14.9.08
CAPITULO IV
4. A ECONOMIA
A agricultura sempre foi a mola mestra da economia de todo o Vale do Ribeira no séc. XX O município de registro não fugiu a essa regra, passando por ciclos econômicos importantes: do arroz, do chá preto e da bananicultura; enfrentando como os demais municípios ribeirinhos grandes crises especialmente devido às enormes cheias do Rio Ribeira .
Na década de 50 surgem grandes propriedades rurais, transformando os caipiras em assalariados e mineiros, constantemente endividados, enfrentando duras condições de vida e trabalho árduo. A instalação das monoculturas do chá e banana trouxeram problemas como o esgotamento dos solos e a contaminação por agrotóxicos dos mananciais. O assoreamento dos rios, especialmente do Ribeira que agredido em seu leito responde com cheias cada vez maiores e desastrosas para a economia de toda a região.
O subdesenvolvimento da região de Registro nesse período e nos anos posteriores é refletido pela deficiência nos seguintes setores: transportes, transmissão de energia, saneamento, saúde, serviços públicos em geral e problemas fundiários.
Os principais produtos agrícolas são: banana, arroz, citros, chá e olericolas, além da pescaria em geral, no entanto as atividades agropecuárias são tecnologicamente pouco desenvolvidas rendendo pouco aos produtores, especialmente os pequenos, muitas vezes explorados pelos chamados atravessadores.
Segundo o boletim da bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape (DAEE, 98) as condições climáticas da região, com chuvas de grande intensidade e duração aliadas às características morfológicas da Bacia do Ribeira, ou seja, fortes declividades dos terrenos e do leito do rio, nos trechos superior e médio, além das características de extensas planícies dos trechos finais favorecem picos de enchentes e volume de água muito pronunciados.
Os principais problemas ocasionados pelas cheias são:
Perdas de vidas humanas
Prejuízos com a inundação de habitações e estabelecimentos comerciais
Perda da produção agrícola
Interrupção do trafego, isolando cidades e povoados
Além da bananicultura e teicultura, a olericultura, embora em pequena escala é representativa para a região devido à condições climáticas favoráveis especialmente no inverno, período da entressafra nas demais regiões do Estado. O maracujá tem especial importância no setor da fruticultura. Vale lembrar, no entanto que há baixa qualidade nos produtos, dificuldades de escoamento da produção e comercialização e posterior rentabilidade.
Todo esse cenário econômico foi alterado por acontecimentos importantes para toda a região: a inauguração da BR 116 e a presença do guerrilheiro Lamarca na região, no início da década de 70.
4.1. A BR- 116 
A abertura de várias estradas vicinais representou em forte incremento à economia regional.
O caminhão chegou a locais que até há alguns anos somente eram atingidos através dos rios ou picadas, substituindo, assim a canoa e a tropa de muares(Mirabelli e Vieira, 1992).
A BR-116, apesar de não ter sido construída visando especificamente a região de Registro, pelo fato de atravessar o município foi um elemento que forneceu forte influência na ocupação e no desenvolvimento do mesmo contribuindo para o escoamento da produção e atraindo investimento.
Bastou correr a notícia de que o governo federal pretendia abrir a BR-116, para que o interesse pelas terras da região fosse rapidamente despertado. a especulação imobiliária intensificou-se quando surgiram nos jornais de São Paulo os anúncios de vendas de terras localizadas ao longo da nova rodovia (Mirabelli e Vieira, 1992).
Na década de 60 o processo de incorporação da região ao desenvolvimento econômico nacional é completado, modificando os quadros agrícolas tradicionais para um aspecto predominante mercantil.
Segundo Laragnoit a partir do ano de 1961, tudo começou a mudar no Vale do Ribeira, com a inauguração da rodovia federal BR-116 (Regis Bittencourt), ligando São Paulo a Curitiba e aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A população aumentou e algumas indústrias começaram a ser implantadas na região. A agricultura tomou grande impulso, o turismo foi incrementado, planos de saúde foram estabelecidos, os transportes para a Capital do Estado passaram a ser feitos com rapidez e nestes últimos anos foi implantado o serviço telefônico, em sistema DDD, facilitando as comunicações dos municípios da região com todo pais. (Laragnoit, 1984)
Em 1961 o presidente Juscelino Kubitschek fez a inauguração oficial da BR- 116, no município de Registro, onde hoje é o bairro Arapongal, em seu discurso disse ficar feliz por estar junto ao povo com a consciência tranqüila, por ter agido com justiça durante o mandato.
Sobre esse episódio Pedroso destaca que com a inauguração da BR-116 (hoje ostentando o sinistro nome de Rodovia da Morte) em 25 de janeiro de 1961, com o nome de BR-2 melhorou muito o desenvolvimento da cidade. Antes da inauguração uma viagem de Registro a São Paulo e vice e versa, demorava cerca de 10 horas. E teve tempo em que uma viagem dessas se arrastava por três dias. O porto do Registro existe desde 1734, portanto 210 anos antes de Registro ser elevado à categoria de município.
criado por camiloaparecido
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