Pesquisa resgata história do município de Registro

Postado por Camilo Aparecido | Postado em História do Município de Registro | Postado dia 14-09-2008

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Introdução

O presente trabalho procura através da pesquisa e da associação da mesma à prática realizada escolar, com alunos do pré III (Educação Infantil) divulgar a história do nosso município nos mais variados aspectos: econômico, social, político e principalmente resgatando os valores culturais tradicionais. É importante que as crianças desde cedo conheçam estes aspectos e aprendam a valorizar nossa história e disseminem o conhecimento , visto que os habitantes da região conhecem muito pouco da tradição e cultura ribeirinha. Espera-se comprovar que é possível trabalhar com êxito a historia do município desde a mais tenra idade dos educandos resgatando a memória das nossas tradições culturais, disseminando os valores culturais do município, em seus aspectos sociais, ambientais e econômicos, despertando o prazer de conhecer e atuar no educando, através dos seguintes objetivos:

Resgatar a historia do município de Registro
Valorização da cultura regional, desmistificando preconceitos.
Resgatar palavras e expressões regionais.
Divulgar pontos turísticos, crenças, e tradições do município de Registro.
Preservar o patrimônio artístico e cultural da região.
Em suma conhecer a história, as tradições e os aspectos culturais do local onde se vive é o primeiro passo para se estabelecer um sentimento de respeito e preservação do patrimônio do município.

O Eixo Natureza E Sociedade (Referencial Curricular Da Educação Infantil) visa estabelecer relações coerentes entre a realidade vivida pelas crianças, levando em conta seu meio social, o saberes culturalmente arraigados e a percepção própria da idade das mesmas.

O trabalho tem por objetivo propiciar experiências que possibilitem às crianças diferenciar progressivamente as explicações oriundas do senso comum e dos conhecimentos científicos.

Num primeiro momento realizou-se uma ampla pesquisa documental e bibliografia, dando especial destaque aos autores oriundos da região, moradores antigos do município de Registro e outros estudiosos e historiadores, também foram pesquisados documentos de órgãos oficiais que relatam aspectos importantes. Desde os primórdios do ciclo do ouro, a importância do Rio Ribeira, a agricultura, a contribuição de primaz importância da colônia Japonesa para o progresso do povoado, além de fatos relevantes como a inauguração da BR 116, a passagem do guerrilheiro Lamarca pelo Vale do Ribeira e a implantação da UNESP em Registro, a cultura ribeirinha, os mutirões, comidas típicas, a vida em sociedade rural e suas especificidades foram alvos das pesquisas realizadas e posteriormente apresentadas às crianças de forma lúdica e prazerosa. Evidenciando uma forma a história social e cultural de um povo, as miscigenações étnicas e a importância dos movimentos migratórios possibilitaram aos alunos compreender as diversas experiências vividas por esses habitantes.

Após a fase de organização e pesquisa do material bibliográfico e a posterior adaptação do mesmo à faixa etária das crianças, apresentaremos mapas e plantas da cidade, exposição de fotos antigas e atuais da cidade estabelecendo diferenças. Audição de contos tradicionais ou historia de personagens folclóricos. Pesquisa com os pais sobre a cidade. Realização de desenhos e maquete de lugares significativos da cidade. Visitação de pontos turísticos da cidade.
 

Trabalho de Pesquisa TCC desenvolvido pelas alunas do Curso de Pedagogia Cidadã pela UNESP e professoras da Rede Municipal de Ensino de Registro .

 ELISANGELA  ,         LUIZA         E           LUCELMA


Professora Elisângela Maria Xavier atua na EMEI Chapeuzinho Vermelho Vila São Francisco

Professora Lucelma Aparecida Camillo Rigante atua na EMEI Balãozinho Vermelho Cecap

Professora Luiza Aparecida de Souza atua na EMEI Cantinho da Alegria Jardim Ipanema

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O objetivo principal dessa pesquisa foi divulgar a história do município de Registro através dos mais variados aspectos: econômico, social, político e principalmente os ricos valares das culturas ribeirinha e nipônica que estão presentes em nosso cotidiano. É primordial que as crianças desde cedo conheçam esses aspectos, valorizando-os e inclusive atuando como disseminadores desses conhecimentos, pois ao apropriar-se culturalmente dos valores e tradições de seu grupo social é possível estabelecer entre os educandos um sentimento de respeito e preservação do patrimônio do município.

É fato que as crianças nessa faixa etária estabelecem seu raciocínio a fatos e elementos concretos e sua noção de tempo e espaço está sendo construída de acordo com a fase de desenvolvimento de sua cognição. Propor atividades relacionadas ao tema, desafiadoras e lúdicas, respeitando ao mesmo tempo o interesse e a capacidade dos alunos, foi um grande desafio para que a aprendizagem ocorresse de forma significativa. A trajetória da Educação Municipal de Registro poderá ser vista em três momentos diferentes, já que nós as autoras do trabalho fazemos parte de três gerações distintas: a luta do inicio, as mudanças educacionais e a municipalização.

Conhecer sua comunidade, sua cidade as tradições orais, as características históricas e geográficas de nossa região estabelece ligações entre o educando e sua consciência como cidadão ético e moral, é a passagem da heteronomia para a autonomia objetivo principal da educação infantil.

No 1º capítulo são apresentadas as origens de dois municípios importantes Cananéia e Iguape e suas ligações com Registro além da origem do nome do povoado.

No 2º capítulo são apresentadas as tradições culturais da região: danças e músicas típicas, a comida regional além da religiosidade do povo ribeirinho.

No 3º capítulo destaca-se a importância do Rio Ribeira para o povoamento e desenvolvimento da região.

No 4º capítulo faz-se um relato histórico da colonização japonesa no município e suas contribuições para o desenvolvimento do mesmo.

No 5º capítulo destaca-se a emancipação política de Registro bem como um breve relato da trajetória dos prefeitos e seus mandatos.

No 6º capítulo relata-se o desenvolvimento da economia do município a partir da década de 60 e as influências causadas pelas construção da BR 116 e a passagem do guerrilheiro Lamarca pela região.

No 7º capítulo delineia-se um panorama do universo cultural, quantizando a miscigenação entre a influência nipônica e ribeirinha. Destacam-se também a evolução da educação municipal e a implantação da UNESP em Registro.

No 8ª capítulo são apresentados os aspectos econômicos e políticos na atualidade e o destaque do município de Registro como sede da Região do Vale do Ribeira.

Na 2ª parte:

Destaque da fundamentação teórica e os principais autores que permearam a pesquisa.
Relato do desenvolvimento do trabalho junto as crianças da Educação Infantil durante o ano letivo de 2007.
Reflexão dos resultados obtidos após o final dos trabalhos.
Considerações finais.

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CAPITULO I


1- O Início da História:  Iguape e Cananéia

Os vilarejos de Iguape e Cananéia foram fundados ainda na primeira metade do século XVI. Os dois possuíam uma posição geográfica importante: Cananéia junto ao mar e a foz do Rio Ribeira, controlando assim a navegação para o interior. Nesse período o Rio Ribeira era perfeitamente navegável até Eldorado, onde ele se tornava encachoeirado o que dificultava a passagem de embarcações de maior porte.

De acordo com Mirabelli e Vieira (1992)

Os núcleos de povoamento surgiram com a procura por metais preciosos. Com as jazidas descobertas em Paranapiacaba, a navegação aumentou no Ribeira e seus afluentes. Os povoados de Registro, Eldorado Paulista (Xiririca), Juquiá, Jacupiranga e Sete Barras estão relacionados com a procura do ouro, através das vias fluviais.

Nesse período as únicas vias de transporte que ligavam os povoados eram os caminhos utilizados por cavalos e muares, e os rios que ofereciam uma via com melhores condições para o transporte; vale salientar que o Rio Ribeira era a grande via de passagem. Por esse motivo os povoados e hoje Municípios se desenvolveram as margens dos rios Turvo, Iporanga, Jacupiranga, Juquiá e o Rio Ribeira.

Iguape e Cananéia ficavam praticamente na divisa do tratado de Tordesilhas; por esse motivo foram palco de conflitos entre Portugueses e Espanhóis disputando produtos da região e o direito de governança. Ao mesmo tempo Cananéia produzia gêneros de subsistência como a farinha de mandioca e pescado.

Enquanto no século XVII Cananéia se distinguia por sua produção de farinha e pesca, Iguape atraía cada vez mais gente em busca de ouro.

Está foi a primeira Casa da Moeda do Brasil, hoje Museu Municipal de Iguape. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992, pg. 67)

Com a decadência da exploração do ouro no século XVIII, devido aos aventureiros que migravam para Minas Gerais em busca de novas jazidas o mesmo continuou sendo explorado em menor escala e juntamente com a agricultura continuou contribuindo com o povoamento da região.

De modo geral o povoamento da Baixada do Ribeira, especialmente o das áreas mais distantes e mais afastadas dos atuais centros urbanos é resultante da penetração de colonos europeus através das vias fluviais. Depararam-se provavelmente, com população indígena, os Tupiniquins, de quem teriam assimilado as técnicas predatórias de cultivo do solo, perpetuados pela população da região (PINHO, 1964. In QUEIROZ, 1983).

No século XIX Iguape se torna um grande produtor de arroz de excelente qualidade, dispondo de muitos engenhos para beneficiamento do mesmo.

O seu porto exportava mercadorias para Santos e Rio de Janeiro através de navios do Lorde Brasileiro e navios de outras companhias. A decadência do Município ocorre após a abertura do canal do Valo Grande, desviando as águas do Ribeira de seu curso natural, causando um verdadeiro desastre ecológico e inviabilizando o Porto.

Ainda nos dias atuais é possível verificar nas cidades de Iguape e Cananéia a beleza de seus casarios e monumentos históricos retratando uma época de riqueza e prosperidade que infelizmente ficou no passado.

1.1- Origem do nome Registro

A história de Registro é recente em relação aos outros municípios do Vale do Ribeira, como Cananéia e Iguape que remontam aos séculos XVI e XVII.

O nome “Registro” tem suas origens no chamado “Porto do Registro” local onde se fazia o registro e a coleta de impostos do ouro extraído em Xiririca (atual Eldorado Paulista) ou Iporanga antes que ele chegasse a Iguape através do Rio Ribeira.

Os agentes fiscais da Coroa Portuguesa não dormiam. No alto de um morro, com ampla visão do Rio, foi instalada a Casa do Fisco, passando essa colina a ser conhecido como Morro do Espia” (Laragnoit, 1984, p.305).

O nome da cidade tem origem na exploração do ouro, no Vale do Ribeira no tempo do Brasil – Colônia.

