30.6.09
Vale do Ribeira deixará de perder R$ 50 milhões por ano com venda de banana a peso”
Vale do Ribeira deixará de perder R$ 50 milhões por ano com venda de banana a peso"
O presidente da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), Marc Pierre Medaets, faz uma conta rápida e conclui o tamanho do benefício que resultará da lei que padroniza a venda da bana a peso: “Os produtores deixarão de perder R$ 50 milhões por ano”, afirma. A perda, explica ele, equivale à quantidade que os intermediários levam da fruta ´sem pagar`, ao utilizarem as chamadas caixas-camelo, que suportam até 8 kg a mais que os 22 kg previstos na caixa comum. Como a comercialização não tem padrão, paga-se pela caixa cheia, sem que o peso do produto adquirido seja considerado.
Foto: Produtores reunidos em Registro: Vale é responsável por 90% da produção estadual de banana.
“Os maiores beneficiados serão os pequenos produtores”, diz Marc Medaets, referindo-se àqueles que têm até 10 hectares plantados, somam 3,5 mil bananicultores e representam 40% da categoria na região. Segundo Marc, 80% da economia do Vale do Ribeira é centrada na bananicultura. A região é responsável por 90% da produção estadual da fruta. São 36 mil hectares plantados que produzem 75 milhões de toneladas de frutas por mês.
A Abavar emitiu nota pública de agradecimento ao deputado estadual Samuel Moreira, autor da lei que padroniza o comércio da banana a peso, recentemente regulamentada pelo governador José Serra. O cumprimento da legislação começa a ser fiscalizado em setembro. A venda por dúzia poderá continua a ser realizada, mas o vendedor é obrigado a informar o consumidor, em local visível, o preço do quilo do produto, para que ele possa comparar e ter clareza da quantidade que está comprando. Na terça-feira, 23, a Abavar discutiu formas de esclarecer produtores e consumidores.
Marc calcula que o produtor, individualmente, terá uma rentabilidade em torno de 20%. “Se a pessoa tem melhor rentabilidade consegue, no mínimo, pagar melhor seu empregado. Esse será um dinheiro que ficará na região”, afirma o presidente da associação, explicando que os grandes produtores não tinham essa perda, pois têm maior poder de negociação. “No Vale do Ribeira, somos todos a favor da lei porque é justa e correta”, diz Marc, lembrando que há mais de 15 anos os supermercados vendem a fruta por quilo. Supermercados e varejões representam 80% da venda no varejo da banana.
Marc Medaets avalia que na medida em que tiver maior rentabilidade, o produtor terá também mais cuidado com o bananal e, assim, diminuirá a necessidade de pulverização e a quantidade de esporas da Sigatoka Negra no ar. A Sigatoka Negra é uma doença que ataca os bananais.
O diretor financeiro da Abavar, Jeferson Reginaldo Magário, por sua vez, observa que a venda por quilo trará mais segurança ao consumidor, porque ele saberá a origem da banana em qualquer lugar onde comprá-la. Atualmente apenas as grandes redes de supermercados exigem informações sobre a origem da fruta, inibindo o uso de produtos proibidos na pulverização do bananal. “Nós não temos conhecimento que isso ocorra, mas pode acontecer”, diz Jéferson. Ele ressalta, ainda, que a organização dos produtores foi fundamental para que o deputado Samuel Moreira elaborasse a lei e mantém expectativa de que isso reflita na ampliação de quadros na Abavar.
Para o presidente do Sindicato Rural Patronal, José de Paula Teixeira, o Betico, tudo que os bananicultores compram para aplicar na produção é vendido por quilo ou litro. “Por que tínhamos que vender caixa cheia?”, indaga. “Tinha uma distorção que a lei do deputado Samuel corrigiu”, completa. Segundo Betico, “tudo é uma corrente: se o patrão vai bem tem tudo para o emprego ir bem”.


criado por camiloaparecido
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