Curiosidades do Vale do Ribeira e Suas Cidades

Este blog tem por finalidade mostrar as belezas naturais do Vale do Ribeira ,suas Histórias,curiosidades,lendas ,culinaria e suas Cidades : Registro-sp , Sete Barras , Eldorado ,Jacupiranga , Cajati, Pariquera-açu, Iporanga, Ribeira, Iguape etc….

25.11.09

Reginaldo, em Barra do Turvo, é o mais novo remanescente quilombola reconhecido

Governador José Serra reconhece o 25º. quilombo de SP Assentados e quilombolas puderam vender seus produtos no Parque da Água Branca (SP) durante o feriado; na ocasião também foram entregues 14 novos veículos para a Fundação Itesp, permitindo renovação e reforço da frota nos escritórios em Presidente Prudente, Pariquera-Açu, Sorocaba, Araquara, Araras, Andradina e Taubaté

Durante as comemorações do Dia da Consciência Negra, o governador José Serra reconheceu uma nova comunidade do Estado como remanescente de quilombo. O anúncio foi feito durante a Feira Quilombos em São Paulo, realizada pela Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).


Reginaldo, na cidade de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, é o 25º
. quilombo a ser reconhecido oficialmente no Estado de São Paulo. A entrega do relatório técnico-científico – que comprova o reconhecimento – foi feita pelo governador durante sua visita, na última sexta, dia da Consciência Negra, à Feira Quilombos em São Paulo, realizada no Parque da Água da Branca. O relatório foi entregue à quilombola Marizaura Pontes, professora em Reginaldo, que, mesmo grávida de oito meses, fez questão de encarar a viagem de seis horas de duração do Vale do Ribeira a São Paulo e, como líder da comunidade, receber o reconhecimento. “Esse é um dia histórico para nós”, disse Marizaura. A comunidade de Reginaldo tem cerca de 1600 hectares e 94 famílias. “Este feriado é um agradecimento a toda uma contribuição que a comunidade negra tem em nosso desenvolvimento”, afirmou o
governador.

O evento, realizado simultaneamente com a Feira dos Assentamentos Paulistas, ocorreu sexta e sábado na capital. Na ocasião também foram entregues 14 novos veículos para a Fundação Itesp, permitindo a renovação e reforço da frota nos escritórios em Presidente Prudente, Pariquera-Açu, Sorocaba, Araraquara, Araras, Andradina e Taubaté. “Isso tem um caráter histórico e ao mesmo tempo de suporte social. Há uma boa parte da comunidade negra que reivindica se transformar em comunidade quilombola e o governo hoje reconheceu mais uma. Além disso, nós entregamos veículos para ajudar no desenvolvimento dessas comunidades. O governo investe tanto na formação quanto no desenvolvimento produtivo delas, como no artesanato e na agricultura, para que possam ter renda e um futuro de oportunidades”, disse o governador.

A Fundação Itesp é a responsável, no Estado de São Paulo, pelo reconhecimento dos quilombos e de seus territórios, por meio da elaboração do relatório e demais estudos e levantamentos. Também fornece assistência técnica, apoio ao desenvolvimento e realiza investimentos em benefício das comunidades.

Feiras simultâneas

A Feira Quilombos de São Paulo chegou este ano à sua terceira edição – e pela segunda vez é simultânea à Feira dos Assentamentos Paulistas. No ano passado, o evento reuniu mais de 25 mil pessoas. Foram expostos e vendidos artesanatos em fibra de bananeira, madeira, palha de milho e bijuterias de sementes, além de frutas, legumes, compotas doces, doce de leite, picles, pães, roscas, bolachas, açúcar mascavo, rapadura, flores, ostras e móveis, entre outros – tudo cultivado e produzido nos quilombos e assentamentos paulistas.

As comunidades quilombolas foram representadas por remanescentes do Vale do Ribeira (Ivaporunduva, Sapatu, Iporanga, Itaoca, Cangume, Porto Velho, Bombas, Praia Grande, Maria Rosa, Pilões, Pedro Cubas, André Lopes, Nhunguara, Poça, São Pedro, Mandira, Morro Seco, Ribeirão Grande, Terra Seca, Cedro, Mandira), Itapeva (Jaó), Itatiba (Brotas), e Litoral Norte (Fazenda, Caçandoca e Caçandoquinha). Os assentados vieram das regiões de Itapeva, Sorocaba, Iaras, Promissão Andradina, Taubaté, Araras, Araraquara, Bebedouro e do Pontal do Paranapanema. Os quilombolas ainda realizaram apresentações culturais do Terço Cantado (quilombo Pedro Cubas, de Eldorado), Maculelê e dança africana (quilombolas de Jaó, em Itapeva). A feira é uma realização do Itesp e da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, com apoio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento / Governo do Estado de São Paulo.

fonte:Fundação ITESP
Site: www.itesp.sp.gov.br

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25.5.09

Estado de São Paulo passa a ter 24 quilombos reconhecidos: 100 famílias são beneficiadas

Estado de São Paulo passa a ter 24 quilombos reconhecidos: 100 famílias são beneficiadas

Eventos no Vale do Ribeira, nesta sexta (22), incluíram o lançamento de campanha contra exploração sexual de crianças e adolescentes; estiveram presentes o Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Guimarães Marrey, e diretor executivo do Itesp, Gustavo Ungaro.

Nesta sexta, dia 22, o Vale do Ribeira passou a ter formalmente mais duas comunidades quilombolas; são elas Cedro e Ribeirão Grande / Terra Seca, beneficiando 100 famílias e elevando para 24 o número de quilombos reconhecidos no Estado de São Paulo. Na mesma ocasião foram entregues títulos de propriedade a famílias residentes nos municípios de Jacupiranga (176 famílias), Registro (68 famílias) e Cajati (38 famílias).

O anúncio do reconhecimento e a entrega dos títulos ocorreram durante a visita do secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, do diretor executivo do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Ungaro, e da coordenadora do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), Anália Belisa Ribeiro, que lançam no Vale a Campanha contra Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, criada pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, com apoio do Itesp. A ação é resultado de uma ação conjunta do Governo do Estado de São Paulo, Governo Federal e parceiros ligados ao tema.

Na ocasião, o Itesp – órgão responsável pelas comunidades remanescentes de quilombos paulistas – apresentou uma cartilha para orientar e combater o tráfico de seres humanos nas comunidades quilombolas. A cartilha traz a história da jovem Luanda, personagem que sai do seu quilombo em busca de seus sonhos e descobre que foi enganada, caindo na miséria e na prostituição.

