24.9.08
Comunidade Quilombola Galvão em Eldorado-SP
Comunidade Quilombo Galvão em Eldorado-SP
Com a maior parte de seu território no município de Eldorado (SP) e parte em Iporanga no Vale do Ribeira, o acesso à comunidade está na altura do km 41 da estrada Eldorado/Iporanga, a SP-165. Após atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, percorre-se 2,5 km em uma estrada de terra para chegar à comunidade, situada na margem esquerda do Rio Pilões.
A comunidade é formada por 33 famílias, em um total de 143 pessoas. Parte das famílias mantém a roça como atividade básica para a subsistência: feijão, arroz, milho e mandioca. Fazem também horta, cultivando alface, couve e almeirão. A maioria tem uma pequena criação de porcos e galinhas para consumo da família. Boa parte trabalha para a prefeitura e governo do estado, além de trabalhos diários em fazendas próximas.
A história do bairro Galvão está intimamente ligada à história do bairro São Pedro. Ambos formavam um único grupo de parentesco, ocupando um território inicialmente contínuo.
O início do povoamento foi em 1833 com a chegada de Bernardo Machado dos Santos, juntamente com 8 mulheres e 4 homens, os primeiros habitantes da comunidade de São Pedro. Eram escravos fugidos de uma fazenda. Por causa das perseguições que sofria, Bernardo trocou seu nome para Bernardo Furquim de França.
Para sua subsistência, desde o início, faziam roça de arroz, feijão, milho, cará, batata, mandioca, cana, banana, etc. e criavam porcos, galinhas e cavalos para o serviço e transporte. Pescavam, caçavam e coletavam cipó, taquara, palhas para construções e artesanato. Vendiam arroz, milho e feijão em Iguape, para onde desciam de canoa, e compravam sal e tecido para costurar roupas à mão.
Faziam mutirões (chamado na época de puchirão) para derrubada e roçada, colheita de arroz, milho e feijão. Neles, o dono da roça convidava outros moradores em número que dependia do tamanho da área. Como “pagamento do serviço” oferecia comida e bebida. Havia também a troca de dia, onde alguém que recebia ajuda de trabalho de um vizinho, trabalhava para ele a mesma quantidade de dias quando ele precisasse.
No início do século passado alguns moradores venderam parte de suas terras para fazendeiros. Alguns fazendeiros foram tomando mais terras do que haviam comprado, causando conflitos com os moradores tradicionais, fazendo ameaças e mortes de fato.
Em 1999 resolveram separar as duas comunidades, com associações distintas, para lutar pela terra. No mesmo ano foi fundada a associação. Em 2000 foi feito o RTC (Relatório Técnico-Científico) e no mesmo ano foi dado o reconhecimento como comunidade de remanescentes de quilombo.
criado por camiloaparecido
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