No final do século XVII e começo do século XVIII, quando nos sertões de Iguape e Eldorado Paulista (Na época Yguape e Xiririca), centenas de aventureiros se dedicavam a mineração do ouro nos rios e córregos da região, as autoridades decidiram instalar à margem direita do Rio Ribeira de Iguape um local apropriado, um posto de registro do precioso metal e a famosa casa do Fisco “(Pedroso, 1997, p.14)

Muitos estudiosos creditam à casa do fisco a responsabilidade de Registro ter se mantido como um simples e pequeno povoado não se desenvolvendo da mesma maneira que localidades vizinhas.

A antiga casa do fisco estava localizada onde hoje está o final da Rua D. Pedro II onde pode-se chegar à Rua Miguel Aby Azar (Em frente ao Anfiteatro do complexo KKKK) por meio de uma grande escadaria.

Em comparação com as demais cidades do Vale do Ribeira, a história de Registro é bem recente. Durante séculos não passava de um inexpressivo povoado. Somente depois de passados muitos anos è que foi criado o distrito de Paz do Município de Iguape, pelo decreto – lei n.º 6665, de 17 de setembro de 1934. A demora dessa providência, segundo alguns historiadores – que já poderia ter sido tomada em época longínqua – teve como causa o temor que a ‘’casa do Fisco infundia nos canoeiros do rio Ribeira de Iguape.

Realmente, esse local não era muito simpático, principalmente aos faiscadores da região: o porto de Registro foi, mais tarde, estação obrigatória dos vapores que serviam a região. (LARAGNOIT, 1984).

Em suma, mesmo instalado num ponto estratégico às margens do Ribeira o povoado custou a se desenvolver. Conforme Oliveira (2002) a história do município começou a ser conhecida desde a instalação do porto de Registro de Ouro, onde era recolhido o dízimo cobrado por Portugal na margem direita do Rio Ribeira de Iguape.

1.2- Costumes Ribeirinhos e Caiçaras

Antes da imigração japonesa, Registro era um pequeno povoado às margens do rio Ribeira e conservava muitos costumes ribeirinhos, frutos da influência de indígenas, europeus e africanos, especialmente nas áreas rurais.

Costumes como o mutirão (ou puxirão), os fandangos e catiras, as comidas tradicionais feitas à base da mandioca como a coruja, os bolos de roda, o cuscuz e beijus faziam parte da rotina dos moradores das margens do rio Ribeira.

Vale salientar que o termo ribeirinho e caiçara são usados para classificar os moradores das regiões ribeirinhas e litorâneas, conforme atesta Queiroz (1983): Os habitantes da Baixada do Ribeira são classificados em: a) Caiçaras: são os caboclos do litoral; b) Ribeirinhos: os caboclos que vivem às margens dos rios; c) Capuavas: caboclos habitantes das serras.

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CAPITULO II

2- A importância do Rio Ribeira

O Rio Ribeira de Iguape tem seu início no estado do Paraná e deságua em São Paulo no complexo Estuarino-Lagunar de Iguape/Cananéia, e a sua importância na história dos municípios situados às suas Margens, particularmente de Registro é incontestável.

O Rio Ribeira era até meados do século XX perfeitamente navegável; a navegação ia de Iguape até Eldorado, e Registro que inicialmente era um posto de registro do ouro, mais tarde tornou-se um porto importante para o escoamento da produção de arroz e mais recentemente passagem obrigatória para os vapores que cruzavam o rio.

Segundo (URINWK, in SILVIA e OLIVEIRA, coord, 1992) O papel do Rio Ribeira de Iguape e de alguns de seus principais afluentes foi decisivo para o desenvolvimento regional pela navegabilidade de suas águas (único meio de acesso ao interior e mesmo de comunicações locais), assim como pelas suas várzeas que, apesar da freqüência das inundações, representam as áreas planas da maior parte de sua bacia, passíveis de ocupação tanto pelos aglomerados urbanos como pela agricultura e pecuária,

Sobre a importância do Rio Ribeira, Oliveira (2002) destaca que durante muito tempo o Rio Ribeira era a única alternativa de acesso a Registro, através dos vapores de roda, ligando os municípios de Juquiá, Iguape, Jacupiranga e Eldorado, com baldeações e pernoites em embarcações. A dificuldade de comunicação com outras regiões foi um dos entraves ao desenvolvimento.

A navegação fluvial fez surgir vários artesãos especializados na construção de canoas e outras pequenas embarcações. As canoas, embarcações com nítida influência indígena eram feitas a partir de um tronco de árvore e dependendo do

tamanho podia demandar semanas de trabalho para sua construção.

A respeito das canoas destaca Laragnoit (1984) As canoas eram uma característica do Vale do Ribeira. Em todos os municípios da região os comerciantes, sitiantes, fazendeiros e criadores possuíam suas indispensáveis embarcações, que prestavam valentes serviços. Os nossos rios viviam cheios delas, de todos os tamanhos. Movidas a remo, a varejão ou a motor, eram empregadas no transporte de mercadorias e também de pessoas, tendo desempenhado relevante papel no desenvolvimento desta vasta zona

Algumas canoas eram de tamanho considerável, chegando a comportar cerca de 120 sacos de 60 quilos de arroz. As principais madeiras para a construção eram o Araribá, a Canela, o Cauvi, o Guaracuí e o Angelim.

Anos mais tarde o porto de Registro foi parada obrigatória dos famosos vapores que cortavam a região através do perfeitamente navegável Ribeira de Iguape transportando não só mercadorias como parte da produção agrícola dos municípios e povoados.

A travessia de balsa era famosa entre os habitantes. Muito antes da inauguração da BR116 e da ponte sobre o rio, chegar a Juquiá e conseqüentemente ‘subir a serra’ para São Paulo era uma verdadeira aventura. A viagem durava de 10 a 14 horas e havia a necessidade de atravessar o rio através de balsa. Nesse período final do século XIX e início do século XX todo o movimento de Registro estava às margens do Rio impulsionando o pequeno comércio da região.

2.1- Os Vapores e lanchas

A navegação de vapores e lanchas no Rio Ribeira durou mais de cem anos.

A primeira embarcação a cruzar as águas do Ribeira foi a chamada ‘Voadora’ ainda na primeira metade do século XIX. Já a primeira embarcação a inaugurar a linha Iguape-Xiririca foi a ‘Estrela’ em março de 1857.

Sobre os vapores Pedroso (1997) narra que o barco a vapor flutuava lentamente a cerca de 6 quilômetros por hora. E quando percorria os povoados chamava a atenção das crianças. Silencioso e lento encantava os pequenos que corriam para a beira do rio, acompanhando o cargueiro.

A mais importante linha fluvial regular da região foi a Companhia Fluvial Sul Paulista, transportando cereais, passageiros da própria região e os famosos caixeiros viajantes. Os vapores mais conhecidos eram o Vicente de Carvalho, Bento Martins, Juquiazinho e o Iguape.

Laragnoit (1984) afirma: Transformada em 1917 em sociedade anônima, já possuía a companhia cuja sede estava localizada em São Paulo e a gerência em Iguape – uma frota de oito vapores e outras embarcações menores. Aos vapores conforme o volume de cargas eram atracados chatões, atendendo assim, ao escoamento da produção de milho, feijão, arroz, farinha de milho e mandioca, fruta e outros produtos.

Os vapores e lanchas eram um sistema barato de transporte que foram sendo paulatinamente substituídos pelo transporte rodoviário. Nos dias atuais o leito do Rio Ribeira já está assoreado não comportando embarcações de maior porte; devido a isso os vapores permanecem na lembrança dos habitantes mais idosos do Vale do Ribeira.

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2.2- A Imigração japonesa

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao vale do Ribeira em 1913, com a finalidade de trabalhar na agricultura na chamada colônia Katsura, hoje chamado bairro Jipuvira, em Iguape.

Foi com a implantação da Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (companhia ultramarina de Implementos S.A.) que os primeiros colonos japoneses estabeleceram-se em Registro em uma área de terras devolutas a chamada ‘colônia do Registro’, cultivando arroz e mais tarde banana e chá.

Laragnoit (1983) sobre a instalação dos colonos em Registro relata o seguinte.

A Kaigai construiu nas proximidades do porto um hotel e um clube, destinado aos recém chegados, e mais tarde foi edificada uma escola. A seguir os proprietários rurais começaram a construir suas casas na futura área urbana. Muitos deles, mais tarde, mudaram de profissão. Surgiram então casas comerciais, hotéis, pequenas indústrias e decorridos alguns anos, as usinas de chá.

E assim o pequeno povoado de Registro prosperou com a chegada e o estabelecimento dos imigrantes japoneses. Contudo as condições de vida e trabalho desses homens e mulheres eram extremamente difíceis. Fotos antigas e relato de moradores idosos relatam as dificuldades enfrentadas pelos colonos sem conhecerem a língua, os costumes do povo ribeirinho.

No início preconceitos e desavenças entre representantes de povos tão diferentes foram inevitáveis.

A companhia KKKK garantiu algumas condições de assentamento para os imigrantes, contudo também era uma empresa monopolista, intermediária que era no processo de comercialização da produção agrícola, levando muitos imigrantes japoneses a se tornarem devedores em seus entrepostos.

No entanto surgem alguns proprietários japoneses que conseguem prosperar sobrevivendo à crise econômica conforme relatam Mirabelli e Vieira (1992).

Ao lado do caipira da região e do latifundiário surge a figura do pequeno proprietário japonês, que gradativamente adquire as propriedades dos caipiras endividados, passando a empregá-los como assalariados, diaristas ou meeiros. Esses imigrantes tornam-se assim, produtores de médio porte e alguns conseguem sobreviver à situação de crise econômica que se instala na região.

O período em que ocorreu a 2º guerra mundial foi de muitas dificuldades para os japoneses, escolas japonesas foram fechadas, alguns professores presos e muitos nipônicos foram perseguidos. Os ribeirinhos não entendiam os seus costumes como reverenciar os mortos, as cerimônias religiosas e os hábitos alimentares.

Porém a partir de 1940 é iniciado o 2º período de investimentos da KKKK na região, segundo Mirabelli e Vieira (1992):

Superando os fracassos do período anterior, ela começa uma nova fase de colonização, desta vez auxiliada pela pequena recuperação econômica representada pela banana e pela expansão da produção do chá.

O cultivo do chá foi importantíssimo para o desenvolvimento de Registro. O chá preto, do tipo Assan foi contrabandeado do Ceilão pelo Senhor Torazo Okamoto, suas sementes foram trazidas dentro de um filão de pão. Já em 1935 Registro produzia cerca de 30 toneladas do produto abastecendo pequenas fábricas que se instalaram na região.

Por muitos anos Registro recebeu o nome de “Capital do chá”, título esse complementado pelo “Capital do Vale do Ribeira” por ter se tornado um Pólo Regional, em grande parte devido à colaboração e o trabalho da comunidade nipônica.

