve propiciar experiências que possibilitem uma aproximação ao conhecimento das diversas formas de representação e explicação do mundo social e natural para que as crianças possam estabelecer progressivamente a diferenciação que existe entre mitos e lendas, explicações provenientes do “senso comum” e conhecimentos científicos (Brasil, 1998, vol.3).

É fato que as crianças na faixa etária de cinco anos estabelecem seu raciocínio a fatos e elementos concretos e sua noção de tempo e espaço está sendo construída de acordo com a fase de desenvolvimento de sua cognição. Adequar conteúdos e atividades respeitando seu interesse e capacidade é primordial para o sucesso do trabalho.

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Nesse conteúdo os aportes teóricos oferecidos pelo caderno de Psicologia da Educação foram primordiais, especialmente as teorias de Piaget a respeito do desenvolvimento infantil.

Segundo Piaget: A ordem de sucessão das etapas do desenvolvimento cognitivo era constante e irreversível, obedecendo a um plano fundamental de crescimento característico da espécie humana, pelo qual os estágios se sucedem de modo invariável, determinados pelo fator genético – maturacional e ativados sem cessar pela ação do sujeito. (Piaget, 1977)

A respeito das relações entre o sujeito e o objeto do conhecimento, Piaget afirma: “O conhecimento, então na sua origem, não vem dos objetos e nem do sujeito, mas das interações inicialmente indissociáveis entre o sujeito e esses objetos. (Piaget, 1977)”.

Propor atividades desafiadoras, porém adequadas ao estágio de desenvolvimento foi um desafio para a construção de uma aprendizagem significativa. Um elemento facilitador foi o fato da interdisciplinaridade estar sempre presente no cotidiano da Educação Infantil; a correlação dos conteúdos é uma constante.

Os textos de Filosofia da Educação foram de suma importância para uma formação teórica ampla sobre a epistemologia do conhecimento e relacioná-la a prática pedagógica. Conhecer as idéias e teorias de Platão, Descartes, Hume e Kant possibilitaram a ampliação dos horizontes pedagógicos e didáticos, destacando que o conhecimento provém da razão e as relações entre o educando e o objeto do conhecimento é o processo de construção do mesmo.

O objetivo do trabalho em questão é conforme a epistemologia genética de Piaget a passagem de um conhecimento inferior para um mais amplo e complexo.

A formação do cidadão se dá na mais tenra infância; não permitir as crianças ter acesso às informações essenciais para essa formação é inadmissível, os conceitos de ética e cidadania permitem à criança estabelecer sua identidade, reconhecer-se como pessoa.

Conhecer sua comunidade, sua cidade, as tradições orais, as características históricas e geográficas de sua região estabelece ligações importantes entre o educando e sua consciência como cidadão ético e moral. É a transformação do sujeito heterônomo para o autônomo.

Conforme Hegel relata somos seres históricos e culturais, ou seja, possuímos uma vontade individual subjetiva (que Rosseau chamou de coração e Kant de razão prática), existe outra vontade muito mais poderosa que determina a nossa: a vontade objetiva, inscrita nas instituições ou na cultura (Chauí, 2000)

Essa historicidade que marca a trajetória do cidadão influencia suas atitudes e escolhas em sua vida em sociedade. Nesse aspecto os cadernos de Ética e Cidadania, Sociologia e Antropologia foram essenciais tanto na formação geral dos educadores como referência ao tema escolhido para o trabalho com os educandos. Compreender a sociedade, os elementos culturais e humanos da região do Vale do Ribeira, especificamente do município de Registro, sob aspectos antropológicos e sociológicos permitem a percepção “da cultura que fornece o vínculo entre o que os homens são intrinsecamente capazes de se tornar e o que eles realmente se tornam, um a um” (GEIRTZ, 1978).

A cultura ribeirinha, os mutirões, comidas típicas, a vida em sociedade rural e suas especificidades foram alvo das pesquisas realizadas e posteriormente apresentadas às crianças de forma lúdica e prazerosa.

Evidenciar a história social e cultural de um povo, as miscigenações étnicas e a importância dos movimentos migratórios possibilitam aos alunos compreender as diversas experiências vividas por esses habitantes.

Existem dilemas a serem transpostos a abstração, a questão da temporalidade e multiculturalidade, além das particularidades da faixa etária à que o presente trabalho está direcionado.

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Os textos de Kátia Maria Abrid e Maria Aparecida Junqueira Veiga Gaeta possibilitaram a compreensão das questões essenciais para o ensino de história na Educação Infantil.

“A aprendizagem de história deve permitir que o aluno no decorrer de sua escolaridade perceba que não há uma uniformidade diferenciada no passado, mas que diferentes acontecimentos ocorrem em diferentes níveis de tempo. Ou que numa mesma sociedade, fatos de natureza diversa ocorrem ao mesmo tempo, têm diferentes durações, podem surgir em momentos diferentes, correr paralelos no tempo e um terminar antes do outro”(ABRID, 2006).

