Curiosidades do Vale do Ribeira e Suas Cidades

Este blog tem por finalidade mostrar as belezas naturais do Vale do Ribeira ,suas Histórias,curiosidades,lendas ,culinaria e suas Cidades : Registro-sp , Sete Barras , Eldorado ,Jacupiranga , Cajati, Pariquera-açu, Iporanga, Ribeira, Iguape etc….

26.2.09

Cajati decreta estado de emergência, e 500 pessoas estão desalojadas

Cajati decreta estado de emergência, e 500 pessoas estão desalojadas

26/2/2009

O município de Cajati decretou na manhã desta quinta-feira estado de emergência em decorrência das fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias. De acordo com levantamento da Defesa Civil, 65 famílias estão desabrigadas e 500 desalojadas.

Só no período de 24 horas, entre as 9 horas da manhã de quarta-feira, 25 e às 9 horas da manhã de quinta-feira, 26 choveu o equivalente a 113mm, volume estimado para chuvas de quase um mês inteiro.

A enchente em Cajati assustou os moradores e causou estragos na Cidade que ainda se recupera da tragédia ocorrida em janeiro de 2008, quando as cheias atingiram cerca de 8 mil pessoas.

Os bairros mais atingidos foram Vila Vitória, Parafuso, Inhunguvira, Barra do Azeite, Vila Tatu, Cachoeirinha e Manoel Gomes. Muitos pontos no centro da cidade também ficaram cobertos pelas cheias.

Desde a madrugada, quando o volume de água começou a aumentar, equipes da prefeitura percorreram a maioria das localidades, orientando e auxiliando a população a deixar suas casas. O prefeito Luiz Koga integrou a equipe e esteve pessoalmente em vários bairros para fazer um levantamento real da situação.

Houve também pequenos desmoronamentos em alguns trechos, mas sem vítimas. No bairro Bico do Pato uma ponte de balanço foi arrancada e destruída pela força da enxurrada.

Assim que as águas começarem a baixar será iniciada uma força tarefa para limpeza das ruas e recuperação dos trechos atingidos.

Os atingidos pelas cheias estão sendo atendidos na Escola Francisco José, no Núcleo da Terceira Idade e no Ginásio de Esportes. Nos bairros urbanos o cadastramento das famílias vitimadas já começou, o que deve se estender a todas as localidades atingidas.

A Defesa Civil pede à população que permaneça em estado de alerta e fique atenta para a possibilidade de mais chuvas. A orientação é, principalmente, para aqueles que moram em áreas de risco, que permaneçam fora de suas casas. A previsão é de que as chuvas ainda continuem até sexta-feira. O telefone da Defesa Civil é o 199. As informações são de A Tribuna Online.

Fonte Site da TV Tribuna

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19.12.08

Projetos para comportas no Valo Grande de Iguape-SP

O Governador Serra falou ontem, em entrevista para A Tribuna de Santos; entre outros assuntos, abordou a instalação de comportas no Valo Grande, em Iguape. O governador disse que estuda uma solução definitiva. “Precisamos de um projeto bem feito, e já entramos na fase de licitação de projetos e de obras. Se não terminar na minha gestão, por causa dos projetos, já vai estar em um ponto irreversível”.

O Comitê de Bacia Hidrográfica (CBH)/Rio Ribeira, era presidido em 1999 por Décio Ventura (prefeito na época e novamente eleito em Ilha Comprida para 2009 a 2012), constam do documento  as intervenções no Baixo Ribeira, (de 1999) estas recomendações:

►desassoreamento do Baixo Ribeira, podendo ser viabilizado inclusive através da exploração comercial do material de dragagem;
►restauração da mata ciliar do rio Ribeira de Iguape;
►realização de levantamentos de campo e desenvolvimento de estudos visando o estabelecimento de diretrizes para as obras e ações no rio Ribeira de Iguape;
►conclusão da obra do Vertedouro do Valo Grande, através da instalação de comportas;
►alternativamente, dependendo da necessidade, a fixação da foz;
►monitoramento ambiental desses empreendimentos, podendo ser custeado inclusive com recursos advindos da exploração comercial de dragagem.