2.3- A Igreja matriz / CENTRO VELHO

O assentamento da pedra fundamental para a construção da futura igreja matriz (hoje catedral) no dia 19 de julho de 1925, na festa de Santo Elias.

A Colônia japonesa contribuiu grandemente pela construção da igreja e a sua inauguração aconteceu em 11 de maio de 1933. Em virtude da influência japonesa o padroeiro de Registro é São Francisco Xavier, jesuíta espanhol que a partir de 1542 evangelizou grande parte da Ásia (Índia, Malásia e Japão), convertendo boa parte da população da Ásia e foi a canonização em 1622.

Apesar dos imigrantes serem de outras religiões que não a cristã, a construção da igreja matriz evidencia o envolvimento e a adaptação dos mesmos à sociedade e cultura local. Ao mesmo tempo em que a cultura nipônica está arraigada em nossa população eles também foram influenciados pelos ribeirinhos.

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2.4- O KKKK

Em 1912 o governo do Estado de São Paulo, representado pelo então governador Albuquerque Lins, e o sindicato de Tóquio firmaram um convênio para ampliar a colonização japonesa e autorizar o funcionamento de uma companhia de beneficiamento e estocagem de arroz na Vila de Registro. O Estado doava com essa parceria 50 mil hectares de terra para serem distribuídos entre 2 mil famílias japonesas para o cultivo agrícola.

Em 1913 a empresa de imigração japonesa “Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha” instalou a colônia Katsura em Jiporuva, Iguape. O nome Katsura foi dado em homenagem ao primeiro Ministro do Japão Sr. Iaro Katsura. Em 1917 foi instalada a colônia de Registro. Convêm salientar que apesar de Registro ter recebido o título de “Berço da Imigração Japonesa” os primeiros colonos se estabeleceram em Iguape. Posteriormente foram instalados núcleos colonizadores no Bairro Quilombo em Sete Barras e em Juquiá.

Em 1913 nascia em Tóquio (Japão) a Companhia Ultramarina de desenvolvimento, Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (que significam respectivamente: Outra Nação, Sociedade Anônima e Companhia) com o objetivo de apoiar e instrumentalizar os colonizadores japoneses que partiam para o Brasil, mas especificamente para Registro.

Em 1919 a empresa KKKK incorporou a empresa de imigração japonesa Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha, passando a administrar as colônias de Iguape, Sete Barras, Bairro Rio Quilombo e Juquiá, orientando e supervisionando todo o trabalho desenvolvido nas mesmas como: os cafezais, a pecuária, a criação de bicho da seda, campos de experiência, mantendo ainda escritório administrativo, posto médico, farmácia, departamentos de vendas, equipe de agrimensores, além de construir o maior engenho de beneficiamento de arroz da América do Sul na época.

A construção do conjunto arquitetônico KKKK teve início em 1919, e era composto por 4 armazéns com mais de dois mil metros quadrados e um edifício com instalações de engenho de beneficiamento de arroz. Apesar de ser um marco da imigração japonesa o edifício tem pouco a ver com a arquitetura nipônica, que inclusive inspirou muita das construções ao redor do complexo no mesmo período.

O projeto original teria vindo do Japão, contudo evidencia a típica arquitetura inglesa do início do século XX que se utilizava dos tijolos e telhas de barro, material abundante devido á produção oleira no Vale do Ribeira. A estrutura de ferro que sustenta o prédio foi importada da Inglaterra assim como a máquina de beneficiamento de arroz com a capacidade de produção de 14,400kg (240 sacos) de arroz por dia.

Durante a 2º Guerra Mundial, em 1939 o KKKK teve suas atividades suspensas no Brasil.

Sobre esse período Pedroso relata:

“Um pouco mais tarde foi implantado em Registro a Kaigai Kogyo kabushiki Kaisha (KKKK), constituindo-se então a Companhia Ultramarina de Empreendimentos Sociedade Anônima, com objetivo de incrementar a colonização japonesa de Registro, Sete Barras e Juquiá (…). Foi cedida à Companhia uma boa área de terras devolutas, onde os recém chegados imigrantes poderiam trabalhar. O núcleo ficou conhecido como “Colônia de Registro” expandindo-se então as colônias instaladas na região.

Os japoneses tentaram desenvolver diversas culturas, inclusive a do arroz, mas o que prevaleceu mesmo foi a do chá, depois a da banana.

Ainda sobre o término das atividades da KKKK em Registro, Oliveira destaca:

“A empresa KKKK entrou em processo de liquidação devido à entrada do Brasil na 2º guerra Mundial, e o imóvel teve que ser penhorado em garantia de dívida trabalhista para com o Sr.Eiro Hirota. Durante esse processo, o prédio foi vendido irregularmente a três compradores e acabou pertencendo judicialmente à professora Nicéia Hirota mãe do vereador Nilton José Hirota da Silva, na qualidade de herdeira sucessora de Eiro Hirota, falecido em 1987.

Após a 2º Guerra Mundial no período de 1954 até 1989, o Sr. Shigueru Fukuda trabalhou com beneficiamento de arroz já com uma nova máquina de fabricação nacional denominada “Máquina Zacharia”.

O prédio do KKKK, pela sua importância histórica e arquitetônica foi tombado em 1987 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de são Paulo (Condephaat).

Em 1990 a prefeitura de Registro desapropriou o conjunto arquitetônico sendo declarado pelo decreto nº174 de 1990, do então prefeito o Sr. Valdir Moraes como de utilidade pública. Em 1996 o prédio foi repassado à Secretaria da Educação para um projeto em conjunto. No entanto todo o patrimônio histórico sofreu muito a ação do tempo. Somente em 1999 iniciou-se a sua restauração através de empresa especializada, mantendo ao máximo as características originais, desde os tijolos aparentes, as janelas e portas em formato de arco e a estrutura inglesa.

Foram construídos um anfiteatro e um “piscinão” evitando que as cheias do Rio Ribeira invadam a construção.

Desde então o KKKK se tornou um centro irradiador de cultura para toda a região do Vale do Ribeira abrigando o museu da Imigração Japonesa e o museu da Mata Atlântica (este último organizado pela UNESP) além de ser palco de inúmeros eventos como exposições, palestras, cursos, mesas redondas e seminários, além de apresentações culturais em geral.

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2.5 – A Agricultura

(Registro – A capital do chá)

O arroz foi durante muitos anos a base da agricultura na região do Vale do Ribeira e em Registro, devido principalmente à geografia da região, rica em mangues, várzeas, charques e brejos.

Com a decadência da cultura do arroz em toda a região muitos pequenos agricultores voltaram a praticar uma agricultura de subsistência, com cereais e verduras, além da criação de porcos e galinhas para a sustentabilidade da família e um pequeno comércio, principalmente à base de troca, no início do século XX.

Os imigrantes japoneses além do cultivo de arroz, plantaram café, banana, verduras e legumes em geral e o chá preto.

Nesse período surge o médio produtor rural, em geral poucas famílias japonesas que conseguem fixar-se na região com sucesso, ao mesmo tempo em que grande parte da população acompanha o processo de ruralização depauperando-se cada vez mais. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992)

A banana já era cultivada na região graças ao solo e clima próprio, contudo esse cultivo gerava baixa produtividade e dificuldades de comercialização por ser feita na grande maioria das vezes em pequena escala e de forma rudimentar no tocante à tecnologia agrícola.

Porém devido ao aumento do mercado consumidor pelo processo de urbanização e crescimento da classe operária em São Paulo (consumidora de produtos de baixo preço, entre eles a banana) a produção agrícola da região passa a ser absorvida por esse mercado consumidor.

Já o chá, introduzido na região através de sementes contrabandeadas por Torazo Okamoto, era um produto consumido pelos imigrantes da região e posteriormente pelas elites do Rio de Janeiro e São Paulo.

No período de 1935 a 1945 60% do chá produzido no Brasil era oriundo de Registro, sendo o restante de Minas Gerais.

Nesse período surge a agroindústria do chá, composta por oito pequenas fábricas e cerca de 300 produtoras, através de um sistema manufatureiro, predominando o trabalho domiciliar. (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

As condições, além de um mercado consumidor receptivo aos produtos regionais, que viabilizaram o incremento do comércio foram a urbanização e concentração demográfica, a melhoria dos transportes fluviais e a construção da ferrovia Santos – Juquiá e os esforços pela abertura de estradas.

Esse crescimento assim como em todo o país gerou, contudo uma crescente concentração de renda nas mãos de poucos produtores.

Sobre esse período é importante destacar que “De 1939 a 1945, a expansão da plantação do chá se deve principalmente às possibilidades de utilização de máquinas importadas do Japão e o que ocorre através da KKKK e apenas os grandes produtores tem condições para sua aquisição” (MIRABELLI e VIEIRA, 1992).

A década de 50 representa para Registro e toda a região a passagem para o processo de capitalismo industrial com a diminuição das pequenas lavouras temporárias e de subsistência, o aumento das culturas permanentes e monoculturas, e o crescimento da produção predominantemente mercantil.

Surgem então as empresas beneficiadoras de chá controladas pelo capital nipônico, representando uma mudança tanto no panorama agrícola quanto social. São necessários investimentos em instrumentos agrícolas, mudas de qualidade e mão de obra. Os trabalhadores assalariados substituem os antigos posseiros, mutirões e festas comunitárias.

O trabalho é duro, a carga horária é extensa e os salários baixos, personificando assim um capitalismo selvagem e desenfreado.

Com a instalação das monoculturas vieram conseqüências sérias: o esgotamento dos solos, desmatamento desenfreado e contaminação de terras, animais, mananciais e seres humanos devido ao uso constante de agrotóxicos.

Mais tarde com a inauguração da BR116 a região se integrou ao desenvolvimento nacional. Registro ficou conhecido como a “Capital do Chá”, título que permaneceu até a década de 90 com a grave crise que assola a teicultura no município.

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CAPITULO III

3 - A História política: A Emancipação de Registro

A colônia japonesa foi de fundamental importância para o progresso e a posterior emancipação política de Registro.

Já em 1919 o povoado recebeu a visita do Sr. Kouma Kouregoutche, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Japão.

Na década de 20 a posse de autoridades policiais trouxe ordem à localidade. A venda desordenada de bebida alcoólica especialmente entre os trabalhadores do porto trazia desordem e violência ao pacato lugarejo.

Em 1928 o Dr.Guiosuke Shiratore cedeu um prédio para a instalação das subdelegacia e cadeia. Com a nomeação do tenente Venceslau Gonçalves da Silva para o cargo de subdelegado vislumbra-se assim uma maior organização.

