Comunidade Quilombola Cangume em Itaoca-SP

Postado por Camilo Aparecido | Postado em Quilombos do Vale do Ribeira | Postado dia 21-09-2008

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Comunidade Quilombola Cangume


A estrada Itaoca-Cangume, que dá acesso à comunidade, começa no Bairro do Henrique, no município de Itaoca – SP no Vale do Ribeira ,e tem uma extensão de 8 km.

O Cangume trata-se de uma comunidade de remanescentes de quilombo, hoje com 39 famílias, totalizando 200 pessoas. A partir de 1997, com a intervenção da prefeitura local, as famílias passaram a ter acesso à saúde, reduzindo consideravelmente o índice de mortalidade infantil. Esse acesso se deu principalmente com a implantação do transporte escolar, que favorece também os moradores em geral, possibilitando a ida à Itaoca para tratamento. A implantação do telefone público possibilita a chamada de socorro ao posto de saúde em caso de urgência.

A escola instalada na comunidade oferecia apenas o ensino de 1ª. a 4ª. séries até 2005, quando foi implantada também a educação infantil, para crianças de 4 a 6 anos. Para a continuidade do estudo, de 5ª. a 8ª. séries do ensino fundamental e ensino médio, os adolescentes e jovens precisam se deslocar para o bairro Pavão, a 10 km da comunidade. Para esse deslocamento, contam com o transportes escolar, oferecido pela prefeitura de Itaoca, 4 vezes por dia. Para os jovens e adultos que não tiveram oportunidade de freqüentar a escola, há um Núcleo de Alfabetização.

Histórico

A história do Cangume vem de muito tempo, por volta dos anos de 1870, quando acabou a Guerra do Paraguai, o conflito que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Entre os mais velhos da comunidade há várias histórias que explicam o nome da comunidade: uma delas fala de um negro escravo, João Cangume, que foi um dos primeiros negros que fugiram para Pinheiro Alto, que depois passou a ser chamado de Cangume.

Sobreviviam principalmente da roça de mandioca, milho, feijão e cana. Faziam “farinha de monjolo” (farinha de milho triturado no monjolo) e farinha de mandioca, que eram consumidas pelas famílias e vendidas em Itaoca. Com o caldo da cana faziam “café de garapa” (café coado com caldo de cana, que dispensa o uso de açúcar), rapadura, taiada (doce de garapa, farinha de mandioca e gengibre) e doces de frutas. Tinham pequenas criações familiares de galinha, porco e cabrito. Utilizavam os recursos naturais da região para a fabricação artesanal de utensílios: esteiras de taboa, panelas de barro, cestos, apás e peneiras de taquara de lixa. Trabalhavam em mutirão para a abertura de roças, construção de casas de pau-a-pique e para fazer a colheita.

Inicialmente de tradição católica, pouco tempo depois os moradores de Cangume se tornaram espíritas. Contam os mais velhos que em uma festa, vários dos presentes foram tomados por espíritos. Uma pessoa do município de Apiaí, presente na festa, doutrinou esses espíritos, normalizando a situação. Desde então todos se tornaram adeptos dessa religião.

Desde sua origem até os dias atuais, Cangume conseguiu manter preservados vários de seus costumes tradicionais.

A distância de Cangume com os municípios mais próximos não desanimou as autoridades municipal e estadual, que levaram até a comunidade, blocos de concreto para construção de casas de alvenaria e um salão comunitário.

Fonte Quilombolos do Ribeira

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Comentários (1)

  1. Pedro Augusto Sanches disse, Muito interessante a intervenção feita no quilombo Cangume, situado no Município de Itaoca, gostaria de fazer uma correção, a educação infantil foi implantada em 2005 por meio de uma parceria com a Organização Não Governamental "Moradia e Cidadania", mas a inclusão dos adolescentes no Ensino Fundamental II e Ensino Médio se deu em 1999, e não se pode deixar de citar o nome Marcelo Jesus, Secretário da Ação Social na época, um dos principais responsáveis por todo esse processo, pois até então, o Quilombo era totalmente isolado. Infelizmente, atualmente esse grande idealista não se encontra mais nesse Município. Gostaria muito de conseguir resgatar o contato com ele. Se alguem puder me ajudar, agradeço.

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