No próximo ano, completaremos dezesseis anos do início dos estudos; as licitações para os projetos ainda estão ocorrendo e, a seguir esse ritmo, mais dez ou vinte anos até que as obras das comportas (já previstas em projetos de 1992) sejam realizadas. Quem transitar por lá, pode verificar que a ponte que avança sobre o local (onde havia a barragem) tem uma estrutura lateral abandonada. Naquelas instalações, segundo divulgações oficiais da época, seriam colocadas as tais comportadas. Na ocasião, registravam-se aqui e ali os motivos para que as comportas fossem colocadas posteriormente. Dessas circunstâncias, frise-se, surgiram exatamente o teor de moção de 1999 (sete anos depois.) que citamos.

Problema Histórico

Valo Grande: uma ferida aberta de enorme carga didática

por Álvaro Rodrigues dos Santos (*)

(1)Tal como uma ferida aberta e latejante, ainda lá está hoje o canal artificial do Valo Grande, com que a ambição, o descuido e a prepotência humana, para encurtar caminhos pretenderam um dia ligar o Rio Ribeira ao Mar Pequeno, mas que na verdade constituiu o gatilho de um dos mais trágicos e eloqüentes desastres ambientais já ocorridos no Brasil. Ao menos exploremos o didatismo desse triste evento.

Nas primeiras décadas do séc. XIX Iguape, município do litoral sul de São Paulo, rivalizava com o Rio de Janeiro em importância portuária e em vida social e cultural, com suas famílias mais ricas brindadas com constantes espetáculos europeus de arte e até com a presença de um Consulado Francês. Toda essa riqueza e ostentação deviam-se à especialização de seu porto à exportação de vários produtos agrícolas da província paulista, destacadamente do famoso arroz de Iguape, o que ensejou a instalação no município de perto de uma centena de engenhos de beneficiamento desse produto agrícola.

O arroz e demais produtos agrícolas chegavam ao porto marítimo de Iguape (contíguo à área urbana que faz frente para o Mar Pequeno, esse separando o continente da Ilha Comprida) carregados em canoas que desciam o Rio Ribeira. A partir do porto fluvial de Iguape, duas alternativas eram então utilizadas. Ou os produtos eram descarregados no próprio porto fluvial de Iguape, de onde vinham em carroças e carroções por terra até o porto marítimo, em um percurso de perto de 3 Km, ou as canoas seguiam adiante pelo Rio Ribeira entrando no oceano através de sua foz e volteando para o interior do Mar Pequeno até o porto marítimo, em um percurso de algumas dezenas de quilômetros.

Estava assim logisticamente colocada a pragmática idéia de se escavar um canal de algo em torno de 2 Km ligando diretamente o porto fluvial ao porto marítimo. Essa reivindicação, com a força da elite política e econômica de Iguape, foi levada a D. Pedro I e em 1827 eram iniciadas as obras do Valo, que por projeto teria pouco mais de 4 metros de largura e 2 Km de extensão.

Em 1855, com pompa e circunstância o Valo era inaugurado, com o que Iguape se tornava geograficamente uma ilha.

