Curiosidades do Vale do Ribeira e Suas Cidades

Este blog tem por finalidade mostrar as belezas naturais do Vale do Ribeira ,suas Histórias,curiosidades,lendas ,culinaria e suas Cidades : Registro-sp , Sete Barras , Eldorado ,Jacupiranga , Cajati, Pariquera-açu, Iporanga, Ribeira, Iguape etc….

14.9.08

2.5 – A Agricultura

(Registro – A capital do chá)

O arroz foi durante muitos anos a base da agricultura na região do Vale do Ribeira e em Registro, devido principalmente à geografia da região, rica em mangues, várzeas, charques e brejos.

Com a decadência da cultura do arroz em toda a região muitos pequenos agricultores voltaram a praticar uma agricultura de subsistência, com cereais e verduras, além da criação de porcos e galinhas para a sustentabilidade da família e um pequeno comércio, principalmente à base de troca, no início do século XX.

Os imigrantes japoneses além do cultivo de arroz, plantaram café, banana, verduras e legumes em geral e o chá preto.

Nesse período surge o médio produtor rural, em geral poucas famílias japonesas que conseguem fixar-se na região com sucesso, ao mesmo tempo em que grande parte da população acompanha o processo de ruralização depauperando-se cada vez mais. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992)

A banana já era cultivada na região graças ao solo e clima próprio, contudo esse cultivo gerava baixa produtividade e dificuldades de comercialização por ser feita na grande maioria das vezes em pequena escala e de forma rudimentar no tocante à tecnologia agrícola.

Porém devido ao aumento do mercado consumidor pelo processo de urbanização e crescimento da classe operária em São Paulo (consumidora de produtos de baixo preço, entre eles a banana) a produção agrícola da região passa a ser absorvida por esse mercado consumidor.

Já o chá, introduzido na região através de sementes contrabandeadas por Torazo Okamoto, era um produto consumido pelos imigrantes da região e posteriormente pelas elites do Rio de Janeiro e São Paulo.

No período de 1935 a 1945 60% do chá produzido no Brasil era oriundo de Registro, sendo o restante de Minas Gerais.

Nesse período surge a agroindústria do chá, composta por oito pequenas fábricas e cerca de 300 produtoras, através de um sistema manufatureiro, predominando o trabalho domiciliar. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

As condições, além de um mercado consumidor receptivo aos produtos regionais, que viabilizaram o incremento do comércio foram a urbanização e concentração demográfica, a melhoria dos transportes fluviais e a construção da ferrovia Santos – Juquiá e os esforços pela abertura de estradas.

Esse crescimento assim como em todo o país gerou, contudo uma crescente concentração de renda nas mãos de poucos produtores.

Sobre esse período é importante destacar que “De 1939 a 1945, a expansão da plantação do chá se deve principalmente às possibilidades de utilização de máquinas importadas do Japão e o que ocorre através da KKKK e apenas os grandes produtores tem condições para sua aquisição” (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

A década de 50 representa para Registro e toda a região a passagem para o processo de capitalismo industrial com a diminuição das pequenas lavouras temporárias e de subsistência, o aumento das culturas permanentes e monoculturas, e o crescimento da produção predominantemente mercantil.

Surgem então as empresas beneficiadoras de chá controladas pelo capital nipônico, representando uma mudança tanto no panorama agrícola quanto social. São necessários investimentos em instrumentos agrícolas, mudas de qualidade e mão de obra. Os trabalhadores assalariados substituem os antigos posseiros, mutirões e festas comunitárias.

O trabalho é duro, a carga horária é extensa e os salários baixos, personificando assim um capitalismo selvagem e desenfreado.

Com a instalação das monoculturas vieram conseqüências sérias: o esgotamento dos solos, desmatamento desenfreado e contaminação de terras, animais, mananciais e seres humanos devido ao uso constante de agrotóxicos.

Mais tarde com a inauguração da BR116 a região se integrou ao desenvolvimento nacional. Registro ficou conhecido como a “Capital do Chá”, título que permaneceu até a década de 90 com a grave crise que assola a teicultura no município.

criado por camiloaparecido    18:09 — Arquivado em: História do Município de Registro

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