Dados mostram que o tráfico de pessoas é uma prática criminosa que movimenta anualmente, em todo o mundo, cerca de 8 bilhões de dólares, só perdendo em lucratividade para o tráfico de drogas e o contrabando de armas. A maioria dos casos (92%) relaciona-se com a exploração sexual: as principais vítimas são mulheres e crianças carentes.

Entre as instituições que apoiam e atuam em conjunto com os órgãos do Estado que promovem a Campanha do enfrentamento ao tráfico de pessoas, está a UNISA – Universidade de Santo Amaro. Os alunos do curso de Publicidade e Propaganda Pólo Registro da UNISA desenvolveram peças de campanha com o slogan “TRÁFICO DE PESSOAS – NÃO ALIMENTE ESSE MERCADO”, que envolvem “jingles”, cartazes, e CDs contendo imagens da peça de publicidade da campanha para inserção nos PCs das lan-houses do Vale do Ribeira. Os materiais foram apresentados no auditório do KKKK, às 10 horas, como parte da programação dos eventos do dia.

Fonte Site Diario de Iguape

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1.10.08

Quilombos do Vale do Ribeira no Estado São Paulo

No Sudoeste de São Paulo, a região do Vale do Ribeira, cerca de 10% do território paulista, concentra a maior área remanescente da Mata Atlântica no Estado de São Paulo. É onde se encontram localizados os remanescentes de quilombos.

Define-se como quilombo: “Toda comunidade negra rural que agrupa descendentes de escravos, vivendo de cultura de subsistência e onde as manifestações culturais têm um forte vínculo com o passado”.

Geograficamente, a região do Vale do Ribeira divide-se em três sub-regiões:

Baixada do Ribeira que compreende os municípios de Eldorado, Jacupiranga, Pariquera-Açu, Registro e Sete Barras;

Sublitorânea, que compreende os municípios de Iguape e Cananéia

Alto Ribeira que compreende os municípios de Iporanga, Apiaí e Ribeira

As comunidades de quilombos ali existentes são parte da população rural que constitui a maioria na região. Estima-se em cerca de 50 as comunidades de remanescentes de quilombos no Vale do Ribeira.

Até o momento foram identificadas 25 comunidades, das quais seis já foram reconhecidas como sendo de fato remanescentes de quilombos: Ivaporonduva, São Pedro, Pilões, Maria Rosa, Pedro Cubas e Galvão. Outras três encontram-se em fase de reconhecimento: André Lopes, Sapatu e Nhunguara.

No município de Eldorado/SP localizam-se as comunidades de Ivaporunduva, São Pedro, Pedro Cubas, Nhunguara, André Lopes, Sapatu, Galvão e Abobral, sendo que, embora esta última já apareça nos mapas como comunidade remanescente de quilombo, ainda não foi oficialmente reconhecida como tal. No município de Iporanga/SP estão as comunidades de Pilões e Maria Rosa.

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29.9.08

Comunidade Quilombola Maria Rosa em Iporanga-SP

Comunidade Quilombola Maria Rosa no Municipio de Iporanga-SP no Vale do Ribeira

Situada praticamente em frente a Pilões, na região do Alto Ribeira, a comunidade de Maria Rosa também se formou em um local distante e de difícil visibilidade. Escravos fugiam para o local, onde se instalaram e desenvolviam atividade agrícola para sobreviver.

De acordo com os relatos e documentos disponíveis, acredita-se que houve uma ocupação territorial negra em Maria Rosa e em Pilões, na mesma época em que algumas fazendas da região ainda contavam com o trabalho escravo.

Em um documento de 1863, o subdelegado de polícia de Iporanga noticia à presidência da Província comunicando a existência de negros em quilombos nas proximidades da região e pedindo providências para destruí-los.

A partir de 1844, os registros de batismo começam a indicar a presença de negros livres nos arredores da região.

A comunidade é formada atualmente por 20 famílias.

As terras de Maria Rosa foram tituladas em 2001 pelo governo do Estado de São Paulo com 3.375,66 hectares.

A área encontrava-se ocupada por cinco posseiros e fazendeiros, mas o processo de desintrusão foi concluído e hoje a comunidade tem suas terras livres de não-quilombolas.

Fonte Site Comunidades Quilombolas

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28.9.08

Comunidade Quilombola Pilões em Iporanga-SP

A comunidade de Pilões, formada por 51 famílias, está situada no município de Iporanga-SP no Vale do Ribeira, na região do Alto Ribeira, em um local distante da cidade e de difícil acesso. Para chegar até a comunidade, deve-se atravessar o Rio Ribeira do Iguape e andar por dez quilômetros em uma estrada não-pavimentada, que atravessa a Serra de Pilões e segue margeando o Rio Pilões e seus afluentes.

No Livro de Tombo da Paróquia de Xiririca, Pilões aparece como o último dos 54 bairros da Paróquia, e a origem de seu nome é assim explicada: "Pilloens, Ribeirão. Bairro e Demarcação superior. O nome desse coudaloso rio, cheio de cachoeiras, provem ao que dizem, de achar-se n´aquelles tampos antigos hú pilão de madeira ou no mato, ou no mesmo rio".

Os moradores contam, porém, que o nome Pilões foi dado porque existiam muitos buracos nas pedras do rio iguais a um pilão.

O bairro era conhecido como Porto de Pilões, pois era onde as embarcações descarregavam mercadorias para a sede das fazendas que utilizavam mão-de-obra escrava.

Os relatos dos moradores contam que, no século XVII, moravam na região senhores brancos com seus escravos. Em um primeiro momento, concomitante do tempo da mineração, a ocupação dessa região foi marcada pela presença da escravidão. Os escravos resistiam, se rebelavam, fugiam e formavam quilombos.

Há registros de um documento, datado de 1863, no qual o subdelegado de polícia de Iporanga noticia à presidência da Província comunicando a existência de negros em quilombos nas proximidades da região e pedindo providências para destruí-los.

As terras de Pilões foram parcialmente tituladas em 2001 pelo governo do Estado de São Paulo com 5.925,99 hectares, o que corresponde a 95% do território total.

O Incra abriu processo para regularizar as terras de Pilões. No entanto, até maio de 2007, nenhuma providência tinha sido implementada.

