30.6.09
Delegado Seccional de Registro acredita que presídio com CDP resolve problema do Vale
A opinião do delegado Barbosa Filho é a de um técnico que vive o dia-a-dia das cadeias públicas de seis municípios do Vale do Ribeira e enfrenta periodicamente tentativas de resgate, fuga e superlotação. Na última quinta-feira, houve uma tentativa de resgate de três líderes de uma facção criminosa que estavam na cadeia de Registro por terem sido presos na região. A polícia civil conseguiu desfazer o plano que envolvia armamentos pesados e, segundo o delegado, com possibilidade de uso de explosivos.
Se o plano de resgate vingasse, certamente ocorreria fuga em massa como aconteceu no domingo, 20 de junho, em Miracatu, de onde saíram 35 presos e 29 ainda estão foragidos.
As cadeias da região são verdadeiros barris de pólvora dentro das cidades. A unidade de Iguape, com capacidade para 36 detentos, está interditada e seus ocupantes foram transferidos para Miracatu, onde a cadeia corre o risco de ser interditada a qualquer momento. Depois da fuga, restaram 96 homens em Miracatu num espaço onde cabem 48.
Em Juquiá há 38 presos, dez a mais do que a cadeia comporta. Em Registro, são 119 detentos numa unidade onde deveriam ter 84 e, em Sete Barras, a situação é razoável: são 28 homens, apenas quatro a mais do que a capacidade da cadeia. Apesar da superlotação, há prisões todos os dias. Em dois meses, tempo em que Barbosa Filho assumiu a Seccional de Registro, ocorreram 160 prisões.
São rotineiras as tentativas de fuga. Em Registro, há mais ou menos quinze dias a polícia descobriu um túnel por onde os presos tentariam escapar. “Na verdade, toda semana há tentativa de fuga em Registro e em Miracatu. Isso acontece porque os presos estão em locais inadequados”, informa o delegado Barbosa Filho.
As cadeias públicas, anexas às delegacias do Vale, são frágeis pois foram construídas há mais de trinta anos. Após cada tentativa de fuga há despesa para o Estado para tapar buracos e deslocar policiais e viaturas para a captura. Há recursos para reformar as cadeias, no entanto, não há onde colocar os presos.
As remoções de presos, praticamente semanais, é outro escoadouro para os impostos pagos pelos cidadãos paulistas. Para cada viagem, a maioria para a região de Presidente Prudente, que concentra maior número de presídios, é disponibilizada de três a quatro viaturas e entre seis e oito policiais, o que significa também gastos e, mais que isso, o deslocamento de policiais de sua base de atuação.
“A cadeia não tem que existir. O lugar certo é o CDP e, aí sim, o Código de Execuções Penais estará sendo cumprido. Cadeia é exceção. Se o deputado Samuel e os prefeitos da região conseguirem o sistema híbrido, aí sim, será fantástico porque é o que todo mundo gostaria que tivesse há muito tempo”, analisa o delegado. Segundo ele, com a desativação das cadeias, pelo menos 40 policias, na Seccional de Registro, voltarão a trabalhar na rotina da segurança pública da região já que atualmente cuidam de presos.
Barbosa Filho lembra, ainda, que tanto o CDP como o presídio têm estrutura para atendimento médico e odontológico e esse é outro custo que o município deixará de ter pois, atualmente, quando um preso necessita de médico, o atendimento precisa ser imediato. “O sistema híbrido acaba com o transporte de presos. O cara saí de uma porta e entra em outra, sem precisar de transporte, escolta, nada disso. Acho que é uma solução. É colocar ovo em pé”, diz o delegado seccional, considerando que esse modelo poderá ser adotado em todo o Estado de São Paulo.
Os prefeitos do Codivar e o deputado Samuel Moreira propõem, ainda, que esse sistema híbrido seja exclusivamente para os presos do Vale do Ribeira, e que sejam destinadas 325 vagas para o presídio e 325 para o CDP. E, segundo o governo do Estado, esse é exatamente o princípio da regionalização e por isso serão construídos presídios em todas as regiões.
Trabalho preventivo – Barbosa Filho pretende, nos próximos dias, conversar com a diretoria da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Registro (Aciar) sobre a necessidade de realizar um trabalho preventivo, com implantação de câmeras em pontos estratégicos da cidade, para prevenir assaltos e inibir a ação de bandidos pois houve aumento no número de assaltos no comércio. Ele recomenda também que os comerciantes instalem câmeras em seus estabelecimentos.
criado por camiloaparecido
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