5.3.09
Conto “AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA”
Conto
QUANDO MEUS FILHOS ERAM PEQUENOS
Escrito por:
NOZIEL ANTONIO PEDROSO
Agosto de 2007
Lembro-me como se fosse hoje. Estávamos ainda a tilintar nossas taças, buscando no ar a renovação da esperança, o êxtase, a alegria imensurável da alma passeando pelo paraíso, a comemorarmos a chegada do novo. Ainda sou capaz de ver brilhos de regozijo a se estabelecerem nos quatro cantos da casa. Minha visão alcança ainda a visualização do mosaico de pedras preciosas a espalhar seu brilho multicor, meus ouvidos captam ainda o som de violinos. Recordo-me, outrossim, com ímpeto sagaz, que achava pouco e bom passar noites quase em claro, fazendo compressas e acompanhando a languidez daquele minúsculo ser, ardendo em febre. Não faz muito tempo, me parece, que o pequeno, entregue aos folguedos, esfolasse o joelho na pedra, sentindo na pele a aspereza e jeito brusco desse nosso mundo tosco, que dele faria parte. Pouco tempo decorreu, quiçá, entre a primeira palavra e a primeira decepção que tive, com aquele ser que habitou minhas entranhas. Quantas vezes corri com o cotidiano, atropelando as atribulações do dia-a-dia para poder dar um pouco mais de atenção àquele que era então a pessoa mais importante e frágil na minha vida. Seguramente aquele tempo era bonito, e mais bonito se tornava ainda quando aquele universo pueril fazia-se presente no tempo e no espaço.
Nunca me esqueci daquela linda manhã quando recebi o primeiro presente. Era um desenho confuso, com traços imprecisos, mais suscitando dúvida que esclarecimento. 0 que realmente seria aquilo? Mas o que importava, se nada parecia? Eu sabia, fôra feito com esmero, com cuidado, num lampejo de fantasia, com precisão impregnada de magia.
Me vem à mente, com total nitidez, que eu deitava-me nas tardes fagueiras a brincar com a brisa, a acariciar as nuvens, qual plumas vagantes que se desfaziam, lépidas, em meus devaneios. Tudo, meu Deus, era tão bom, que eu nem me dava conta que nessa nossa vida terrena, a tragédia, às vezes, anda de mãos dadas e em cumplicidade com a euforia, arrasando com a festa. O fadário, em forma de monstro, não nos poupa de infortúnios, que fazem-nos experimentar uma sensação de horror, sinistro, solidão, resignação, frente a situações que nos fogem das mãos. Não era capaz de imaginar que a dor mais pungente, a pontada mais lancinante, a aflição mais desoladora, estava a me rondar, traiçoeira, pronta a me dar seu bote fatal. Não fazia idéia do quão eu nunca estivera preparada para os solavancos que a vida nos dá, para absorver as agruras que o destino, às vezes, nos reserva, sem piedade. Para mim só existia o brilho do sol, o arco-íris e quem sabe, um pote de felicidade do lado extremo.
Jamais me apeguei a tão tenra e doce recordação quanto aos tempos em que meus filhos eram crianças, puras, qual anjinhos da guarda a enfeitar meus dias. Parecia que toda a energia do mundo estava em minhas veias, parecia que todas as certezas do planeta adentravam minha alma, parecia que todas as árvores do mundo exalavam o mais puro oxigênio que enchiam meus pulmões. Achava que a soma de todos os medos era nada, comparada à minha inclusão na roda viva da dança da exuberância. Eu vivia tão contente, que acenava para o sol e sorria para a lua.
No entanto, quando todas as estrelas serenas pareciam derramar seu brilho sobre a minha pele, quando os mistérios da noite faziam-se longínquos a ecoar estranhos ruídos, aquele acontecimento veio endoidecer todo meu ser. Eu não podia acreditar que meu mundo desmoronara, que aquele nefasto episódio veio a esmagar-me a essência, a torturar-me em crescendo, a estraçalhar-me o âmago, a arrebatar-me a paz e atirar-me à medonha masmorra. Nunca, até então, havia me sentido tão só, tão perdida e desprotegida, tão entregue à inércia e ao destino sem futuro. Perdão, meu Pai, cheguei até a pensar, se não seria melhor eu ter partido antes desse episódio que, seguramente, foi o mais fulminante impacto que atingiu-me de forma avassaladora até o útero. Não, jamais eu seria a mesma, após esse incidente devastador, que abalou-me as estruturas como um tufão em tempestade, arrasando tudo pelo caminho.