Fonte Site Comunidades Quilombolas

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27.9.08

Comunidade Quilombola Poça em Eldorado-SP

O diretor executivo da Fundação Itesp, Gustavo Ungaro, mandou publicar na terça-feira 13 de maio de 2008, no Diário Oficial do Estado, o reconhecimento da comunidade quilombola de Poça, localizada no Município de Eldorado, no Vale do Ribeira. Poça é a 22ª comunidade quilombola reconhecida pelo Governo de São Paulo e a primeira da gestão do Governador José Serra.

A comunidade de Poça é formada por 44 famílias, que vivem basicamente do plantio de banana. A origem remonta à história do ciclo minerador, iniciado na região no século XVII, e do plantio de arroz, que teve seu ápice no século XIX, quando o chamado "arroz de Iguape" ficou famoso pela sua qualidade. As duas fases se apoiaram na mão-de-obra escrava.

Os estudos feitos pelos pesquisadores do Itesp, por meio de relatos de moradores e pesquisa documental, mostram que os atuais moradores são descendentes de várias famílias que se instalaram na área no início do século XIX: Costa, Pupo, Vieira, França, Marinho, Rosa, entre outros.

O Vale do Ribeira é a região que concentra a maioria das comunidades quilombolas do Estado. Das 22 comunidades já oficialmente reconhecidas pela Fundação Itesp, 15 estão nos municípios de Eldorado, Iporanga, Cananéia, Iguape e Itaoca. São 651 famílias beneficiadas naquela região.

As origens dessas comunidades remontam à história do ciclo minerador iniciado no século XVII, que se apoiou na mão-de-obra de homens e mulheres negros escravizados. Com a Constituição de 88, os quilombos passaram a ter assegurado o direito à propriedade da terra por eles ocupada.

O Governo do Estado, por meio da Fundação Instituto de Terras (Itesp), atua para garantir o cumprimento desse preceito constitucional. O Itesp é responsável pelo reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos que vivem em área reconhecidas devolutas em São Paulo. Além das 22 comunidades já reconhecidas, outras dez estão em processo de reconhecimento.

A Fundação Itesp também presta assistência técnica e extensão rural para essas comunidades. O trabalho é feito por meio de atividades agrícolas, manejo florestal, produção de artesanato e capacitação dos moradores em diversos programas.

Marrey com o prêmio recebido da OABSP.Reconhecimento
Nesta semana, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, foi homenageado pela Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios (Conad). Marrey recebeu das mãos do presidente da seccional paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D’Urso, o prêmio “Luta pela Igualdade Racial”.

A homenagem comemorou os 120 anos da Abolição da Escravatura. A premiação foi entregue a personalidades que se destacaram na luta contra o racismo entre eles o ministro da Cultura, Gilberto Gil, o ministro do STF, Joaquim Barbosa, o senador Paulo Paim e o professor Hélio Santos.

FONTE Imprensa Itesp

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26.9.08

Comunidade Quilombola Porto Velho em Itaoca-SP

Comunidade Quilombola Porto Velho

A estrada de terra que dá acesso á Comunidade Porto Velho tem 4 km de extensão e começa na estrada Itaoca-Pavão, na altura do bairro Fazenda, no município de Itaoca – SP no Vale do Ribeira .

A comunidade possui 21 famílias, com aproximadamente 80 pessoas, sendo pouco mais de um quarto de crianças de até 12 anos e 10% de idosos. O analfabetismo é encontrado na população com mais de 50 anos. As pessoas com menos de 40 anos tem escolaridade compatível com a idade, tendo concluído até o ensino médio. A comunidade conta com pré-escola até a 4ª. série do ensino fundamental. Para as séries seguintes é preciso se deslocar para o Bairro Pavão. A prefeitura de Itaoca fornece transporte para os estudantes.

Conta também com um posto de saúde e duas vezes por mês é feito atendimento por um médico e dois enfermeiros. Há também um agente de saúde da própria comunidade. A principal fonte de renda é a agricultura familiar: roça de arroz, feijão, milho, mandioca, batata doce, cana, amendoim; pomares com mamão, laranja, limão, banana; cultivo de maracujá e hortaliças. Algumas pessoas trabalham para a prefeitura e outras recebem diárias por trabalhos realizados para outras famílias.

Histórico

O nome da comunidade surgiu por ser ali o último porto do Rio Ribeira de Iguape no sentido contrário de seu curso. Segundo os registros, no século XIX o território era uma fazenda que utilizava mão de obra de escravos. Em crise financeira, o dono deixou as terras para as famílias de escravos que ali trabalhavam. Uma dessas famílias era a de Basílio da Rosa, que deu origem à comunidade. Faziam roça para a subsistência, cultivando feijão, milho, arroz, cana, mandioca e faziam pequenas criações familiares de galinhas e porcos. Parte dessa produção era transportada de canoa até Eldorado e Iguape, onde era comercializada. Nessas cidades eram comprados sal, trigo, querosene, tecidos e outros produtos industrializados. Essa viagem de ida e volta levava 20 dias.

Em meados do século XX, o herdeiro de uma terra chamada Porto dos Apertados, localizada no Paraná, chegou dizendo que aquela era a terra dele e forçou as famílias a trabalharem para ele para poderem permanecer ali. Combinava de produzir “a meia” (metade do produto para o produtor e metade para o fazendeiro), mas ele pagava quando e quanto queria, sempre explorando as famílias. Não permitia o descanso nos domingos e outros dias santos.

A partir do início dos anos 1980 começaram a tomar consciência de seus direitos e da exploração que estavam sofrendo. Inicialmente começaram a se recusar a trabalhar nos domingos e dias santos estimulados pela leitura da Bíblia, principalmente trechos que falam da proibição de trabalho nesses dias. Com o tempo se recusaram a trabalhar naquelas condições mesmo nos dias úteis.

Os constantes conflitos e a pressão do fazendeiro impedindo inclusive o cultivo de roça, fez com que muitas famílias deixassem a comunidade e fossem para bairros vizinhos e cidades próximas. Apenas 9 famílias permaneceram.

Tomando conhecimento de outras comunidades remanescentes de quilombo da região que reivindicavam esse reconhecimento e a propriedade das terras tradicionalmente ocupadas, a comunidade procurou o Instituto de Terras do Estado de São Paulo – Itesp, que iniciou a elaboração do Relatório Técnico-Científico (RTC) para o reconhecimento da comunidade. Para isso, contaram também com a assessoria jurídica da Igreja Católica.