Em 1929 os colonos japoneses já possuíam uma associação recreativa em pleno funcionamento. Haviam escolas japonesas especialmente criadas para os filhos dos imigrantes. Os hábitos nipônicos estranhos aos ribeirinhos. Sobre isso Laragnoit relata:

“Reclamavam os brasileiros que os filhos dos colonos não podiam casar com os nacionais; não entendiam o culto que os nipônicos prestavam aos antepassados já falecidos, especialmente os alimentos colocados nas sepulturas. Estanhavam ainda a caminha da de famílias em fila indiana, mães carregando crianças amarradas às costas, costumes esses com os quais os registrenses não estavam acostumados”. (LARAGNOIT, 1984)

Registro se tornou Distrito de Paz do Município de Iguape pelo Decreto lei nº 6665 de 17 de setembro de 1934, sendo nomeados: Juiz de paz: Luiz Abin Pires, Escrivão: Sizenando de Carvalho, Sub-prefeito: Koki Kitajima.

Em 30 de novembro de 1944, pelo Decreto-lei nº 14334 Registro foi finalmente elevado a Município da Comarca de Iguape. A instalação do Município aconteceu em 1º de janeiro de 1945, tomando posse o primeiro prefeito municipal nomeado pelo governo do Estado.

“Pelo decreto-lei nº14334 de 30 de novembro de 1944, Registro foi elevado a Município da Comarca de Iguape, tendo ocorrido a instalação do Município em 01/01/1945”.

Nessa solenidade foi empossado o primeiro prefeito municipal nomeado pelo governo do Estado, Sr Mario de Pacheco, funcionário do Departamento das Municipalidades, seguido pelos Srs. João Augusto Aby-Azar, Josino Silveira, Benjamim Giani e Jose Dias de Araújo.

“Somente em 1948, Sizenando de Carvalho se torna o primeiro prefeito eleito do Município” (Pedroso, 1997).

Neste mesmo ano Registro incorporou o bairro Capinzal (antigo distrito de paz de Registro), e, em 1958 acontece o desmembramento de Sete Barras. A partir dessa época Registro marcou sua extensão territorial em 742 km.

A comarca de Registro foi criada pela lei 2456, de 30 de dezembro de 1953 e instalada a 1º de janeiro de 1954.

Em 1980 foi assinado um convenio entre as cidades de Registro e a de Nakatsugawa do Japão, situada na Província de Gifu, declarando-as cidades irmãs.
 

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Entre os prefeitos eleitos em Registro estão:

Sizenando de Carvalho. (mandato de 1948 a 1952)

Durante esse período foram criados o Ginásio Estadual e a Escola Normal, anexação do bairro Capinzal ao Município de Registro, construção de várias estradas vicinais e início do serviço de abastecimento de água em Registro.

Jonas Banks Leite (mandatos: 1952 a1956, 1960 a 1964 e 1969 a 1973).

Durante seus três mandatos muitas obras foram concretizadas: Instalação da Comarca, em 1953, a construção da casa da agricultura, da escola estadual Dr. Fábio Barreto e a construção da Praça dos Expedicionários.

Wild Jose de Souza (mandato: 1956 a 1960).

Wild foi eleito em 1956, no entanto não chegou a terminar o mandato devido á sua morte súbita por enfarto em 1959.

Jose de Carvalho (mandato: 1964 a 1969, 1977 a 1982).

Durante seus mandatos algumas obras importantes foram feitas: o Bosque Municipal, na vila Ribeirópolis, Estádio Alberto Bertelli, Pavilhão das Expovale, Centro Social Urbano, asfaltamento da zona central da cidade, entre outras.

Jose Mendes (mandatos 1973 a 1977, 1993 a 1997).

Durante os mandatos do Prefº Jose Mendes aconteceram o início das implantação das rede de esgoto em Registro, a instalação das EEPSG Fundação Bradesco, instalação do CEDAVAL, construção de escolas estaduais (EEPG Juscelino Kubistchek, EEPG João Pocci e EEPG Rui Prado), implantação do distrito industrial, construção de creches e pr´e- escolas, (uma delas a EMEI jardim Encantado e hoje a sede das UNEWSP, no centro), instalação e construção do prédio do CEFAM (que hoje abriga os cursos de Agronomia e o Projeto Pedagogia Cidadã).

Elza Orsini de Carvalho (mandato: 1983 a 1989)

Foi conhecida pelos registrenses como a “Mãe dos pobres”, por sua ligação com as causas sociais.

Realizações ocorridas durante seu mandato: Praça Jose de Carvalho (Beira Rio), arborização da cidade, desapropriação e tombamento pelo Condephaat do pr´edio do KKKK. Além de criar as primeiras classes de Educação Infantil com a colaboração das Profº Luzia Granado.

Waldir Ferreira de Moraes (1989 a 1992)

Dr. Waldir foi responsável pela modernização da prefeitura com a criação dos departamentos (de educação, de saúde, de Administração, jurídico, etc), a criação do Plano Municipal se Saneamento, a elaboração do Plano Diretor, a criação da procuradoria Municipal e da Assessoria de Comunicação Social e Especialmente o desenvolvimento da educação municipal com a implantação do Estatuto do Magistério e a criação do Plano de Carreira, valorizando os educadores municipais e também a criação das OMSS, o instituto de previdência dos funcionários municipais, entre outras obras.

Samuel Moreira das Silva Junior (1997 a 2000, 2001 a 2004)

Principais obras realizadas em seus mandatos: Construção de quatro EMEFS, cinco Creches e uma EMEI, recuperação do conjunto KKKK, reforma da Praça dos Expedicionários, construção do Centro de Saúde do bairro Vila Nova, revitalização do Bosque municipal, construção de três conjuntos habitacionais, pavimentação asfaltica na zona urbana do município, implantação do curso de Agronomia e pedagogia Cidadã das UNESP entre outras realizações

Clóvis Vieira Mendes (2005 a 2008)

Realizações ocorridas durante seu mandato (ainda não encerrado)

Reforma e construção de EMEFS, implantação de rede de esgoto no Jardim Ipanema.

Ampliação do número de feiras livres.

Entrega de casas no Conjunto Habitacional Registro D 1.

Pavimentação da estrada que liga a Vila Romão ao Agrochá.

Pavimentação do Jardim Valeri.

Titulação de terras para os moradores do Bairro Arapongal.

Inauguração de creche e pré escola no Bairro Caiçara I.

Construção de unidade escolar no centro da cidade.

Reforma das Emeis Balãozinho Vermelho ( Bairro CECAP) e Trenzinho Alegre (Bairro Vila Nova).

Retornou a realização do desfile de 7 de Setembro

Inauguração de uma unidade do SENAI

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CAPITULO IV

4. A ECONOMIA

A agricultura sempre foi a mola mestra da economia de todo o Vale do Ribeira no séc. XX O município de registro não fugiu a essa regra, passando por ciclos econômicos importantes: do arroz, do chá preto e da bananicultura; enfrentando como os demais municípios ribeirinhos grandes crises especialmente devido às enormes cheias do Rio Ribeira .

Na década de 50 surgem grandes propriedades rurais, transformando os caipiras em assalariados e mineiros, constantemente endividados, enfrentando duras condições de vida e trabalho árduo. A instalação das monoculturas do chá e banana trouxeram problemas como o esgotamento dos solos e a contaminação por agrotóxicos dos mananciais. O assoreamento dos rios, especialmente do Ribeira que agredido em seu leito responde com cheias cada vez maiores e desastrosas para a economia de toda a região.

O subdesenvolvimento da região de Registro nesse período e nos anos posteriores é refletido pela deficiência nos seguintes setores: transportes, transmissão de energia, saneamento, saúde, serviços públicos em geral e problemas fundiários.

Os principais produtos agrícolas são: banana, arroz, citros, chá e olericolas, além da pescaria em geral, no entanto as atividades agropecuárias são tecnologicamente pouco desenvolvidas rendendo pouco aos produtores, especialmente os pequenos, muitas vezes explorados pelos chamados atravessadores.

Segundo o boletim da bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape (DAEE, 98) as condições climáticas da região, com chuvas de grande intensidade e duração aliadas às características morfológicas da Bacia do Ribeira, ou seja, fortes declividades dos terrenos e do leito do rio, nos trechos superior e médio, além das características de extensas planícies dos trechos finais favorecem picos de enchentes e volume de água muito pronunciados.

Os principais problemas ocasionados pelas cheias são:

Perdas de vidas humanas
Prejuízos com a inundação de habitações e estabelecimentos comerciais
Perda da produção agrícola
Interrupção do trafego, isolando cidades e povoados
Além da bananicultura e teicultura, a olericultura, embora em pequena escala é representativa para a região devido à condições climáticas favoráveis especialmente no inverno, período da entressafra nas demais regiões do Estado. O maracujá tem especial importância no setor da fruticultura. Vale lembrar, no entanto que há baixa qualidade nos produtos, dificuldades de escoamento da produção e comercialização e posterior rentabilidade.

Todo esse cenário econômico foi alterado por acontecimentos importantes para toda a região: a inauguração da BR 116 e a presença do guerrilheiro Lamarca na região, no início da década de 70.

4.1. A BR- 116

A abertura de várias estradas vicinais representou em forte incremento à economia regional.

O caminhão chegou a locais que até há alguns anos somente eram atingidos através dos rios ou picadas, substituindo, assim a canoa e a tropa de muares(Mirabelli e Vieira, 1992).

A BR-116, apesar de não ter sido construída visando especificamente a região de Registro, pelo fato de atravessar o município foi um elemento que forneceu forte influência na ocupação e no desenvolvimento do mesmo contribuindo para o escoamento da produção e atraindo investimento.

Bastou correr a notícia de que o governo federal pretendia abrir a BR-116, para que o interesse pelas terras da região fosse rapidamente despertado. a especulação imobiliária intensificou-se quando surgiram nos jornais de São Paulo os anúncios de vendas de terras localizadas ao longo da nova rodovia (Mirabelli e Vieira, 1992).

Na década de 60 o processo de incorporação da região ao desenvolvimento econômico nacional é completado, modificando os quadros agrícolas tradicionais para um aspecto predominante mercantil.

Segundo Laragnoit a partir do ano de 1961, tudo começou a mudar no Vale do Ribeira, com a inauguração da rodovia federal BR-116 (Regis Bittencourt), ligando São Paulo a Curitiba e aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A população aumentou e algumas indústrias começaram a ser implantadas na região. A agricultura tomou grande impulso, o turismo foi incrementado, planos de saúde foram estabelecidos, os transportes para a Capital do Estado passaram a ser feitos com rapidez e nestes últimos anos foi implantado o serviço telefônico, em sistema DDD, facilitando as comunicações dos municípios da região com todo pais. (Laragnoit, 1984)

Em 1961 o presidente Juscelino Kubitschek fez a inauguração oficial da BR- 116, no município de Registro, onde hoje é o bairro Arapongal, em seu discurso disse ficar feliz por estar junto ao povo com a consciência tranqüila, por ter agido com justiça durante o mandato.

