Curiosidades do Vale do Ribeira e Suas Cidades

Este blog tem por finalidade mostrar as belezas naturais do Vale do Ribeira ,suas Histórias,curiosidades,lendas ,culinaria e suas Cidades : Registro-sp , Sete Barras , Eldorado ,Jacupiranga , Cajati, Pariquera-açu, Iporanga, Ribeira, Iguape etc….

14.9.08

CAPITULO I


1- O Início da História:  Iguape e Cananéia

Os vilarejos de Iguape e Cananéia foram fundados ainda na primeira metade do século XVI. Os dois possuíam uma posição geográfica importante: Cananéia junto ao mar e a foz do Rio Ribeira, controlando assim a navegação para o interior. Nesse período o Rio Ribeira era perfeitamente navegável até Eldorado, onde ele se tornava encachoeirado o que dificultava a passagem de embarcações de maior porte.

De acordo com Mirabelli e Vieira (1992)

Os núcleos de povoamento surgiram com a procura por metais preciosos. Com as jazidas descobertas em Paranapiacaba, a navegação aumentou no Ribeira e seus afluentes. Os povoados de Registro, Eldorado Paulista (Xiririca), Juquiá, Jacupiranga e Sete Barras estão relacionados com a procura do ouro, através das vias fluviais.

Nesse período as únicas vias de transporte que ligavam os povoados eram os caminhos utilizados por cavalos e muares, e os rios que ofereciam uma via com melhores condições para o transporte; vale salientar que o Rio Ribeira era a grande via de passagem. Por esse motivo os povoados e hoje Municípios se desenvolveram as margens dos rios Turvo, Iporanga, Jacupiranga, Juquiá e o Rio Ribeira.

Iguape e Cananéia ficavam praticamente na divisa do tratado de Tordesilhas; por esse motivo foram palco de conflitos entre Portugueses e Espanhóis disputando produtos da região e o direito de governança. Ao mesmo tempo Cananéia produzia gêneros de subsistência como a farinha de mandioca e pescado.

Enquanto no século XVII Cananéia se distinguia por sua produção de farinha e pesca, Iguape atraía cada vez mais gente em busca de ouro.

Está foi a primeira Casa da Moeda do Brasil, hoje Museu Municipal de Iguape. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992, pg. 67)

Com a decadência da exploração do ouro no século XVIII, devido aos aventureiros que migravam para Minas Gerais em busca de novas jazidas o mesmo continuou sendo explorado em menor escala e juntamente com a agricultura continuou contribuindo com o povoamento da região.

De modo geral o povoamento da Baixada do Ribeira, especialmente o das áreas mais distantes e mais afastadas dos atuais centros urbanos é resultante da penetração de colonos europeus através das vias fluviais. Depararam-se provavelmente, com população indígena, os Tupiniquins, de quem teriam assimilado as técnicas predatórias de cultivo do solo, perpetuados pela população da região (PINHO, 1964. In QUEIROZ, 1983).

No século XIX Iguape se torna um grande produtor de arroz de excelente qualidade, dispondo de muitos engenhos para beneficiamento do mesmo.

O seu porto exportava mercadorias para Santos e Rio de Janeiro através de navios do Lorde Brasileiro e navios de outras companhias. A decadência do Município ocorre após a abertura do canal do Valo Grande, desviando as águas do Ribeira de seu curso natural, causando um verdadeiro desastre ecológico e inviabilizando o Porto.

Ainda nos dias atuais é possível verificar nas cidades de Iguape e Cananéia a beleza de seus casarios e monumentos históricos retratando uma época de riqueza e prosperidade que infelizmente ficou no passado.

1.1- Origem do nome Registro

A história de Registro é recente em relação aos outros municípios do Vale do Ribeira, como Cananéia e Iguape que remontam aos séculos XVI e XVII.

O nome “Registro” tem suas origens no chamado “Porto do Registro” local onde se fazia o registro e a coleta de impostos do ouro extraído em Xiririca (atual Eldorado Paulista) ou Iporanga antes que ele chegasse a Iguape através do Rio Ribeira.

Os agentes fiscais da Coroa Portuguesa não dormiam. No alto de um morro, com ampla visão do Rio, foi instalada a Casa do Fisco, passando essa colina a ser conhecido como Morro do Espia” (Laragnoit, 1984, p.305).

O nome da cidade tem origem na exploração do ouro, no Vale do Ribeira no tempo do Brasil – Colônia.

No final do século XVII e começo do século XVIII, quando nos sertões de Iguape e Eldorado Paulista (Na época Yguape e Xiririca), centenas de aventureiros se dedicavam a mineração do ouro nos rios e córregos da região, as autoridades decidiram instalar à margem direita do Rio Ribeira de Iguape um local apropriado, um posto de registro do precioso metal e a famosa casa do Fisco “(Pedroso, 1997, p.14)

Muitos estudiosos creditam à casa do fisco a responsabilidade de Registro ter se mantido como um simples e pequeno povoado não se desenvolvendo da mesma maneira que localidades vizinhas.

A antiga casa do fisco estava localizada onde hoje está o final da Rua D. Pedro II onde pode-se chegar à Rua Miguel Aby Azar (Em frente ao Anfiteatro do complexo KKKK) por meio de uma grande escadaria.

Em comparação com as demais cidades do Vale do Ribeira, a história de Registro é bem recente. Durante séculos não passava de um inexpressivo povoado. Somente depois de passados muitos anos è que foi criado o distrito de Paz do Município de Iguape, pelo decreto – lei n.º 6665, de 17 de setembro de 1934. A demora dessa providência, segundo alguns historiadores – que já poderia ter sido tomada em época longínqua – teve como causa o temor que a ‘’casa do Fisco infundia nos canoeiros do rio Ribeira de Iguape.

Realmente, esse local não era muito simpático, principalmente aos faiscadores da região: o porto de Registro foi, mais tarde, estação obrigatória dos vapores que serviam a região. (LARAGNOIT, 1984).

Em suma, mesmo instalado num ponto estratégico às margens do Ribeira o povoado custou a se desenvolver. Conforme Oliveira (2002) a história do município começou a ser conhecida desde a instalação do porto de Registro de Ouro, onde era recolhido o dízimo cobrado por Portugal na margem direita do Rio Ribeira de Iguape.

1.2- Costumes Ribeirinhos e Caiçaras

Antes da imigração japonesa, Registro era um pequeno povoado às margens do rio Ribeira e conservava muitos costumes ribeirinhos, frutos da influência de indígenas, europeus e africanos, especialmente nas áreas rurais.

Costumes como o mutirão (ou puxirão), os fandangos e catiras, as comidas tradicionais feitas à base da mandioca como a coruja, os bolos de roda, o cuscuz e beijus faziam parte da rotina dos moradores das margens do rio Ribeira.

Vale salientar que o termo ribeirinho e caiçara são usados para classificar os moradores das regiões ribeirinhas e litorâneas, conforme atesta Queiroz (1983): Os habitantes da Baixada do Ribeira são classificados em: a) Caiçaras: são os caboclos do litoral; b) Ribeirinhos: os caboclos que vivem às margens dos rios; c) Capuavas: caboclos habitantes das serras.

criado por camiloaparecido    18:09 — Arquivado em: História do Município de Registro

1 Comentário »

  1. Comentário por Neiva — 9.11.08 @ 18:09

    Muito bom todas essas informação..

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