No dia 31 de agosto de 2001, foi criada a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Porto Velho. Registrada em 2002 tinha como principal papel a representação da comunidade na luta pela terra. Em represália, no dia 22 de junho de 2002, familiares do fazendeiro, a mando deste, demoliram a igreja da comunidade. Essa atitude causou grande revolta nos moradores e trouxe para Porto Velho a solidariedade das comunidades vizinhas. A associação acionou a polícia local e a Polícia Federal. Esse fato agilizou uma ação contra o fazendeiro que já corria na justiça, conseguindo uma liminar destinando 30 alqueires (72 ha) para uso das famílias quilombolas. A conclusão do RTC se deu um mês depois reconhecendo Porto Velho como uma comunidade remanescente de quilombo. Com essa garantia mínima da terra, as famílias começaram a retornar, chegando às 21 que atualmente moram e trabalham na terra.

Fonte Quilombos do Ribeira

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25.9.08

Comunidade Quilombola Morro Seco em Iguape-SP

Comunidade Quilombola Morro Seco

Para chegar à Comunidade Remanescente de Quilombo de Morro Seco, no Município de Iguape – SP no Vale do Ribeira , é preciso entrar em uma estrada de terra que fica no Km 419 da BR-116, à direita de quem vem no sentido Curitiba/São Paulo e percorrer 5 Km.

A comunidade hoje é composta de 22 famílias, totalizando 85 pessoas. Mais da metade da população tem idade entre 19 e 60 anos. Há 16 crianças com até 12 anos e 14 idosos, com mais de 60. A escolaridade da maior parte das pessoas é o ensino fundamental incompleto, até a 4ª. série. Nos extremos, apenas 1 pessoa teve acesso ao ensino superior e 6 não são alfabetizados.

A principal fonte de renda na comunidade é a produção agrícola. A maior parte da produção de arroz, feijão e hortaliças é para consumo das famílias. A produção de farinha de mandioca e banana, então em boa parte, destinadas a comercialização.

Embora a produção agrícola seja uma presença marcante na comunidade, as poucas alternativas de renda fazem com que grande parte dos pais de família e jovens tenha que sair da comunidade ou trabalhar fora dela como assalariado, diarista ou empreiteiro para garantia de seu sustento, enquanto outros realizam atividades informais mesmo dentro da comunidade.

Histórico

O território até hoje ocupado pela comunidade era um sertão de mata alta, de nome Capoava, para onde os escravos fugiam. Era uma área isolada: não havia estrada e a única saída era para Iguape, pelo Rio Morro Seco até sair no Rio Peroupava, sendo necessários 4 dias de canoa a remo até a cidade. Esse era o percurso que os moradores faziam para levar o arroz para ser vendido em Iguape, depois de terem embarcado nos portos de Nhá Juséfa e Guamixama.

Uma das lembranças dos atuais moradores com relação aos escravos é de Juari Alves Pereira: “Geraldina Rita Modesta Alves, nossa mãe, dizia quando ainda éramos pequenos: ‘Minha avó era escrava’.” Seu pai, Hermes Modesto Pereira, de 65 anos, conta que seu pai, Joaquim Soares Alves dizia: “Acho que meu pai era escravo, por ser mais preto do que eu, por ter o nariz bem grande e os lábios grossos”.

Considerando a influência de outros povos na formação da comunidade, o sr. Armando Modesto Pereira, de 71 anos, diz: “Minha avó era branca, de cabelos pretos e longos”. Izaltina Geraldina Modesto, também uma moradora quilombola, afirma: “Ela era descendente de português.”

Sobreviviam principalmente da roça, em especial de arroz, feijão milho e mandioca. Organizavam mutirões para a roça e faziam festas em conjunto. Para essas atividades era convidada toda a vizinhança onde dizia-se: “Podes me ajudar no próximo sábado?” Depois de um bom convite ia se discutir o que teria na festa. Tudo corria muito bem e certo.

Diz o senhor Armando, de 71 anos: “Por volta de 1940, nosso pai, Joaquim Soares Alves, nos contava que quando era ainda menino e já aconteciam na vizinhança os de-mão, as festas, as danças e os mutirões”. E foi reforçado por Antonia Domingues de Assis, de 86 anos, que diz: “Quando eu tinha 15 anos já existia fandango”.

Muito religiosos, guardavam vários preceitos, principalmente na Quaresma e Semana Santa: durante toda a Quaresma não se comia carne nas sextas-feiras, não cortava cabelo, não tocava viola e não dançava. Só voltava a dançar no Sábado de Aleluia. Dizia-se até que Jesus pegou a cruz na Quarta-feira de Cinzas, carregou durante 45 dias e morreu na Sexta-feira Santa. Quarta-feira de Cinza e Quinta-feira Santa eram dias de jejum. Na Quarta-feira de Cinza e na Sexta-feira da Paixão, varria a casa e não jogava o lixo fora. Na Quarta-feira Santa não se fazia nada até o meio dia. Na Quinta-feira Santa não se fazia nada depois do almoço, por entender que era um dia santo e que devia ser respeitado e por não ter claro ainda sobre a agonia de Jesus.

Até a década de 1950 a população que se localizava nessas imediações era chamada de vizinhança. O conceito de comunidade chegou ao Morro Seco trazido por um representante da Igreja Católica. Nessa época, o representante religioso orientou que dali havia de se escolher uma pessoa que fosse representar a comunidade nas atividades que aconteciam fora dali, sendo esse chamado de representante da comunidade.

A idéia de criar uma associação veio quando se sentiu a necessidade de se organizar melhor para busca de melhores condições de vida para a comunidade, através principalmente do reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo e a titulação da terra ocupada tradicionalmente. “Em 1999 com a presença de assessores técnicos e jurídicos começamos a discutir para a elaboração de um Estatuto. Foram quase 3 anos de discussão até a constituição da associação, que aconteceu em 25 de agosto de 2002 e formalizada em 03 de fevereiro de 2003”, diz Juari.

Fonte Quilombos do Ribeira

 

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24.9.08

Comunidade Quilombola Galvão em Eldorado-SP

Comunidade Quilombo Galvão em Eldorado-SP

Com a maior parte de seu território no município de Eldorado (SP) e parte em Iporanga no  Vale do Ribeira, o acesso à comunidade está na altura do km 41 da estrada Eldorado/Iporanga, a SP-165. Após atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, percorre-se 2,5 km em uma estrada de terra para chegar à comunidade, situada na margem esquerda do Rio Pilões.