Sobre esse episódio Pedroso destaca que com a inauguração da BR-116 (hoje ostentando o sinistro nome de Rodovia da Morte) em 25 de janeiro de 1961, com o nome de BR-2 melhorou muito o desenvolvimento da cidade. Antes da inauguração uma viagem de Registro a São Paulo e vice e versa, demorava cerca de 10 horas. E teve tempo em que uma viagem dessas se arrastava por três dias. O porto do Registro existe desde 1734, portanto 210 anos antes de Registro ser elevado à categoria de município.

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4.2. A presença de Lamarca

Na década de 70 com a presença do grupo guerrilheiro de Carlos Lamarca no Vale do Ribeira a região que até então era totalmente esquecida tanto pelo governo estadual e federal como pela mídia impressa e televisiva passa a merecer acentuada atenção por parte dos mesmos.


Carlos Lamarca

Era o período mais tenebroso da ditadura militar, e suas ações frente à grupos de esquerda ou paramilitares costumava ser dura e implacável. Lamarca escolheu o Vale para organizar seu grupo exatamente pela dificuldade de acesso, pela extensão de lugares ermos e desabitados além da pacificidade dos habitantes. A presença do grupo causou uma verdadeira revolução nos pequenos povoados e municípios, especialmente a partir do momento em que o exército realizou uma verdadeira invasão armada, uma operação de caça ao ex Capitão da Forças Armadas. O governo então “descobre” o Vale e põe em execução um plano de desenvolvimento para a região.

Segundo Mirabelli e Vieira, o então governador Laudo Natel, seguindo orientação do governo federal, inicia um plano de ação que visava atender a todos os problemas de produção no Vale, contrariando a orientação de seus assessores políticos, que consideravam importante deixar para o término de seu governo o lançamento do citado programa para que lhe rendesse dividendos políticos.

É de autoria do governador Laudo Natel o título de “Registro Capital do Vale do Ribeira”. Muitos órgãos do governo estadual foram instalados na sede do município, houve melhorias na infra-estrutura da região (energia elétrica, saneamento, estradas vicinais) tentando evitar que o Vale se tornasse novamente alvo de outros grupos guerrilheiros.

CAPITULO V

5. A Cultura na Cidade (séc. XX E XXI)

Registro destaca-se no Vale do Ribeira como a capital econômica, social e cultural. Mesmo sendo uma tranqüila cidade do interior possui uma história rica e diversificada do ponto de vista cultural e religioso, contando com amplo calendário de eventos, muitos deles referentes à cultura nipônica, além de vários monumentos históricos e turísticos que merecem ser visitados.

Um nome importante da cultura Registrense é o famoso aviador Alberto Bertelli, que morou no município por cerca de três décadas. De acordo com um dito popular comum na região “Quem bebe água da ribeira e come manjuba nunca mais vai embora”, pois bem Bertelli se encantou com a cidade e aqui viveu boa parte de sua vida, morando as margens do Rio Ribeira de onde sempre assistia a cerimônia do Tooru Nagashi.

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5.1. Alberto Bertelli

Apesara de não ser Registrense o piloto Alberto Bertelli tornou-se uma das figuras mais ilustres e conhecidas do município, sendo homenageado nomeando o Estádio Municipal e uma das escolas municipais de Registro localizada no Bairro Vila Nova.

Bertelli nasceu em 03 de outubro de 1914, numa fazenda da família Pereira Inácio, no município de São Roque, São Paulo.

Em 1919, mudou-se para a capital mais precisamente no Bairro Butantã. Durante uma apresentação de acrobacias aéreas, em homenagem a visita do Rei Humberto da Bélgica, em 1920 nasce no garoto uma paixão que o acompanharia por toda vida: o avião.

O próprio Bertelli relata como o seu fascínio por aviões o acompanhava desde a mais tenra infância:

“Lembro-me que três aviões sobrevoavam o local em homenagem ao ilustre Rei. Um deles era triplano e os outros dois era biplanos faziam acrobacias – não sei quais mas devia ser parafuso pois desciam virando. Fiquei maravilhado pelo espetáculo. (…) Na época aeromodelismo, mas construí os meus resumidos aviões simplesmente na hélice, que eram feitas com tampa de lata de banha com uns cores que abria com a tesoura da mamãe- o que acabava sempre em puxões de orelha, pois que estragava a tesoura”.(Bertelli, 1999).

Ainda garoto, aprendeu a dirigir o caminhão do pai, auxiliava nos consertos do carro e a realizar as entregas de material de construção. Era, bom aluno, especialmente em matemática apesar de não ser estudioso. Nessa mesma época aprendeu a tocar clarineta, seu instrumento preferido.

Foi um garoto e criativo, chegou a dirigir por alguns anos com uma cópia da carteira de motorista do patrão do seu pai, o Dr. Osvaldo.

Após completar dezoito anos o interesse por aviões ressurgiu em seu espírito; um dos seus passatempos preferidos era observar as manobras aéreas em Congonhas, recém inaugurado.

O primeiro vôo de Bertelli (como passageiro) foi na década de trinta, às escondidas da família; ao tomar suas primeiras aulas com Anísio de Oliveira.

Mal sabia o professor que o jovem curioso e interessado se tornaria um dos maiores pilotos brasileiros. Após um mês de aula fez seu primeiro vôo solo. Com muito sacrifício financeiro tirou o brevê, com menos de vinte horas de vôo.

Após o curso de pilotagem, Alberto se tornou instrutor de vôo e passou a realizar suas incríveis acrobacias, inclusive o looping invertido.

Como instrutor Bertelli trabalhou em Sorocaba e Rio Claro, muitos futuros pilotos foram seus alunos. Mais tarde passou a trabalhar com taxi aéreo. Em 1951 veio para o Vale a fim de transportar peixe de Cananéia para São Paulo; também transportava passageiros para a capital. A BR 116 ainda não existia e uma viagem de carro durava de oito a dez horas (de avião eram cerca de quarenta minutos). O advogado Pereira Lima, José de Carvalho e Ivo Zanella (Pariquera-Açu), além dos engenheiros Regis Bittencourt e Rui Prado de Mendonça, foram alguns de seus passageiros.

O piloto foi um dos fundadores e componentes da “Esquadrilha da Fumaça”.

Segundo Pedroso:

Bertelli recebeu o título único de piloto civil, perpétuo e honorário. Pilotando aviões como: Piper Cub, Taylor Grafet, Stinson, Bonanz (esse tinha o prefixo AHE, o nome dos três irmãos: Alberto, Hugo e Edmundo), Cesnna, Ayronca, Becker, Munis, Wacco, Luscomb, Mots e Kirts (cada um tinha vários modelos), o aviador cortava os céus do Brasil e realizava manobras mirabolantes”. (Pedroso, 1997).

Além de ser um meio de vida, a aviação era um grande amor para ela: cuidava dos aviões com zelo, concertava-os e restaurava-os. Apesar de alguns sustos em sua carreira: panes, aterrissagens forçadas e acidentes variados, nunca mudou de profissão.

Segundo familiares Bertelli eram um homem calmo e de hábitos simples, gostava de piadas e de música. Morou durante vários anos na Rua Miguel Aby Azar próximo ao Rio Ribeira.

Fez apresentações em todo o Brasil, foi condecorado e homenageado inúmeras vezes e entrou para a História da Aviação Brasileira. Seu nome era sinônimo de aviação e ousadia.

Alberto Bertelli faleceu em oito de dezembro de 1980, deixando um legado de aventuras, manobras incríveis e um grande amor pela aviação.

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5.2. Monumentos e Pontos Turísticos

No Município há alternativas de passeio rurais, onde se podem praticar cavalgadas e pesca amadora e esportiva. Pode-se visitar a Estação Experimental de Zootecnia de Registro, no Instituto de Zootecnia, onde é desenvolvida a criação de búfalos. Existe ainda o projeto para construção de um museu do chá no município. Entre as opções de passeio e recreação estão o bosque municipal e as praças públicas:

O Bosque Municipal Torazo Okamoto é um local arborizado com trilhas e palco para apresentações. É cortado pelo Rio Carapiranga.

Origem do nome: o imigrante Torazo Okamoto chegou a Registro em 1919. Três anos depois, obteve sementes de chá chinês (Thea assamica Mast) em São Paulo e começou a plantação, visando o consumidor japonês de chá verde. Em 1934, com o objetivo de produzir chá preto para o consumidor brasileiro, Torazo trouxe do Ceilão (atual Sri Lanka) algumas sementes de chá-da-índia da variedade assam. As mudas conseguidas por Torazo foram matrizes do chá ainda produzido em Registro.

A Praça dos Expedicionários possui área coberta e lanchonete. Apresenta espaço para eventos e feiras.

O nome da praça é uma homenagem à força militar brasileira de 25.300 homens que lutou ao lado dos Aliados, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial (a FAB, Força Expedicionária Brasileira).

Praça Nakatsugawa

A artista plástica Tomie Ohtake foi recebida pelo prefeito e pelo governador do Estado de São Paulo na inauguração de sua instalação. Lucia Kanegaea arquitetura japonesa da Praça Nakatsugawa remete à cidade-irmã. A cidade de Nakatsugawa localiza-se na província de Gifu, na ilha de Honshu, região central do Japão. Desde 1980 Registro e Nakatsugawa mantêm um convênio tanto no setor governamental quanto através da organização Rotary Club. O convênio é traduzido em intercâmbio, assistência e visitas dos governantes das duas cidades.

a Praça Beira Rio está situada às margens do Rio Ribeira tem como opções de lazer ciclovia, pista de skate e Parque Beira Rio Prefeito José Mendes, com área de recreação infantil. Há ainda o Monumento às Vítimas do Rio Ribeira de Iguape, local de celebração do culto religioso que antecede o Tooro Nagashi.

Escultura

Na Praça Beira Rio, no local onde se encontrava uma árvore guaracuí - Andira anthelmia (Vell.) J.F. Macbr., um dos símbolos do município - foi instalada uma obra também denominada Guaracuí (uma flor estilizada de 7m de altura, em aço) que a artista plástica Tomie Ohtake doou ao município em homenagem aos imigrantes japoneses. Origem do nome do parque: José Mendes governou o Município entre 1973 e 1977 e entre 1993 e 1997.

Ainda na Praça, o Centro de Educação e Cultura KKKK (Kaigai - Kogyo - Kabushiki - Kaisha), conhecido também como antigo Casarão do Porto, é um conjunto de engenho e armazéns construído em estilo inglês à margem do Rio Ribeira de Iguape para abrigar a produção de arroz da região. A Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (ou Companhia Ultramarina de Desenvolvimento Sociedade Anônima), filial da Companhia Imperial Japonesa de Imigração, atuou de 1912 a 1937 na gestão e na infra-estrutura das colônias de japoneses em diversos países. Foi responsável pelo estabelecimento de mais de 450 famílias na colônia de Registro, onde foi autorizada a funcionar a partir de 1918 no Casarão.