Em menos de 50 anos o pequeno Valo, pensado para dar passagem a uma canoa por vez, atingia 200 metros de largura, e mais à frente um pouco, 300 metros, sugando 2/3 do volume hídrico do Rio Ribeira. Era agora já o Valo Grande. A força erosiva das águas solapava e carreava os barrancos, invadia e destruía áreas agrícolas e urbanizadas. Os sedimentos carreados para o Mar Pequeno assorearam por completo o porto marítimo inutilizando-o para operações portuárias já ao final do séc. XIX. As mudanças na dinâmica fluvio-marinha da região introduziram radicais variações ambientais na temperatura, salinidade, correntes e turbidez das águas. Formam-se várias novas ilhas de sedimentos no Mar Pequeno. Escasseiam radicalmente a maior parte das espécies de peixes e mariscos que sustentavam uma segunda forte atividade econômica no município e em toda a região. Por sua vez, a foz original do Rio Ribeira, agora dando vazão a apenas 1/3 das águas originais, é também vítima do assoreamento e de outras tantas modificações decorrentes da alteração de sua dinâmica flúvio-marinha. Enfim, uma radical transformação geológica de toda a região. Como se poderia esperar, Iguape entra em franca decadência econômica, social e cultural. Sua população escasseia e empobrece. Acabava-se melancólica e tragicamente a época áurea.

Em 1978, em atendimento aos reclamos locais, o governo do estado providencia a construção de uma barragem (terra e pedras) para o fechamento do Valo Grande. Com a construção dessa barragem não se deu, no entanto, o milagroso retorno às condições de equilíbrio anteriores à abertura do Valo. Muitas décadas correndo com apenas uma pequena parte de sua vazão natural o Rio Ribeira, a jusante da embocadura do Valo, assoreou-se e deixou de inundar sazonalmente vastas áreas baixas limítrofes. Essas áreas foram então ocupadas para a cultura da banana, a alternativa econômica que sucedeu a operação portuária/agrícola anterior. A partir dos anos 80 uma seqüência de grandes inundações causou prejuízos enormes aos bananais (e também ao cultivo do chá) e a outras atividades agrícolas e sítios urbanos da região.

A retirada da barragem, apontada como a responsável pelas grandes enchentes, era agora a reivindicação que se colocava a uma população cruelmente vitimada em suas atividades, economias e patrimônios. As próprias sucessivas enchentes, com o auxílio de ferramentas manuais utilizadas por moradores locais, incumbiram-se do rompimento total da barragem.

Técnicos debruçaram-se sobre o problema e propuseram como melhor, e bem pensada, solução para o complexo problema a construção de uma nova barragem, mas agora com vertedouro e comportas de controle de vazão e com eclusa para possibilitar a navegação. A proteção das margens e do fundo do canal contra a erosão constituía parte integrante desse mesmo projeto. Em 1993 as obras civis da nova barragem foram concluídas, porém as instalações hidráulicas (vertedouro, comportas e eclusa) não foram executadas por alegada escassez de recursos financeiros para tanto (quantos votos tem Iguape?). Boa parte dessas obras civis já foi hoje também comprometida.

O Valo Grande continua como uma ferida aberta, de uma pungente carga didática a técnicos e governantes (que incrivelmente continuam a ser tão maus ouvintes): não se intervém na Natureza sem antes compreender todas as leis, processos e fenômenos naturais geológicos e biológicos que vão sofrer alguma interferência. De forma a adequar projeto e plano de obra para que os equilíbrios naturais fundamentais não sejam rompidos e, portanto, não se tenha que inexoravelmente arcar com as conseqüências de violentas respostas da Natureza. Esta, frente a uma agressão estúpida, buscará sempre, por seus próprios meios, uma nova harmonização de suas forças e agentes naturais. E pobres daqueles que se colocarem à frente dessas forças.

Vale a propósito lembrar duas sábias afirmações que já lá num tempo bem distante traziam para a Humanidade o âmago dessa mesma mensagem didática. Francis Bacon, em 1620, e Leonardo Da Vinci, em torno de 1.500, respectivamente nos alertavam: “A Natureza para ser comandada precisa ser obedecida” e “Se tiveres que tratar com água, consulta primeiro a experiência e depois a razão”. (1)  www.ambientebrasil.com.br

* É geólogo, autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar” e “Cubatão”; consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia.
santosalvaro@uol.com.br

Fonte Site Diario de Iguape

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