A comunidade é formada por 33 famílias, em um total de 143 pessoas. Parte das famílias mantém a roça como atividade básica para a subsistência: feijão, arroz, milho e mandioca. Fazem também horta, cultivando alface, couve e almeirão. A maioria tem uma pequena criação de porcos e galinhas para consumo da família. Boa parte trabalha para a prefeitura e governo do estado, além de trabalhos diários em fazendas próximas.

A história do bairro Galvão está intimamente ligada à história do bairro São Pedro. Ambos formavam um único grupo de parentesco, ocupando um território inicialmente contínuo.

O início do povoamento foi em 1833 com a chegada de Bernardo Machado dos Santos, juntamente com 8 mulheres e 4 homens, os primeiros habitantes da comunidade de São Pedro. Eram escravos fugidos de uma fazenda. Por causa das perseguições que sofria, Bernardo trocou seu nome para Bernardo Furquim de França.

Para sua subsistência, desde o início, faziam roça de arroz, feijão, milho, cará, batata, mandioca, cana, banana, etc. e criavam porcos, galinhas e cavalos para o serviço e transporte. Pescavam, caçavam e coletavam cipó, taquara, palhas para construções e artesanato. Vendiam arroz, milho e feijão em Iguape, para onde desciam de canoa, e compravam sal e tecido para costurar roupas à mão.

Faziam mutirões (chamado na época de puchirão) para derrubada e roçada, colheita de arroz, milho e feijão. Neles, o dono da roça convidava outros moradores em número que dependia do tamanho da área. Como “pagamento do serviço” oferecia comida e bebida. Havia também a troca de dia, onde alguém que recebia ajuda de trabalho de um vizinho, trabalhava para ele a mesma quantidade de dias quando ele precisasse.

No início do século passado alguns moradores venderam parte de suas terras para fazendeiros. Alguns fazendeiros foram tomando mais terras do que haviam comprado, causando conflitos com os moradores tradicionais, fazendo ameaças e mortes de fato.

Em 1999 resolveram separar as duas comunidades, com associações distintas, para lutar pela terra. No mesmo ano foi fundada a associação. Em 2000 foi feito o RTC (Relatório Técnico-Científico) e no mesmo ano foi dado o reconhecimento como comunidade de remanescentes de quilombo.

Fonte Quilombos do Ribeira

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23.9.08

Comunidade Quilombola Mandira de Cananéia-SP

Comunidade Quilombola Mandira


A comunidade Mandira está localizada na Estrada Itapitangui/Ariri – Km 11, no Município de Cananéia-SP no Vale do Ribeira

Residem na comunidade 25 famílias, sendo 30 crianças, 22 jovens, 44 adultos e 9 idosos, dando um total de 105 pessoas. Quase todas são alfabetizadas, algumas completaram o ensino médio, outras apenas tem o ensino fundamental (incompleto) e 5 não são alfabetizadas.

Com a impossibilidade de fazer roça e criar animais para a subsistência, devido a restrições ambientais e indefinição na titulação do território, a principal fonte de renda dentro da comunidade é o manejo de ostra. Outras atividades importantes são: artesanato de cipó, bijuteria com sementes nativas, confecção de bolsas, camisetas, macacões para apicultura, chaveiros, bonecas e enfeites de pano, além de apicultura.

Histórico

A comunidade do Mandira surgiu na segunda metade do século XIX, em 1868, quando o patriarca da família, Francisco Mandira, recebeu as terras do sítio, com cerca de 1.200 alqueires (2.880 ha), como doação de sua meia irmã Celestina Benícia de Andrade. Francisco Mandira era fruto da relação do senhor de escravos Antônio Florêncio de Andrade com Tereza, uma de suas escravas. Francisco Mandira casou e teve alguns filhos, entre eles João Vicente Mandira e Antônio Vicente Mandira, ambos casaram tiveram filhos, dando assim continuidade a comunidade Mandira, e hoje somos a sétima geração.

Fonte Quilombos do Ribeira

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22.9.08

Comunidade Quilombola São Pedro em Eldorado-SP

Comunidade Quilombola São Pedro

O acesso à comunidade está na altura do km 41 da estrada Eldorado/Iporanga no Vale do Ribeira , a SP-165. Após atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, percorre-se 8 km em uma estrada de terra para chegar à comunidade.

A comunidade é formada por 47 famílias, em um total de 132 pessoas. Além da roça de arroz, milho e feijão para consumo, algumas famílias criam gado tanto para consumo como para venda. Uma outra fonte de renda, não relacionada à cultura tradicional, é a cultura de maracujá, feita por dez pessoas da comunidade, voltada para a comercialização. A última área recebida pela associação tinha o cultivo de palmito pupunha, que está sendo manejado para a comercialização. O mutirão, ou puxirão, é muito pouco utilizado atualmente. Hoje é mais comum a contratação de diária ou empreita, pagos em dinheiro. Quinze pessoas recebem aposentadoria e alguns são funcionários da prefeitura e governo do estado.

Histórico

A história do bairro São Pedro está intimamente ligada à história do bairro Galvão. Ambos formavam um único grupo de parentesco, ocupando um território inicialmente contínuo.

O início do povoamento foi em 1833 com a chegada de Bernardo Machado dos Santos, juntamente com mais ou menos 8 mulheres e 4 homens, os primeiros habitantes da comunidade de São Pedro. Eram escravos fugidos de uma fazenda. Por causa das perseguições que sofria, Bernardo trocou seu nome para Bernardo Furquim de França. O nome do bairro era Lavrinha por ser um lugar de lavra de ouro.

Para sua subsistência, desde o início, faziam roça de arroz, feijão, milho, cará, batata, mandioca, cana, banana, etc. e criavam porco, galinha e cavalos para o serviço e transporte. Pescavam, caçavam e coletavam cipó, taquara, palhas para construções e artesanato. Vendiam arroz, milho e feijão em Iguape, para onde desciam de canoa, e compravam sal e tecido para costurar roupas à mão.

Faziam mutirões (chamado na época de puchirão) para derrubada e roçada, colheita de arroz, milho e feijão. Neles, o dono da roça convidava outros moradores em número que dependia do tamanho da área. Como “pagamento do serviço”, oferecia comida e bebida. Havia também a troca de dia, onde alguém que recebia ajuda de trabalho de um vizinho, trabalhava para ele a mesma quantidade de dias quando ele precisasse.