O Centro de Educação e Cultura abriga atualmente:

Anfiteatro, local de realização de eventos públicos e espetáculos teatrais;
Memorial da Imigração Japonesa Vale do Ribeira, cuja exposição de utensílios agrícolas, roupas, esculturas, documentos, livros, mapas e fotografias conta a história e os costumes dos primeiros imigrantes japoneses. Foi fundado em janeiro de 2002;
Abriga tambem uma unidade do SENAI, implantada em 2007
Projeto Guri, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
Sala de Exposições do Museu da Mata Atlântica da Unesp expõe painéis sobre ecossistemas do vale do Ribeira, solos, coleções de plantas e de sementes da região e peças artesanais produzidas com plantas da região e possui área para consulta de trabalhos e pesquisas.
Os admiradores da arquitetura oriental podem visitar o Templo Budista Honpa Hongwanji (Honpa Hongwanji é o Templo do Juramento Universal de Amida, Buda da Terra Pura do Oeste), construído em 1967, e o Bunkyo, sede da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, situado na Praça da Integração Brasil-Japão. Nessa praça foi instalada a escultura comemorativa do centenário da imigração japonesa no Brasil Portal do Sol, do artista plástico Yutaka Toyota, inspirada nas antigas máquinas de beneficiamento de arroz e de chá. As peças modelam e simbolizam as benfeitorias que a colônia teria trazido para a região.

Os praticantes de esportes costumam conhecer o Centro Esportivo Governador Mário Covas, um conjunto formado por pista de atletismo, campo de futebol e ginásio poliesportivo com capacidade para cinco mil pessoas. Sedia eventos esportivos regionais, estaduais e a Exposição de Orquídeas. Outro espaço conhecido é o Estádio Municipal Brigadeiro do Ar Alberto Bertelli, campo de futebol que sedia competições municipais e regionais. O nome é uma homenagem a um dos maiores aviadores acrobatas civis do Brasil. Alberto Bertelli recebeu vários prêmios como piloto do interior e em competições de acrobacia e de corridas aéreas, caça aos balonetes e lançamentos de mensagens. Residiu em Registro por quase três décadas.

Registro é também visitada por fiéis de diversas religiões. Entre as pricipais igrejas católicas estão a Matriz de São Francisco Xavier (São Francisco Xavier é Patrono dos missionários e padroeiro do Município de Registro e da Diocese de Registro) e a de Nossa Senhora de Fátima. O Município pertence à Diocese de Registro, área que corresponde a uma subdivisão territorial de 13.400 km² de área no Estado de São Paulo.
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5.3. Festas e Religiosidade

Maio
Roda de Violeiros Fermino Gonçalves de Freitas.
Desde 1971 o festival tradicional homenageia o dia do trabalho premiando os melhores cantores, duplas e grupos sertanejos e caipiras da Região.

Junho
Festa da Solidariedade
O Fundo Social de Solidariedade de Registro coordena o evento organizado por entidades sociais do município. Comidas típicas e bingo são atrações da Festa.
Festa do Sushi
Realizada pela Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, oferece atrações musicais variadas e comidas típicas japonesas, como os tradicionais sushis e sashimis de atum, salmão, robalo, tainha e manjuba.

Agosto
Bon Odori
A Igreja Budista e a Associação Nipo-Brasileira de Registro (Bunkyo) realizam o "festival em homenagem aos falecidos" na Praça Beira Rio com muita música típica japonesa, danças e comidas orientais. O costume do período de finados no Japão (de julho a setembro) é se tocarem músicas alegres celebrando a vida em comunidade e a continuidade da vida, sem olhar para trás, para que os espíritos, que foram reencaminhados a seu mundo através do bon-odori, não acompanhem os vivos para sempre.
Festa do Queijo e Vinho
Promovida pela Casa da Amizade (entidade responsável pela manutenção da Creche Nosso Ninho), tem sua renda revertida para entidades beneficientes. Na programação, há música ao vivo e dança.

Setembro
Jogos Escolares da Semana da Pátria (Sempa)
Desde 1996 o Decel (Departamento de Cultura, Esporte e Lazer) da Prefeitura Municipal de Registro reúne estudantes de todas as escolas do Município para disputar competições de atletismo, basquete, futsal, handebol, voleibol, tênis de mesa, xadrez e damas no Centro Esportivo Governador Mário Covas, no ginásio da Escola Estadual Dr. Fábio Barreto e no RBBC (Registro Baseball Club).
Festa Nordestina
Ritmos musicais e comidas típicas nordestinas são as principais atrações da festa promovida desde 2005 pelo Decel da Prefeitura Municipal de Registro.

Outubro
Torneio de Judô Toraichiro Suzuki
Promovido pela Arju (Associação Registrense de Judô), em homenagem a Toraichiro Suzuki, grande incentivador do esporte na cidade.
Exposição Nacional de Orquídeas do Vale do Ribeira
É um evento oficial da CAOB (Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil) promovido pela Orquivale (Sociedade Orquidófila do Vale do Ribeira) onde se expõe uma grande variedade de orquídeas de associações orquidófilas do Brasil inteiro.

Novembro
Tooro Nagashi
Realizado no dia 2 de novembro, em homenagem aos mortos vítimas do Rio Ribeira de Iguape, é um culto ecumênico com pequenos barquinhos iluminados por velas coloridas, feitos artesanalmente e soltos no rio. Originalmente consistia de um ritual budista em homenagem às vítimas das bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima (em 6 de agosto de 1945) e Nagasaki (em 9 de agosto de 1945). Tourou significa lanterna de papel; nagashi, levar-se pelo vento. Ao soltarem os barquinhos, os participantes da cerimônia iluminam o caminho dos espíritos e fazem pedidos de paz.
Expovale
É a maior exposição agroindustrial e comercial do Vale do Ribeira, com shows ao vivo e comidas típicas da região, e exposição pecuária (búfalos, bois e cavalos) e gêneros agrícolas como banana, chá-da-índia (referido, por costume, como "chá preto"), palmito de pupunha, flores ornamentais e artesanato regional. Teve início em 1973, na primeira gestão do Prefeito José Mendes, substituindo a festa "Chá Expo". Em 1979, passou a ocupar uma área construída especialmente para abrigar o evento, no km 449 da Rodovia Régis Bittencourt. Durante a primeira gestão do Prefeito Samuel Moreira da Silva Júnior (entre 1997 e 2000), a Expovale passou a ser anual.
Baile da Cidade
Organizado pelo Fundo Social de Solidariedade, comemora o aniversário da emancipação política do município de Registro, no dia 30 de novembro.

Dezembro
Cantata de Natal
É realizada anualmente desde 1997 e tem como principais atrações a representação do nascimento, da morte e da ressurreição de Cristo, com participação de crianças e adolescentes em orquestras e corais de igrejas.

Feiras

Feira do Produtor
Aos domingos, das 6h às 11h no Centro, às terças-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Ribeirópolis e às quintas-feiras, das 16h às 19h30min na Vila Fátima, a APFR (Associação dos Produtores Feirantes de Registro) atrai parte da população com a venda de diversos produtos, destacando-se hortaliças, peixes, aves, plantas ornamentais, artesanatos, salgados, como pastel e bolinhos, além de lanches orientais e bebidas, como caldo de cana e suco de laranja.
Feira de Produtos Orgânicos e Apícolas
Ocorre todos os sábados, das 9h às 12h no estacionamento ao lado do Paço Municipal Prefeito Josino Silveira. É organizada pela Aovale (Associação de Produtos Orgânicos do Vale do Ribeira), que comercializa verduras, legumes, frutas, temperos, frango e ovos caipiras e até cachaça orgânica. A Apivale (Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira) também participa dessa feira.

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5.4. Educação Municipal

No início da década de 80 por determinação do Prefeito José de Carvalho, a primeira Dama D. Elza Orsini de Carvalho com muita determinação implantou com recursos próprios da Prefeitura três Pré-Escolas Municipais.

Para efetivar essa implantação foi convidada a assumir o cargo de Diretora a senhora Profª Luzia Granado da Silva que juntamente com um grupo de professores (em torno de sete professores) contratados através de contratos temporários em 1981. No início foram criados três escolas de educação infantil, sendo: Pré- escolas Chapeuzinho Vermelho na Vila São Francisco, Balãozinho Vermelho na CECAP e Criança Feliz no prédio da EMDERE – Empresa de Desenvolvimento de Registro.

Em 1982 foi inaugurada a pré Escola Trenzinho Alegre.

As condições de ensino eram precárias, nos primeiros seis meses as professoras improvisavam estantes com tijolos e tabúas, e caixas de camisas serviam como arquivos. Não havia cadeiras e mesas, os materiais como pastas para guardar trabalhos feitos pelas crianças eram comprados pelas professoras.

Nessa época não existia o departamento de Educação nem Estatuto do Magistério. Essas Pré- Escolas atendiam crianças de cinco e seis anos, e a merenda era fornecida pela prefeitura, contudo os pais colaboravam com doações.

O símbolo da Pré-Escola (árvore do chá estilizada) era inicialmente usado pela EMDERE e esse mesmo símbolo ainda hoje pode ser visto nas calçadas do centro da cidade.

Em 1981 assumiram as seguintes professoras:

Santa Diamantina da Cárdia Costa
Odete Pereira
Lurdes Sakô
Clélia
Pitaca
Zuma
Rosildes
Maria Aparecida Faria
Em 1982 assumiram as seguintes professoras:

Renata Fernanda Salvador
Lucelma Aparecida Camillo Rigante
Edeleiza Soares
Marta Costa
Maria do Carmo Macedo
Em 1985 algumas professoras adquiriram estabilidade. Em 1986 a Diretora Luzia Granado afastou do cargo para assumir o mandato de Vereadora durante a gestão do Prefeito Waldir Ferreira de Moraes e em seu lugar assumiu a senhora Neli Gullo, que foi a responsável pela criação do Departamento Municipal de Educação.

Na gestão do Prefeito José Mendes passaram pelo cargo de Diretor do Departamento Municipal de Educação as seguintes professoras : Ivany de Souza e Orency de Souza.

Em 1994 foram efetivados através de concurso público os primeiros trinta e seis professores da Rede Municipal de Educação. A partir dessa data a Educação Municipal cresceu paulatinamente, com a construção de várias unidades escolares.

Em 1996, início da gestão do Prefeito Samuel Moreira assumiu a Direção do Departamento o Professor Rogério Geraldo. Nesse período o departamento já contava com três setores de Educação Infantil.