Agora sento-me nas tardes vazias, a murmurar de saudade, já sem a cálida esperança de restabelecer contato com a euforia. Nunca havia notado sequer o significado da palavra saudade, até mesmo na canção mais triste já composta por Chico Buarque, PEDAÇO DE MIM, que, em versos sofridos, dispara: "Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade ao revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu"
Apesar do decurso de alguns anos, já não mais acredito na plena alegria, já não conto mais com as manhãs serenas, já não mais dou crédito às promessas do sol, já não mais vejo o desfecho do dia, pois todo sofrimento sugou-me com sofreguidão as forças e a coragem. Não obstante eu tenha caminhado pelas ruas do inferno, nosso Pai Eterno, pegou-me em Suas mãos e assoprou as feridas. Ainda bem. Foi o que me salvou de ter caído para sempre num mar de tristeza e solidão.
Aliás, a duras penas recuperei - por assim dizer - minha coragem, sim, para observar de longe o raiar de um novo dia, de ver findar-se a noite, mas já não mais significam para mim a mesma coisa QUANDO MEUS FILHOS ERAM PEQUENOS. E ter ciência que isso nunca mais se repetirá, faz-me amargar uma espécie de desilusão e derrota. Porém, sinto que estou sendo afagada pelas Mãos Divinas, o alento mais imprescindível, com a qual fui privilegiada. Mas… a vida continua. Tem que continuar. Há outros seres, no entanto, que amenizaram a dor pela partida de um ser insubstituível… Todavia, transcorram-se dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos, milênios, bilênios, trilênios, nada aplacará a dor que sinto desde aquele dia, que preferia nunca ter vivenciado.
Desde aquele 24 de setembro, que as manhãs de primavera não cintilam tanto quanto antes. Nem a doce brisa, em mil anos, me trará de volta a alegria perdida, tampouco a exuberância e perfume das flores me fará regressar ao porto da esperança.
Conto escrito especialmente para minha amiga MARIA DAS DORES PRENZIER OLIVEIRA, referente ao filho Ewald, nascido em 13 de Junho de 1985 e que teve passamento em 24 de setembro de 2004.
Foto do Escritor Noziel Antonio Pedroso
Contiuando a escrever sobre os escritores do Vale do Ribeira ,hoje vamos conhecer um pouco mais sobre este grande escritor e compositor Noziel Antonio Pedroso da Cidade de Registro-SP no Vale do Ribeira.
Noziel nasceu em Pariquera-açú em 23 de dezembro de 1957,(portanto com 50 anos completos),quinto filho de uma prole de oito irmãos.passou a infancia nos sapezais ás margens da rodovia BR 116,nas proximidades do posto itatins,caçando passarinhos e brincando de bola.
Aos vinte anos foi morar e trabalhar em Três Pontas ,Minas Gerais,Em 1982 ( aos 25 anos ) fez a primeira sinopse de um livro ,que foi lançado em 08 de Outubro de 1993( O Baú, uma trama sobrenatural que discorre sobre um velho baú que continha uma maldição gerada atravéz de várias descendências).Esse trabalho foi feito de forma artesanal e com tiragem de apenas 115 exemplares.Foi nessa época que fez também seu primeiro poema: Jesus Cristo ,10 estrofes,de 6 linhas cada .
Foto do livro "O Baú"
Em agosto de 1983 foi inscrito na Sociedade de Compositores e Autores Musicais,São Paulo-SP.
De 1986 a 1990 Noziel trabalhou como redator publicitário no jornal A Tribuna do Ribeira onde publicou centenas de textos e matérias publicitárias,fazendo,inclusive,artigos sobre música popular,que é o seu forte.
Após o lançamento do primeiro livro ,o artista gráfico João Xavier de Campos (autor da capa e ilustrações) sugeriu ao escritor algo sobre os personagens de registro,sugestão essa logo aceita pelo autor.Em fevereiro de 1994 Noziel saiu em campo colhendo histórias pitorescas para elaboração de seu segundo trabalho nas letras.Todo material apurado rendeu 25 capítulos,até o presente momento,livro mais popular: Registro,histórias,boatos,causos, mitos e lendas de um povo,agora relançado pela terceira vez.. A primeira edição saiu em abril de1997, a segunda em agosto de 1998 e, essa ultima,em fevereiro de 2006.
1º edição do Livro Registro, Histórias, Boatos, Causos, Mitos e Lendas de um Povo ,foi em abril de 1997
2º edição do livro Registro, Histórias, Boatos, Causos, Mitos e Lendas de um Povo ,foi em agosto de 1998
3º edição do livro Registro, Histórias, Boatos,Causos, Mitos e Lendas de um Povo ,foi em fevereiro de 2006
O autor já tem prontos quatro trabalhos na área literária: O ALGOZ E A SUBMISSA,(ficção:a história de uma professora que se envolve com um traficante de drogas,IEIÉ EM PROSA EVERSO (referente a um irmão,que se inicia nas drogas aos 17 anos e morre aos 34), RECANTO DOS INOCENTES (sobre os tempos em que morou numa república, em TRES PONTAS) e CONTOS PRIMEIROS E ÚLTIMOS(uma compilação de mais de 20 contos,a maioria escrita em 2007).