No início do século passado alguns moradores venderam parte de suas terras para fazendeiros. Alguns fazendeiros foram tomando mais terras do que haviam comprado, causando conflitos com os moradores tradicionais, ameaças e mortes de fato. Por causa desses conflitos, organizaram-se em uma associação para conseguirem definitivamente a terra.

Fonte Quilombos do Ribeira

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21.9.08

Comunidade Quilombola Cangume em Itaoca-SP

Comunidade Quilombola Cangume


A estrada Itaoca-Cangume, que dá acesso à comunidade, começa no Bairro do Henrique, no município de Itaoca – SP no Vale do Ribeira ,e tem uma extensão de 8 km.

O Cangume trata-se de uma comunidade de remanescentes de quilombo, hoje com 39 famílias, totalizando 200 pessoas. A partir de 1997, com a intervenção da prefeitura local, as famílias passaram a ter acesso à saúde, reduzindo consideravelmente o índice de mortalidade infantil. Esse acesso se deu principalmente com a implantação do transporte escolar, que favorece também os moradores em geral, possibilitando a ida à Itaoca para tratamento. A implantação do telefone público possibilita a chamada de socorro ao posto de saúde em caso de urgência.

A escola instalada na comunidade oferecia apenas o ensino de 1ª. a 4ª. séries até 2005, quando foi implantada também a educação infantil, para crianças de 4 a 6 anos. Para a continuidade do estudo, de 5ª. a 8ª. séries do ensino fundamental e ensino médio, os adolescentes e jovens precisam se deslocar para o bairro Pavão, a 10 km da comunidade. Para esse deslocamento, contam com o transportes escolar, oferecido pela prefeitura de Itaoca, 4 vezes por dia. Para os jovens e adultos que não tiveram oportunidade de freqüentar a escola, há um Núcleo de Alfabetização.

Histórico

A história do Cangume vem de muito tempo, por volta dos anos de 1870, quando acabou a Guerra do Paraguai, o conflito que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Entre os mais velhos da comunidade há várias histórias que explicam o nome da comunidade: uma delas fala de um negro escravo, João Cangume, que foi um dos primeiros negros que fugiram para Pinheiro Alto, que depois passou a ser chamado de Cangume.

Sobreviviam principalmente da roça de mandioca, milho, feijão e cana. Faziam “farinha de monjolo” (farinha de milho triturado no monjolo) e farinha de mandioca, que eram consumidas pelas famílias e vendidas em Itaoca. Com o caldo da cana faziam “café de garapa” (café coado com caldo de cana, que dispensa o uso de açúcar), rapadura, taiada (doce de garapa, farinha de mandioca e gengibre) e doces de frutas. Tinham pequenas criações familiares de galinha, porco e cabrito. Utilizavam os recursos naturais da região para a fabricação artesanal de utensílios: esteiras de taboa, panelas de barro, cestos, apás e peneiras de taquara de lixa. Trabalhavam em mutirão para a abertura de roças, construção de casas de pau-a-pique e para fazer a colheita.

Inicialmente de tradição católica, pouco tempo depois os moradores de Cangume se tornaram espíritas. Contam os mais velhos que em uma festa, vários dos presentes foram tomados por espíritos. Uma pessoa do município de Apiaí, presente na festa, doutrinou esses espíritos, normalizando a situação. Desde então todos se tornaram adeptos dessa religião.

Desde sua origem até os dias atuais, Cangume conseguiu manter preservados vários de seus costumes tradicionais.

A distância de Cangume com os municípios mais próximos não desanimou as autoridades municipal e estadual, que levaram até a comunidade, blocos de concreto para construção de casas de alvenaria e um salão comunitário.

Fonte Quilombolos do Ribeira

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20.9.08

Comunidade Quilombola Bombas em Iporanga-SP

Comunidade Quilombola Bombas

O acesso à comunidade de Bombas, uma trilha que corta morros cobertos de Mata Atlântica, fica no Km 6 da Rodovia Antonio Honório da Silva, mais conhecida como Estrada Iporanga/Apiaí, no município de Iporanga-SP no Vale do Ribeira. Dividida em dois núcleos, Bombas de Baixo fica a 5 km da Estrada e Bombas de Cima a 10 km.

Vivem em Bombas 21 famílias, em um total de 90 pessoas. Quase metade tem até 15 anos. Por volta de um décimo tem de 16 a 25 anos e apenas 1 pessoa mais de 60. Em especial o pequeno número de jovens mostra as dificuldades de sobrevivência na comunidade e a busca de alternativas nas cidades.

A grande maioria só estuda até a 4ª. Série do ensino fundamental, disponível na comunidade. Para continuar os estudos é preciso se deslocar o Bairro da Serra ou a área urbana de Iporanga, só viável se ficar em casa de conhecidos, já que não é possível se deslocar todos os dias. Por isso, apenas uma pequena parte terminou o ensino fundamental. As pessoas dão um grande valor à educação e aproveitam a escola existente na comunidade, tanto que só há analfabetos entre as pessoas com mais de 50 anos.

O posto de saúde da comunidade está desativado desde 1996 por falta de profissional. Um enfermeiro visita a comunidade 1 vez por mês. Médico aparece raramente. Não agendam a visita, por isso muitas pessoas ficam sem atendimento por não saber de sua presença.

O plantio nas roças e quintais é a principal fonte de subsistência das famílias. Nas roças são cultivados arroz, milho, feijão, mandioca, batata doce, cara de espinho, taiá (legume para ser consumido cozido, em sopa, etc.), inhame, amendoim, chuchu (na beira da roça, em bacias mais frias, com terra úmida, chamada de chuchuá). Ao redor das casas, nos quintais, produzem laranja, ata (fruta do conde), banana, mexerica, abacaxi, ameixa, limão, café, etc.

Essa produção é voltada principalmente para o consumo das próprias famílias. É muito pequena a venda de produtos da roça na comunidade. São mais comuns as trocas e os empréstimos, pagos em uma próxima safra. Algumas frutas, como a mexerica, são vendidas no comércio da cidade mais próxima, Iporanga, para viabilizar a compra de outros produtos necessários à manutenção das famílias.