Conforme Dubuc bem salienta: “ensinar / aprender história nas séries iniciais do Ensino Fundamental passa necessariamente pelo início da percepção do relevo do passado e alargamento da dimensão do presente” (DUBUC, 1976) esse mesmo raciocínio é valido para a Educação Infantil especialmente o nível III (cinco a seis anos).

Todas as reflexões, orientações didáticas e propostas teórico-metodológicas foram fundamentais para uma atuação bem sucedida.

As visitas de campo, construção de maquetes, exploração de fontes documentais, o resgate de tradições, objetos e comidas típicas, as visitas aos monumentos históricos tornaram a história viva, pulsante em todas as suas múltiplas facetas, estabelecendo a identidade cultural e os conceitos de cidadania.

Segundo Gaeta o currículo deve ser organizado dando espaço e fortalecendo a voz de grupos silenciados, expressando a diversidade cultural, respeitando a variante lingüística dos alunos, a inclusão de elementos da cultura popular, o conhecimento das tradições e do significado de aspectos da cultura negra, indígena e de outros grupos (GAETA, 2006).

Todo e qualquer documento, fotos, relatos, livros, anúncios de jornal, obras de arte e monumentos são fontes de pesquisa: “Tudo que fosse registro da ação humana passou a ser considerada fonte da História. Logo, todos os homens e mulheres, ricos e pobres, pretos, índios, brancos, governantes e governados, patrões e empregados, são sujeitos históricos”. (FONSECA, 2003).

Fez parte do trabalho o conhecimento não só histórico, mas também geográfico do município. As orientações pertinentes ao estudo da paisagem ao longo do tempo possibilitaram um olhar diferenciado em relação a esses aspectos.

O estudo das categorias geográficas do espaço como território, paisagem e lugar e a observação da paisagem foram de extrema importância para a prática cotidiana. As conseqüências da urbanização à paisagem e ao espaço geográfico sempre sob o foco da construção da consciência citada permitiram vivências ricas e gratificantes.

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Postado por Camilo Aparecido | Postado em História do Município de Registro | Postado dia 14-09-2008

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Conforme a Professora Analúcia relata: desenvolver nos alunos um conjunto de elementos teóricos e práticos para que os mesmos possam compreender e resgatar o processo de formação de sua cidade no tempo e no espaço, permitindo, assim, a visualização da evolução do chamado espaço geográfico e as mutações acusadas a cada intervalo de tempo (GIOMETTI, 2004).

Aliar e entrelaçar a pesquisa histórica através de variadas fontes documental como livros, especialmente de autores oriundos da região do Vale do Ribeira, documentos como álbuns de fotos dos imigrantes japoneses, relatos, reportagens, monumentos históricos e outros, subsidiaram uma prática pedagógica de qualidade e sucesso produzindo uma aprendizagem realmente significativa.

Os textos de Sônia Kramer, Maria Teresa A. Freitas, Shumacher e Nojimoto, Petruci e Martino auxiliaram a elaborar as hipóteses, reconhecer os problemas, desenvolver o roteiro das pesquisas bibliográficas e de campo e estabelecer os limites para as mesmas principalmente por se tratar de “metodologia das ciências humanas” conforme relata Bakhtin.

“As ciências humanas não podem, por ter objetos distintos, utilizar os mesmos métodos das ciências exatas. As ciências humanas estudam o homem em sua especificidade humana, isto é em processo de contínua expressão e criação. Considerar o homem e estudá-lo independentemente dos textos que cria significa situá-lo fora do âmbito das ciências humanas”.

Vygotsky considera que todo o conhecimento é sempre construído na inter-relação das pessoas, ele vê a pesquisa como uma relação entre sujeitos. Propõe ainda que os fenômenos humanos sejam estudados em seu processo de transformação e mudança, ou seja, em seu aspecto histórico (VYGOTSKY, 1991).

Após a oportunização de tão variados e importantes aportes teóricos foi possível elaborar todo o roteiro do trabalho em questão: desde a escolha do tema devido à sua importância, a seleção e pesquisa bibliográfica e documental, a determinação e a realização das atividades com os alunos, o registro documental das mesmas e o relato escrito de acordo com as normas técnicas apresentando assim o resultado do trabalho. Sem as informações valiosas e enriquecedoras acima citadas, sem dúvida, as dificuldades encontradas não seriam solucionadas de forma clara e precisa possibilitando um resultado positivo. O objetivo principal de aguçar a percepção e a curiosidade das crianças e a construção de sua identidade como seres sociais e históricos capazes de modificar sua realidade e seu meio foi atingido com sucesso. Aliar a teoria à prática, a pesquisa à ação permitiu ampliar o conhecimento e realizar um projeto de qualidade e inovação.