Em 1999 é realizado o concurso público para as primeiras salas de Ensino Fundamental da Rede Municipal, nesse momento o Departamento contava com a administração da professora Antonieta Gullo.

Em 2001, com a volta do professor Rogério acontece a implantação de um Plano de Carreira e o aumento da carga horária dos professores prejudicando a muitos, forçando-os a abdicar de um segundo cargo efetivo para dedicar-se exclusivamente a Rede Municipal. O Plano de carreira não foi bem aceito pelos profissionais do magistério apesar de ser considerado uma conquista pela equipe técnica do Departamento.

Atualmente a Rede Municipal conta com onze creches e cinqüenta e três escola de Educação Básica , para atender essa clientela o departamento possui cerca de seiscentos profissionais, tanto da área de docência quanto de apoio.

A partir de 2008 o departamento Municipal de Educação implantará o Ensino Fundamental de Nove Anos.

5.5. A Implantação da UNESP

No dia 28 de março de 2003, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, o reitor da UNESP, José Carlos Souza Trindade, e o prefeito de Registro, Samuel Moreira da Silva Júnior, assinaram o convênio que permitiu a instalação da Unidade Diferenciada de Registro, que oferecerá o curso de Ciências Agrárias, o primeiro de nível superior público e gratuito na região do Vale do Ribeira.
Registro está localizado numa área produtora de hortaliças, legumes, frutas, palmito pupunha, chá preto e banana. Nada mais apropriado para um curso de Ciências Agrárias, que tem como objetivo formar profissionais capacitados para promover o desenvolvimento sustentável do meio rural, otimizando a utilização dos recursos naturais disponíveis.

Além do curso de Ciências Agrárias a UNESP firmou convenio com a Prefeitura de Registro implantando o projeto Pedagogia Cidadã possibilitando a formação em nível superior de cerca de 120 professores da Rede municipal.

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CAPITULO VI

6. O ALICERCE DO PASSADO ASSEGURANDO O PRESENTE E GARANTINDO O FUTURO

6.1. Fundamentação Teórica

O marco inicial para a decisão de trabalhar a história de Registro com as crianças da Educação Infantil, nível III foi a preemente necessidade que os educandos conheçam a sua cidade, seus habitantes e suas características sociais e culturais.

Os cadernos trabalhados no Curso de Pedagogia Cidadã possibilitaram todo o subsídio teórico e exemplos de práticas bem sucedidas, proporcionando segurança tanto nos temas e atividades selecionadas quanto na escolha das referências bibliográficas que nortearam a elaboração do trabalho.

O texto do professor Genaro A. Fonseca “Um projeto para o Ensino de História na Educação Infantil”, presente no caderno de Formação – Educação Infantil foi primordial para a motivação de se pesquisar a história de Registro, por relatar uma prática bem sucedida do ensino de história (presente no eixo Natureza e Sociedade, RCNEI, 1997) à crianças da creche e pré – escola.

A maneira como os elementos norteadores do trabalho foram explicitados nos textos, permitiram a reflexão sobre o fato de que a história do município de Registro é trabalhada pelas escolas de forma pouco abrangente, pois os educadores dispõem de pouco materiais de pesquisa e orientação sobre o tema.

Surgiu, por conseguinte o desafio de pesquisar profundamente e explorar posteriormente esse tema tão relevante, contudo pouco conhecido pelas crianças nessa faixa etária.

As orientações de Gimeno Sacristan (1998) citadas pelo autor foram essenciais para o planejamento do trabalho:

a) Pensar ou refletir sobre a prática antes de realizá-la;

b) Considerar que elementos intervêm na configuração da experiência que os alunos terão de acordo com a peculiaridade do conteúdo curricular envolvido;

c) Ter em mente as alternativas disponíveis: lançar mão de experiências prévias, casos, modelos metodológicos, exemplos realizados por outros;

d) Prever na medida do possível o curso da opção que se deve tomar;

e) Antecipar as conseqüências possíveis da opção escolhida no contexto concreto em que se atua;

f) Ordenar os passos a serem dados, sabendo que haverá mais de uma possibilidade;

g) Determinar o contexto, considerando as limitações a enfrentar;

h) Determinar ou prover os recursos necessários.

Com esses subsídios e orientações foi possível determinar quais objetivos a serem alcançados, os recursos necessários e as fontes de pesquisa a serem consultadas segundo as orientações do RCNEI a respeito do eixo Natureza e Sociedade.

O trabalho com este Eixo, portanto deve propiciar experiências que possibilitem uma aproximação ao conhecimento das diversas formas de representação e explicação do mundo social e natural para que as crianças possam estabelecer progressivamente a diferenciação que existe entre mitos e lendas, explicações provenientes do “senso comum” e conhecimentos científicos (Brasil, 1998, vol.3).

É fato que as crianças na faixa etária de cinco anos estabelecem seu raciocínio a fatos e elementos concretos e sua noção de tempo e espaço está sendo construída de acordo com a fase de desenvolvimento de sua cognição. Adequar conteúdos e atividades respeitando seu interesse e capacidade é primordial para o sucesso do trabalho.

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Nesse conteúdo os aportes teóricos oferecidos pelo caderno de Psicologia da Educação foram primordiais, especialmente as teorias de Piaget a respeito do desenvolvimento infantil.

Segundo Piaget: A ordem de sucessão das etapas do desenvolvimento cognitivo era constante e irreversível, obedecendo a um plano fundamental de crescimento característico da espécie humana, pelo qual os estágios se sucedem de modo invariável, determinados pelo fator genético – maturacional e ativados sem cessar pela ação do sujeito. (Piaget, 1977)

A respeito das relações entre o sujeito e o objeto do conhecimento, Piaget afirma: “O conhecimento, então na sua origem, não vem dos objetos e nem do sujeito, mas das interações inicialmente indissociáveis entre o sujeito e esses objetos. (Piaget, 1977)”.

Propor atividades desafiadoras, porém adequadas ao estágio de desenvolvimento foi um desafio para a construção de uma aprendizagem significativa. Um elemento facilitador foi o fato da interdisciplinaridade estar sempre presente no cotidiano da Educação Infantil; a correlação dos conteúdos é uma constante.

Os textos de Filosofia da Educação foram de suma importância para uma formação teórica ampla sobre a epistemologia do conhecimento e relacioná-la a prática pedagógica. Conhecer as idéias e teorias de Platão, Descartes, Hume e Kant possibilitaram a ampliação dos horizontes pedagógicos e didáticos, destacando que o conhecimento provém da razão e as relações entre o educando e o objeto do conhecimento é o processo de construção do mesmo.

O objetivo do trabalho em questão é conforme a epistemologia genética de Piaget a passagem de um conhecimento inferior para um mais amplo e complexo.

A formação do cidadão se dá na mais tenra infância; não permitir as crianças ter acesso às informações essenciais para essa formação é inadmissível, os conceitos de ética e cidadania permitem à criança estabelecer sua identidade, reconhecer-se como pessoa.

Conhecer sua comunidade, sua cidade, as tradições orais, as características históricas e geográficas de sua região estabelece ligações importantes entre o educando e sua consciência como cidadão ético e moral. É a transformação do sujeito heterônomo para o autônomo.

Conforme Hegel relata somos seres históricos e culturais, ou seja, possuímos uma vontade individual subjetiva (que Rosseau chamou de coração e Kant de razão prática), existe outra vontade muito mais poderosa que determina a nossa: a vontade objetiva, inscrita nas instituições ou na cultura (Chauí, 2000)

Essa historicidade que marca a trajetória do cidadão influencia suas atitudes e escolhas em sua vida em sociedade. Nesse aspecto os cadernos de Ética e Cidadania, Sociologia e Antropologia foram essenciais tanto na formação geral dos educadores como referência ao tema escolhido para o trabalho com os educandos. Compreender a sociedade, os elementos culturais e humanos da região do Vale do Ribeira, especificamente do município de Registro, sob aspectos antropológicos e sociológicos permitem a percepção “da cultura que fornece o vínculo entre o que os homens são intrinsecamente capazes de se tornar e o que eles realmente se tornam, um a um” (GEIRTZ, 1978).

A cultura ribeirinha, os mutirões, comidas típicas, a vida em sociedade rural e suas especificidades foram alvo das pesquisas realizadas e posteriormente apresentadas às crianças de forma lúdica e prazerosa.

Evidenciar a história social e cultural de um povo, as miscigenações étnicas e a importância dos movimentos migratórios possibilitam aos alunos compreender as diversas experiências vividas por esses habitantes.

Existem dilemas a serem transpostos a abstração, a questão da temporalidade e multiculturalidade, além das particularidades da faixa etária à que o presente trabalho está direcionado.

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Os textos de Kátia Maria Abrid e Maria Aparecida Junqueira Veiga Gaeta possibilitaram a compreensão das questões essenciais para o ensino de história na Educação Infantil.

“A aprendizagem de história deve permitir que o aluno no decorrer de sua escolaridade perceba que não há uma uniformidade diferenciada no passado, mas que diferentes acontecimentos ocorrem em diferentes níveis de tempo. Ou que numa mesma sociedade, fatos de natureza diversa ocorrem ao mesmo tempo, têm diferentes durações, podem surgir em momentos diferentes, correr paralelos no tempo e um terminar antes do outro”(ABRID, 2006).

Conforme Dubuc bem salienta: “ensinar / aprender história nas séries iniciais do Ensino Fundamental passa necessariamente pelo início da percepção do relevo do passado e alargamento da dimensão do presente” (DUBUC, 1976) esse mesmo raciocínio é valido para a Educação Infantil especialmente o nível III (cinco a seis anos).

Todas as reflexões, orientações didáticas e propostas teórico-metodológicas foram fundamentais para uma atuação bem sucedida.

As visitas de campo, construção de maquetes, exploração de fontes documentais, o resgate de tradições, objetos e comidas típicas, as visitas aos monumentos históricos tornaram a história viva, pulsante em todas as suas múltiplas facetas, estabelecendo a identidade cultural e os conceitos de cidadania.

Segundo Gaeta o currículo deve ser organizado dando espaço e fortalecendo a voz de grupos silenciados, expressando a diversidade cultural, respeitando a variante lingüística dos alunos, a inclusão de elementos da cultura popular, o conhecimento das tradições e do significado de aspectos da cultura negra, indígena e de outros grupos (GAETA, 2006).

Todo e qualquer documento, fotos, relatos, livros, anúncios de jornal, obras de arte e monumentos são fontes de pesquisa: “Tudo que fosse registro da ação humana passou a ser considerada fonte da História. Logo, todos os homens e mulheres, ricos e pobres, pretos, índios, brancos, governantes e governados, patrões e empregados, são sujeitos históricos”. (FONSECA, 2003).

Fez parte do trabalho o conhecimento não só histórico, mas também geográfico do município. As orientações pertinentes ao estudo da paisagem ao longo do tempo possibilitaram um olhar diferenciado em relação a esses aspectos.