Mais comum do que a venda e a troca de produtos da comunidade no comércio da cidade por ferramentas, calçados (principalmente botas de borracha), sal, açúcar, óleo diesel (para lamparina), óleo para cozinhar, etc. São criados galinhas, patos, porcos, cavalos, burros. Esses também são principalmente para consumo próprio, mas ocorrem trocas e vendas entre as famílias. Alguns jovens procuram trabalho na cidade e em fazendas próximas para aumentar a renda familiar. Apenas quatro pessoas recebem aposentadoria ou pensão do INSS.

Histórico

A formação da comunidade começou na segunda metade do século XIX. Por ser uma area isolada, longe do rio e de difícil acesso, foi o refúgio para escravos fugidos e famílias expulsas de suas terras de várias áreas próximas. Famílias de descendentes de escravos e de portugueses que ocupavam uma área próxima, conhecida como Fazenda Furquim, foram pressionadas a abandonar as terras por uma empresa de mineração de chumbo: inicialmente fez com que assinassem um documento como se fossem agregados e posteriormente os Furquim foram expulsos. Da Serra de Iporanga, saiu a família Mota, para trabalhar em Bombas. De Baú, também em Iporanga, saíram os Ursolinos, descendentes de escravos de Nhunguara. Fugido provavelmente de Minas Gerais, veio Celestrino, passando por Itapeva e Pavão, em Itaoca, formando família com os Ursolinos e depois com Sebastiana, de Cangume. Vieram também pessoas de Porto Velho, João Sura (Paraná) e Três Águas (próximo de Porto Velho).

As famílias sobreviviam da roça (milho, arroz, mandioca, batata, horta, cana, cará de espinho), caça e coleta. Na cidade buscavam apenas roupa e sal. A despesa com roupas era muito pequena. Até mais ou menos 14 anos, usavam uma espécie de camisola. Mesmo os adultos utilizavam roupas simples, feitas na própria comunidade com tecidos comprados. “Roupas mais elaboradas só para o casamento”. Construíam monjolos para pilar o arroz e socar o milho para fazer uma tradicional farinha de milho e moendas para moer a cana e fazer rapadura, taiada (doce feito com melado de cana, gengibre e farinha de mandioca) e doces diversos adoçados com o melado.

Mais tarde começaram a criação de galinha, porcos, cabritos para consumo da carne e cavalos para o trabalho e transporte. Viveram assim até a criação do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), com decreto de 1958. Em 1983 o governo do estado delimitou o parque com picadas, e implementou as restrições próprias de um parque: limitou a realização da roça impedindo o corte de capoeira grossa e de mata, inviabilizando a criação de animais, principalmente por não ter áreas para plantar alimentos para a criação. Poucos continuam com essa atividade, em pequena escala e correndo riscos; proibiram a retirada de qualquer matéria prima da mata, mesmo cipó e proibiram a caça. Até hoje não podem cultivar palmito juçara ou pupunha, nem coletar sementes para repovoamento. As famílias ficaram sem os recursos fundamentais para a sua sobrevivência de acordo com a sua cultura. Perderam a posse da terra e passaram a viver com a incerteza de continuar na área. Com isso, várias famílias deixaram a comunidade e foram para as cidades, principalmente Apiaí, Iporanga, Guaeri e Sorocaba.

Em 2003, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) viabilizou a elaboração do RTC (Relatório Técnico e Científico) da comunidade, primeiro passo para o reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo, mas o processo está parado desde então. Em 2004 foi criada a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Bombas. Essa organização propiciou a realização de algumas atividades, mas ainda com grandes restrições. A associação, que faz parte do Conselho Consultivo do Parque, tem negociado com a administração uma forma de coexistência.

Fonte Quilombolas do Ribeira

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19.9.08

Comunidade Quilombola Pedro Cubas Eldorado-SP

Comunidade Quilombolas de Pedro Cubas

 O acesso à estrada para a comunidade de Pedro Cubas fica no quilômetro 96 da Estrada Eldorado/Iporanga (SP-163), depois de atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, no município de Eldorado (SP)no Vale do Ribeira no Estado de São Paulo. A comunidade é formada por dois núcleos, Pedro Cubas de Cima, localizada no Km13, e Pedro Cubas de Baixo, no Km 10.

Pedro Cubas é formada por 59 famílias, totalizando 222 pessoas. Quase metade dessa população tem até 15 anos. Por volta de 10% tem mais de 60 anos. A grande maioria cursou as primeiras séries do Ensino Fundamental, disponível na escola da comunidade e na vizinha Batatal. O acesso ao Ensino Médio é dificultado pela distância e dificuldade de transporte. Apenas uma pessoa tem Ensino Superior completo e outra está cursando. O analfabetismo atinge principalmente as pessoas com mais de 50 anos, que tiveram ainda menos acesso à educação que a atual geração de jovens.

A roça, realizada de modo tradicional, é a principal atividade de subsistência dessas famílias. Nela se planta de modo consorciado a macaxeira (mandioca mansa) em suas variedades mata-fome (amarela, roxa, branca e de fritura), feijão, milho, abóbora, pepino, taioba, banana, batata roxa, cará, cará de espinho, inhame, mangarito e cana de açúcar.

O artesanato, principalmente bijuterias de semente, é uma atividade complementar de renda. Também é feito o artesanato tradicional de apás e peneiras de taquara de lixa e taquaruçu, esteiras de taboa, principalmente para uso próprio e, em alguns casos, para comércio.

Histórico

O início da ocupação das terras banhadas pelo Rio Pedro Cubas deve-se a Gregório Marinho, escravo da fazenda Caiacanga, de propriedade de Miguel Antônio Jorge, que era filho de um comprador de escravos, que viveu no século XVIII. Da fazenda de Miguel Antônio Jorge, vários escravos fugiram, um deles foi Gregório Marinho.

A família Marinho aparece como um dos fundadores, tanto de Ivaporunduva, como de Pedro Cubas. Quando Gregório Marinho batizou sua filha Rosa, em 1849, ele se encontrava residente no Córrego Mundéo, em Ivaporunduva. Já no ano de 1856, ele registrava um sítio em Pedro Cubas, cujas divisas encontravam-se com as terras de Manuel Antônio Jorge e com as de Manoel Antunes de Almeida.

Pedro Cubas de Cima foi fundada por Gregório Marinho. Pedro Cubas de Baixo por Chico Marinho. Outros fundadores da comunidade foram negros escravos que trabalhavam na mineração do ouro, onde era usada muita mão de obra. Eram trazidos de outras regiões e vendidos em Iguape, onde eram negociados e depois eram levados para outras localidades rio acima.

