Curiosidades do Vale do Ribeira e Suas Cidades

Este blog tem por finalidade mostrar as belezas naturais do Vale do Ribeira ,suas Histórias,curiosidades,lendas ,culinaria e suas Cidades : Registro-sp , Sete Barras , Eldorado ,Jacupiranga , Cajati, Pariquera-açu, Iporanga, Ribeira, Iguape etc….

14.9.08

CAPITULO II

2- A importância do Rio Ribeira

O Rio Ribeira de Iguape tem seu início no estado do Paraná e deságua em São Paulo no complexo Estuarino-Lagunar de Iguape/Cananéia, e a sua importância na história dos municípios situados às suas Margens, particularmente de Registro é incontestável.

O Rio Ribeira era até meados do século XX perfeitamente navegável; a navegação ia de Iguape até Eldorado, e Registro que inicialmente era um posto de registro do ouro, mais tarde tornou-se um porto importante para o escoamento da produção de arroz e mais recentemente passagem obrigatória para os vapores que cruzavam o rio.

Segundo (URINWK, in SILVIA e OLIVEIRA, coord, 1992) O papel do Rio Ribeira de Iguape e de alguns de seus principais afluentes foi decisivo para o desenvolvimento regional pela navegabilidade de suas águas (único meio de acesso ao interior e mesmo de comunicações locais), assim como pelas suas várzeas que, apesar da freqüência das inundações, representam as áreas planas da maior parte de sua bacia, passíveis de ocupação tanto pelos aglomerados urbanos como pela agricultura e pecuária,

Sobre a importância do Rio Ribeira, Oliveira (2002) destaca que durante muito tempo o Rio Ribeira era a única alternativa de acesso a Registro, através dos vapores de roda, ligando os municípios de Juquiá, Iguape, Jacupiranga e Eldorado, com baldeações e pernoites em embarcações. A dificuldade de comunicação com outras regiões foi um dos entraves ao desenvolvimento.

A navegação fluvial fez surgir vários artesãos especializados na construção de canoas e outras pequenas embarcações. As canoas, embarcações com nítida influência indígena eram feitas a partir de um tronco de árvore e dependendo do

tamanho podia demandar semanas de trabalho para sua construção.

A respeito das canoas destaca Laragnoit (1984) As canoas eram uma característica do Vale do Ribeira. Em todos os municípios da região os comerciantes, sitiantes, fazendeiros e criadores possuíam suas indispensáveis embarcações, que prestavam valentes serviços. Os nossos rios viviam cheios delas, de todos os tamanhos. Movidas a remo, a varejão ou a motor, eram empregadas no transporte de mercadorias e também de pessoas, tendo desempenhado relevante papel no desenvolvimento desta vasta zona

Algumas canoas eram de tamanho considerável, chegando a comportar cerca de 120 sacos de 60 quilos de arroz. As principais madeiras para a construção eram o Araribá, a Canela, o Cauvi, o Guaracuí e o Angelim.

Anos mais tarde o porto de Registro foi parada obrigatória dos famosos vapores que cortavam a região através do perfeitamente navegável Ribeira de Iguape transportando não só mercadorias como parte da produção agrícola dos municípios e povoados.

A travessia de balsa era famosa entre os habitantes. Muito antes da inauguração da BR116 e da ponte sobre o rio, chegar a Juquiá e conseqüentemente ‘subir a serra’ para São Paulo era uma verdadeira aventura. A viagem durava de 10 a 14 horas e havia a necessidade de atravessar o rio através de balsa. Nesse período final do século XIX e início do século XX todo o movimento de Registro estava às margens do Rio impulsionando o pequeno comércio da região.

2.1- Os Vapores e lanchas

A navegação de vapores e lanchas no Rio Ribeira durou mais de cem anos.

A primeira embarcação a cruzar as águas do Ribeira foi a chamada ‘Voadora’ ainda na primeira metade do século XIX. Já a primeira embarcação a inaugurar a linha Iguape-Xiririca foi a ‘Estrela’ em março de 1857.

Sobre os vapores Pedroso (1997) narra que o barco a vapor flutuava lentamente a cerca de 6 quilômetros por hora. E quando percorria os povoados chamava a atenção das crianças. Silencioso e lento encantava os pequenos que corriam para a beira do rio, acompanhando o cargueiro.

A mais importante linha fluvial regular da região foi a Companhia Fluvial Sul Paulista, transportando cereais, passageiros da própria região e os famosos caixeiros viajantes. Os vapores mais conhecidos eram o Vicente de Carvalho, Bento Martins, Juquiazinho e o Iguape.

Laragnoit (1984) afirma: Transformada em 1917 em sociedade anônima, já possuía a companhia cuja sede estava localizada em São Paulo e a gerência em Iguape – uma frota de oito vapores e outras embarcações menores. Aos vapores conforme o volume de cargas eram atracados chatões, atendendo assim, ao escoamento da produção de milho, feijão, arroz, farinha de milho e mandioca, fruta e outros produtos.

Os vapores e lanchas eram um sistema barato de transporte que foram sendo paulatinamente substituídos pelo transporte rodoviário. Nos dias atuais o leito do Rio Ribeira já está assoreado não comportando embarcações de maior porte; devido a isso os vapores permanecem na lembrança dos habitantes mais idosos do Vale do Ribeira.

criado por camiloaparecido    18:09 — Arquivado em: História do Município de Registro

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