O segundo livro do autor foi além dos limites de registro.Há exemplares espalhados por diversas cidades e estados, inclusive em outros paises como no JAPÃO E ESTADOS UNIDOS (MIAMI). Foi remetido,ainda, a tres artistas televisivo: JO SOARES(1997), GLÓRIA PERES e ROLANDO BOLDRIN(2000).
E uma canção do artista (ciuniverso) foi parar na ALEMANHA. É que a cantora homenagiada com a canção(CIONE DE FÁTIMA BRAS TOSTES,que o autor conheceu em TRES PONTAS-MG) mora nessa localidade.Não obstante não ter, ainda,lançado seus outros quatro livros, Noziel tem outros trabalhos rascunhados:samantha,solo infausto,primavera em cantilena,manto de púrpura e seguidores de caim.
EM 1998 trabalhou como colaborador no Jornal o Regional (registro-sp) escrevendo semanalmente uma coluna intitulada soltando um verbo e se identificava apenas como pan( as iniciais do autor, de trás para frente),onde discorria,de forma ironica,sobre assuntos em efervescencia, com títulos curiosos e intrigantes como VAI UM FIGADO ESPERTO AÍ? sobre a doção de orgãos e UM SOLUÇAR DE DOR,,sobre o feriado de 13 de maio.
Foto da Revista Cidade
Noziel foi tema de matéria no jornal Santista Expresso Popular em abril de 2006 .Há alguns anos foi mencionado ainda no Jornal Diário de São Paulo ,na revista Viva e no periódico A Estância,de Praia Grande.Em agosto de 2008 foi abordado,ainda,na Revista Cidade,editada em Registro-SP.
O Escritor Noziel é também Compositor e letrista,autor de 24 canções (a metade com partituras registradas na fundação Biblioteca Nacional,Rio de Janeiro-RJ). Tem três canções registradas no disco Sem preconceitos, produzido pela Associação dos Negros de Registro-SP, am dezembro de 1990.
O Blog "Curiosidades do Vale do Ribeira e suas Cidades" se sente honrrado em poder escrever sobre este grande escritor e compositor Noziel Antonio Pedroso,quem quiser adquirir o livro é só entrarem contato com próprio Noziel pelo fone (013) 38216042
Um Resumo da Biográfia do Escritor Benedito Machado da Cidade de Iguape
Foto Benedito Machado
Contiuando a escrever sobre os escritores do Vale do Ribeira ,hoje vamos conhecer um pouco mais sobre este grande escritor e jornalista Benedito Machado ,Sempre preocupado em trazer informações e cultura ao população do Vale do Ribeira .
Benedito Machado Nasceu e começou os seus estudos em Iguape-Sp no Vale do Ribeira , conclui o curso secundário em Bragança Paulista e Juiz de Fora, e se formou em Bacharel e Licenciado em Filosofia, pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Trabalhou sucessivamente como Revisor, Redator e Repórter do jornal Folha da Manhã e Folha da Tarde.
Benedito Machado foi professor de Língua Portuguesa no cursinho de Vestibular, Visconde de Cairu, de Lógica no cursinho Pré-USP, de História da Educação, na Faculdade de Pedagogia e de Filosofia na Faculdade de Jornalismo, ambas da Universidade Braz Cubas, de Mogi das Cruzes. Durante dez anos foi Orientador Social, no SESC, Serviço Social do Comércio.
Nos intervalos dessas atividades trabalhou no Jornal de Iguape, sob a direção do jornalista Ary Giani. Enquanto fazia o Curso de Filosofia, foi diretor da revista ACADEMUS, que circulou durante muitos anos, nos meios universitários brasileiros.
De fins de 1979 ao início de 1982, Benedito Machado foi editor do jornal "O IGUAPE". Na época também fez duas edições de um GUIA TURÍSTICO DE IGUAPE.
Livros publicados:
TRABALHO SOCIAL COM IDOSOS – Informativo técnico do SESC - 1976
SENHOR BOM JESUS DE IGUAPE – A lenda da Imagem do Senhor Bom Jesus - 1990
IGUAPE – CIDADE SANTUÁRIO – ORIGENS – 1997
IGUAPE, CIDADE DO HUMOR FRATERNAL – 2005
ALMANAQUE DO SENHOR BOM JESUS DE IGUAPE –C/Roberto Fortes - 2007
Conheça o Blog do Benedito Machado
O Blog "Curiosidades do Vale do Ribeira e suas Cidades" se sente Honrrado em poder contar um pouco da história deste grande Escritor e jornalista Benedito Machado.