Pedro Cubas de Cima teve sua ocupação iniciada no século XVIII, por negros fugidos e outros moradores negros que foram entrando na área. Bem antes da abolição, as famílias negras também cediam parte do território a alguns recém chegados necessitados.

A entrada de fazendeiros na região, principalmente para o cultivo de arroz, banana e criação de gado trouxe também pressão pela saída das famílias quilombolas. Não tendo como resistir, várias famílias deixaram suas terras e foram para outras áreas ou cidades.

A Constituição de 1988, reconhecendo o direito às comunidades remanescentes de quilombos às terras tradicionalmente ocupadas, trouxe esperança para as famílias que permaneceram na terra e também para aquelas que saíram, de ter seu direito garantido.

Os moradores de Pedro Cubas que conseguiram manter-se na terra, acreditando na possibilidade do reconhecimento de seus direitos territoriais e culturais, entraram em contato com os irmãos, filhos e parentes próximos, que tentavam viver enfrentando grandes dificuldades fora da área.

Em meados de 1990, os que resistiram às pressões passaram a receber de volta os parentes que haviam saído, num processo que se avoluma, ensejando a reconstituição de famílias, antes fragmentadas e possibilitando a criação de uma associação da comunidade.

A crescente auto organização das outras comunidades negras do Vale do Ribeira e o sucesso na luta pelo reconhecimento de suas terras, tiveram o mérito de fazer renascer a esperança na Comunidade Pedro Cubas. Havendo uma fazenda entre os dois núcleos, foram criadas associações distintas e o processo de reconhecimento feito separadamente.

Em 1998 foram fundadas as associações de Remanescentes de Quilombo de Pedro Cubas de Baixo e Pedro Cubas de Cima, para organizar as famílias e negociar a titulação de suas terras junto aos órgãos competentes.

Fonte Site Quilombolas do Ribeira

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17.9.08

Quilombo Ivaporunduva no municipio de Eldorado-SP

Ivaporunduva

O Quilombo de Ivaporunduva esta localizado no Município de Eldorado São Paulo no Vale do Ribeira , na SP 165, Eldorado/Iporanga, às margens do Rio Ribeira de Iguape. Composta por 80 famílias, a Comunidade de Ivaporunduva tem uma população de 308 pessoas, sendo 80 crianças, 195 adultos e 33 idosos.

A sobrevivência dessas famílias é conseguida com o cultivo tradicional de roça: arroz, mandioca, milho, feijão, verduras e legumes para uso próprio. Para o consumo e geração de renda produzem banana orgânica e artesanato, recebem grupos escolares para turismo, além de algumas pessoas que são funcionárias da prefeitura e aposentadas.

Até a 4a. série do ensino fundamental, as crianças estudam na escola municipal da comunidade. Para as séries seguintes se deslocam em torno de 6 km, com transporte fornecido pela prefeitura, até a Escola Estadual Maria Antonia Chules Princesa, que iniciou recentemente um trabalho de educação diferenciada, na Comunidade André Lopes. Para cursar o ensino médio, freqüentam escolas no bairro de Itapeúna (a 30 km) ou na cidade de Eldorado (45 km). O ensino superior só é acessível em Registro ou São Paulo.

A comunidade possui também um posto de saúde, onde semanalmente um médico e uma enfermeira dão consultas. Para exames ou tratamento, é preciso recorrer ao hospital na cidade. O Telecentro Comunitário, com acesso à internet e oito computadores, trouxe a inclusão digital para crianças, jovens e adultos, facilitando a gestão da associação, pesquisas escolares, serviços diversos e comunicação em geral.

Histórico

Alguns registros citam a origem de Ivaporunduva ainda no século XVI. Um deles fala de uma antiga proprietária de terras e de escravos, dona Maria Joana, que teria adoecido e morrido enquanto se tratava no exterior. Sendo viúva e não tendo parentes, as terras ficaram para os escravos. Esse fato teria estimulado também a vinda de escravos fugidos, que resistiram à captura dos capitães do mato por volta de 1690, formando o Quilombo de Ivaporunduva.

Segundo o livro de tombo da paróquia de Xiririca, antigo nome da cidade de Eldorado, de 1813, Ivaporunduva é a mais antiga das comunidades do vale do Ribeira. Surge como povoado no século XVII, mesmo antes de Xiririca, por causa da mineração de ouro, encontrado em grande quantidade nessa área por dois irmãos mineradores, Domingos Rodrigues Cunha e Antonio Rodrigues Cunha com um grupo de 10 escravos.

Com a crise da exploração do ouro na região, os exploradores se dirigiram para Minas Gerais e abandonaram essa área. Os antigos escravos, que permaneceram, viviam basicamente da roça de arroz, feijão, milho, mandioca, batata doce, cana, café, abóbora, banana, nhame, cará, taiá (também conhecida como taioba, semelhante ao nhame), entre outros. Construíam suas casas com a técnica do pau-a-pique, utilizando o barro, madeira, cipós e capim do próprio local. Para caçar utilizavam o laço, mondéu (espécie de armadilha armada na trilha do animal), bodoque, arapuca e despique (armadilhas para captura de pássaros feitas de madeira ou bambu). O vestuário era bastante simples, composto principalmente de uma espécie de camisolão, utilizado no dia a dia. Roupas mais elaboradas, só eram utilizadas para ir à cidade e para as missas. Trocavam parte de sua produção por tecidos, querosene, sal e outros produtos utilizados no dia a dia, através de um intermediário, que era também fazendeiro de café.

Os primeiros troncos de família foram os de Francisco Marinho e Salvador Pupo. Organizavam-se em mutirões para a roça, construção de casas, fazer e manter os caminhos. Faziam festas como a do Divino, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, juninas, São Sebastião.

A luta pela terra e contra as barragens planejadas para o Rio Ribeira fizeram com que a comunidade aumentasse e formalizasse a sua organização. Em 1994 foi fundada a Associação Quilombo de Ivaporunduva. 

 Mais informações acessar o Site Quilombolas do Ribeira

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13.6.08

Curiosidades sobre Quilombolas do Vale do Ribeira

Região quilombola

- O Vale do Ribeira é a região que concentra a maioria das comunidades quilombolas do Estado. Das 22 comunidades já oficialmente reconhecidas pela Fundação Itesp, 15 estão nos municípios de Eldorado, Iporanga, Cananéia, Iguape e Itaoca. São 651 famílias beneficiadas naquela região.

Fonte http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=95698

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