O estudo das categorias geográficas do espaço como território, paisagem e lugar e a observação da paisagem foram de extrema importância para a prática cotidiana. As conseqüências da urbanização à paisagem e ao espaço geográfico sempre sob o foco da construção da consciência citada permitiram vivências ricas e gratificantes.

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Conforme a Professora Analúcia relata: desenvolver nos alunos um conjunto de elementos teóricos e práticos para que os mesmos possam compreender e resgatar o processo de formação de sua cidade no tempo e no espaço, permitindo, assim, a visualização da evolução do chamado espaço geográfico e as mutações acusadas a cada intervalo de tempo (GIOMETTI, 2004).

Aliar e entrelaçar a pesquisa histórica através de variadas fontes documental como livros, especialmente de autores oriundos da região do Vale do Ribeira, documentos como álbuns de fotos dos imigrantes japoneses, relatos, reportagens, monumentos históricos e outros, subsidiaram uma prática pedagógica de qualidade e sucesso produzindo uma aprendizagem realmente significativa.

Os textos de Sônia Kramer, Maria Teresa A. Freitas, Shumacher e Nojimoto, Petruci e Martino auxiliaram a elaborar as hipóteses, reconhecer os problemas, desenvolver o roteiro das pesquisas bibliográficas e de campo e estabelecer os limites para as mesmas principalmente por se tratar de “metodologia das ciências humanas” conforme relata Bakhtin.

“As ciências humanas não podem, por ter objetos distintos, utilizar os mesmos métodos das ciências exatas. As ciências humanas estudam o homem em sua especificidade humana, isto é em processo de contínua expressão e criação. Considerar o homem e estudá-lo independentemente dos textos que cria significa situá-lo fora do âmbito das ciências humanas”.

Vygotsky considera que todo o conhecimento é sempre construído na inter-relação das pessoas, ele vê a pesquisa como uma relação entre sujeitos. Propõe ainda que os fenômenos humanos sejam estudados em seu processo de transformação e mudança, ou seja, em seu aspecto histórico (VYGOTSKY, 1991).

Após a oportunização de tão variados e importantes aportes teóricos foi possível elaborar todo o roteiro do trabalho em questão: desde a escolha do tema devido à sua importância, a seleção e pesquisa bibliográfica e documental, a determinação e a realização das atividades com os alunos, o registro documental das mesmas e o relato escrito de acordo com as normas técnicas apresentando assim o resultado do trabalho. Sem as informações valiosas e enriquecedoras acima citadas, sem dúvida, as dificuldades encontradas não seriam solucionadas de forma clara e precisa possibilitando um resultado positivo. O objetivo principal de aguçar a percepção e a curiosidade das crianças e a construção de sua identidade como seres sociais e históricos capazes de modificar sua realidade e seu meio foi atingido com sucesso. Aliar a teoria à prática, a pesquisa à ação permitiu ampliar o conhecimento e realizar um projeto de qualidade e inovação.

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6.2. Desenvolvimento do Trabalho

Após a fase de pesquisa bibliográfica e coleta de informações iniciamos o trabalho com os alunos da educação infantil. Numa primeira fase realizamos as atividades com duas turmas de pré III da EMEI Cantinho da Alegria, no Jardim Ipanema, posteriormente, devido á boa aceitação por parte dos alunos, o projeto foi expandido para as Emeis Balãozinho vermelho (CECAP) e Chapeuzinho Vermelho (Vila São Francisco) abrangendo crianças do Pré l e ll.

Antes de introduzir o estudo sobre a história de Registro, como já é de hábito nas salas de educação infantil, realizamos vários passeios pelo bairro com o intuito de conhecer melhor a realidade em que os alunos vivem.

Com os alunos da EMEI Cantinho da Alegria pudemos visitar dois locais interessantes para a história do Município: O atual prédio da escola Aurora Coelho, no Jardim Xangrilá, a primeira escola implantada no Município e o Sítio Toyo Jóia que ainda possui uma antiga construção típica dos primeiros imigrantes japoneses em Registro.

Além de observar as construções pudemos constatar uma área rural dentro do perímetro urbano do Município.

Em sala de aula dispusemos às crianças vários mapas para que eles pudessem observar a localização os bairros em que moram, onde está localizada a escola e marcos turístico e histórico como o Ginásio Mário Covas, o Templo Budista, a Prefeitura Municipal e o Conjunto KKKK, entre muitos outros.

As crianças mostraram muito entusiasmo por este trabalho e exultavam ao reconhecer o seu bairro de origem no mapa da cidade. Estudamos e observamos as legendas e convenções cartográficas além dos símbolos que representavam lugares importantes.

A partir desse primeiro momento outras classes iniciaram a execução do projeto. A cada nova proposta de trabalho pudemos observar a aprendizagem e a ânsia por novos conhecimentos por parte dos alunos.

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Pesquisamos em jornais e revistas da região, fotos antigas e atuais do Município. Conversamos sobre a origem do nome REGISTRO e a importância dos imigrantes japoneses para o desenvolvimento da nossa cidade. Juntamente com os alunos confeccionamos painéis de foto com os títulos: Registro ontem (fotos antigas), registro hoje (fotos atuais) e Registro amanhã, este último com desenhos dos alunos em que eles manifestam como desejam que a cidade seja no futuro. O resultado foi surpreendente. De maneira lúdica e divertida eles obtiveram inúmeras informações sobre a nossa história.

Alem das atividades realizadas junto ás crianças, enviamos pesquisas aos pais dos alunos sobre brinquedos brincadeiras de suas infâncias e sobre as comidas típicas da região.

Recebemos relatos interessantes e diversificados, sobre uma época em que as crianças podiam brincar nas ruas sem grandes preocupações, diferentemente do que ocorre hoje em nossa cidade.

Muitas receitas diversificadas, tendo como base principalmente a mandioca e a banana foram os resultados da segunda pesquisa solicitada; os pais colaboraram prontamente, o que facilitou nosso trabalho.

Após a pesquisa de comidas típicas realizamos uma manhã de degustação de pratos típicos da região como: coruja, bolo e roda, cuscuz de arroz, bolinho de goma e tapioca doce.

Inicialmente relatamos as características e como cada um desses pratos são elaborados, com quais ingredientes, etc.

Em seguida fizemos a degustação dos pratos acompanhados por chá preto outro produto típico de nossa região.

Sem dúvida foi um dos momentos mais deliciosos de todo o nosso projeto. Muitos alunos nunca haviam provado algumas das iguarias servidas, a aprovação superou todas as nossas expectativas.

Nos momentos em que normalmente fazemos a hora da história, relatamos lendas e histórias típicas da nossa região como a do lobisomem, mula sem cabeça, do monstro do Rio Ribeira e outros personagens. Os alunos registraram todos esses momentos através de desenhos, visto que ainda não estão alfabetizados. Cabe salientar que o projeto que deu origem ao presente trabalho de conclusão de curso foi realizado durante todo o ano letivo de 2007.

Foram confeccionados, após pesquisa com os pais (e a importantíssima colaboração dos mesmos) painéis com fotos, mapas, ilustrações e notícias em comemoração ao aniversário da cidade.

As crianças puderam conhecer também o hino à Registro, a Bandeira e o brasão do município, bem como o significado dos símbolos e cores presentes nos mesmos.

Realizamos leitura e escrita de pequenos textos informativos sobre os marcos históricos como: o KKKK, o Torii, o Templo Budista, o Monumento aos mortos e a Praça Nakatsugawa. Em seguida as crianças retrataram o que foi estudado através de desenho e pintura.

Terminada esta fase construímos uma maquete do conjunto arquitetônico KKKK, símbolo maior do nosso município e também da rede municipal. Um trabalho demorado, realizado em varias etapas: pintura da base, encapar e confeccionar portas e janelas nas caixas de papelão que foram o prédio, confecção de árvores, ruas e outros objetos (sempre usando E.V.A, papéis diversos, caixinhas de papelão, etc.).

Finalizando o trabalho realizado fizemos um ótimo passeio de ônibus pelos pontos turísticos e históricos de Registro: visitamos o Centro social, o Templo Budista, a Sede do Bunkiô, o Bosque Municipal, o Parque beira Rio, a Praça Nakatsugawa Prefeitura municipal e o Ginásio Mário Covas encerrando assim o tour pela cidade.

Foram atividades muito produtivas em que as crianças participaram ativamente. Pudemos assim contribuir para que elas conheçam melhor a sua cidade e valorizem as riquezas naturais e culturais de nossa região.

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6.3.Considerações Finais.

O trabalho aqui apresentado procurou cumprir dois objetivos: primeiramente realizar um relato histórico, baseado em pesquisas bibliográficas e outras fontes documentais com o intuito de subsidiar os professores da Rede municipal no trabalho com a história do Município de Registro, através de um texto de fácil entendimento, sem, no entanto fugir ao rigor cientifico. Em segundo lugar apresentar o resultado de um trabalho realizado com os alunos da Educação Infantil do Município, provando que é possível realizar atividades atraentes, interessantes, proporcionando às crianças o conhecimento de suas raízes e da cultura do seu povo.

Aliar pesquisa cientifica e prática pedagógica foi um desafio e ao mesmo tempo uma prioridade para que os objetivos acima fossem alcançados de forma satisfatória.

As atividades propostas aos alunos foram formuladas de modo à atender às especificidades da faixa etária do alunado.

Propunham desafios sem, no entanto serem impossíveis de realizar, com um alto grau de ludicidade, procurando abranger todos os aspectos do tema escolhido de forma dinâmica e interativa, contando com a participação e a contribuição dos familiares; as crianças puderam paulatinamente construir e absorver nos conhecimentos, interagindo, passado e presente, tradição e inovação, cultura ribeirinha e nipônica, de forma teórica e prática.

Como são crianças ainda não alfabetizadas, os resultados foram percebidos principalmente através da oralidade e da mudança comportamental dos mesmos; o conhecimento possibilitou o interesse e respeito pelas nossas tradições, pela importância da imigração japonesa e o reconhecimento dos pontos e marcos turísticos e históricos da cidade como documento da trajetória do povo registrense.

O relato histórico e o trabalho realizado em sala de aula são exemplos das possibilidades que o tema escolhido apresenta, não são dados conclusivos e definitivos. Novas experiências e contribuições podem ser incluídas ao longo do tempo, mas os objetivos principais foram alcançados com sucesso resultando uma aprendizagem significativa entre os educandos que fizeram parte do projeto.

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Referências Bibliográficas

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LARAGNOIT, Paulo de Castro. A Vila de Prainha. São Carlos: Jaburu, 1984

OLIVEIRA, Selmo “Mimo” de. Os Bastidores do Poder. São Paulo: Stampato, 2002

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